O Sutra do Coração

O Sutra do Coração é também conhecido como o Sutra da Perfeição da Sabedoria – Prajna Paramita Hridaya Sutra 般若波羅蜜多心經. É um texto conciso e profundo com os ensinamentos básicos dos sutras da Perfeição da Sabedoria.

No Sutra do Coração, Avalokiteshvara, aquele que olha para baixo, escuta e socorre os outros do seu sofrimento, descreve a vacuidade a Shariputra.

O Sutra do Coração finaliza com um mantra ou dharani, que nos induz à compreensão da verdade:

Sânscrito Tradução
Gate gate Foi, foi
Pāragate Foi além (para a outra margem)
Pārasaṁgate Foi completamente para a outra margem
Bodhi svāhā Iluminação, quão maravilhosa!
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Sutra do Coração em Chinês

Sutra do Coração

OM, homenagem à venerável perfeição da sabedoria!

O bodhisattva Avalokiteshvara, em profunda meditação Prajna Paramita
viu claramente a vacuidade da natureza dos cinco agregados
e libertou-se da dor.

Ó Shariputra, forma não é senão vacuidade,
Vacuidade não é senão forma;

Forma é precisamente vacuidade,
vacuidade precisamente forma.
Sensação, percepção, reacção e consciência
são também assim.

Ó Shariputra,  todas as coisas são expressões da vacuidade.
Não nascidas, não destruídas; não maculadas, não puras,
Sem crescimento nem declínio.
Assim na vacuidade não há forma,
Sensação, percepção, reacção nem consciência;
Não há olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente;
Não há cor, som, odor, sabor, tacto, objecto;
Não há campo de visão nem campo de consciência;
Não há ignorância nem fim da ignorância.
Não há velhice e morte nem cessação da velhice e da morte;
Não há sofrimento nem causa do sofrimento.
Não há caminho, não há sabedoria nem proveito.

Sem proveito – assim os Bodhisattvas vivem esta Prajna Paramita
Sem obstáculos na mente.
Sem obstáculos e por isso sem medo.
Muito para além das ilusões, Nirvana é aqui.
Todos os Budas passados, presentes e futuros vivem esta Prajna Paramita
E alcançam a suprema, perfeita iluminação.

Por isso deves saber que Prajna Paramita é o sagrado mantra;
O mantra da grande sabedoria, o melhor mantra.
O mantra luminoso, o mantra supremo,
O mantra incomparável
Que dissipa todo o sofrimento.
Isto é verdade.
Por isso pratica o mantra da Prajna Praramita
Pratica este mantra e proclama:

GATE GATE PARAGATE PARASAMGATE BODHI SVAHA!

Isto completa o Coração da Venerável Perfeição da Sabedoria.

Tese de Mestrado sobre a vida religiosa da comunidade no Templo Fo Guang Shan

Tânia Nunes tem um mestrado em Estudos Orientais, com especialização na China, pela Universidade Católica de Lisboa e a licenciatura em Antropologia pelo ISCSP. É também vice-presidente da sub-delegação portuguesa da Buddha’s Light International Association.

A presente tese foi realizada de Setembro de 2012 a Setembro de 2014, com base num fundamento antropológico, para a análise da socialização da comunidade chinesa do templo Fo Guang Shan, em Lisboa.

DIMENSÕES DE SOCIALIZAÇÃO IMPLICADAS NA VIDA RELIGIOSA DA COMUNIDADE CHINESA DO TEMPLO FO GUANG SHAN DE LISBOA

Tema e Objetivos

O tema desta dissertação, conforme nos é apresentado pelo seu título, centra-se na análise da socialização da comunidade chinesa do templo Fo Guang Shan de Lisboa. Onde a identidade, a cultura e a religião desta comunidade interagem e afetam as suas relações sociais.

Tentou-se então trabalhar através da doutrina e dos padrões de atividade praticados no templo. Basicamente o principal objetivo era o de observar o dia-a-dia e as cerimónias religiosas praticadas no templo. Nesta temática as principais preocupações foram as relacionar o envolvimento de fatores como o comportamento, valores, padrões culturais adquiridos e estratificação social interna, com a Socialização.

Metodologia

A dissertação foi planificada de acordo com uma metodologia qualitativa que abrange, neste caso, uma análise documental; pressupõe também a observação participante; e entrevistas baseadas num guião.

A análise documental encontrada sobre este tema, é escassa e dificultou ligeiramente a concretização do trabalho.

A observação participante é uma técnica que neste caso foi aplicada pela oportunidade que nos dá de observar, registar e participar em eventos e atividades de imensa relevância para o tema. Tal como será exemplo a cerimónia do chá da qual fiz parte em diversas ocasiões.

As entrevistas baseadas num guião, com o propósito de que os entrevistados se sentissem mais à vontade no seu meio, foram também adequadas a cada entrevistado, tentando que cada entrevista se aproximasse, dentro de certos limites, de uma conversa informal.

Desta forma, usou-se o espaço e a comunidade como fonte direta de informação, a fim de dar sentido aos fenómenos sociais e a poder descrever as experiências vividas nestes últimos 2 anos.

Conceitos para este estudo

Foram estudados alguns conceitos a fim de situar o leitor na construção do estudo, principalmente na procura do papel desta comunidade estudada, como agente de socialização e porque estas são palavras-chave descritivas de todo o trabalho aqui exposto.

Cultura é um conceito comum identificador de processos de mudança social, representações e práticas de um povo ou comunidade. A cultura caracteriza-se pela representação de idiomas, crenças, cerimónias, entre outros. É um sistema simbólico inerente ao ser humano. Revelou-nos também que a identidade cultural é uma construção social, onde a identidade é o produto de sucessivas socializações.

Conforme Lassiter nos apresenta, e citando as suas palavras: “cultura, no sentido antropológico é um sistema compartilhado e negociado, na procura pelo conhecimento no qual as pessoas aprendem e põem em prática ao interpretarem experiências e gerarem comportamentos”.

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Conceitos

Neste estudo em específico, Comunidade, apresenta-nos a ideia de um grupo de indivíduos que interagem, no mesmo espaço, onde desenvolvem e praticam atividades conjuntas. Aqui encontraram-se fatores chave para a sua identificação social e cultural, sendo os principais a religião, cerimónias e atividades, que nos apresentam uma ligação entre o passado e o presente e entre o seu país de origem e o de acolhimento.

Para tal, tentou-se também compreender a Comunidade chinesa existente em Portugal. Os principais polos são no Porto e Lisboa, existindo ligeiramente mais homens que mulheres, conforme gráfico apresentado na página 20 da dissertação. Queria somente salientar a percentagem da população chinesa existente em Portugal, que segundo o relatório do SEF em 2012, estava nos 4,2%. Apesar dos dados encontrados pelo SEF, neste trabalho concluímos que a comunidade deste templo possui uma identidade bicultural, influenciada tanto pela cultura chinesa, como pela portuguesa. E é aqui que o templo e a associação entram como meio de ligação entre as duas culturas, como agentes de socialização.

A Buddha’s Light International Association, ou BLIA, é uma instituição organizada de forma hierárquica, à qual os seus membros aderem voluntariamente com um propósito comum, tendo uma conexão estabelecida pela pertença cultural, ideias e crenças, associadas a uma entidade superior, neste caso Buda. O Templo FGS é direcionado mais para os que tomam uma vida budista, de apoio espiritual e religioso. O templo representa o ambiente puro de Buda, a terra pura, idealizados a inspirar um indivíduo à sua paz interior e exterior. Aqui realizam-se não só cerimónias budistas, mas também reuniões da BLIA, usado também como apoio aos ensinamentos budistas.

Em ambos deverá existir uma comunidade de prática budista, organizada como uma família, numa atmosfera amigável.

FGS desde os primórdios

Este terceiro capítulo da dissertação iniciou-se com uma breve biografia do fundador de todo o projeto FGS e BLIA, sendo este o Mestre Hsing Yun. Neste subcapítulo, revelamos por breves instantes a sua vida, tal como as diversas instituições e obras literárias criadas por si. A fim de divulgar a nível mundial a cultura e ensinamentos do budismo humanista, conforme nos foi dito pela mestre Miao Yen, aquando da sua entrevista.

O FGS e a BLIA surgem então em Taiwan, estando hoje espalhados pelos 5 continentes, com mais de 1.300 monges, 5 milhões de membros e 200 templos. O FGS Lisboa foi criado em 1995, encontrando-se nos dias de hoje perto do parque das nações. Já contou com a presença de 4 mestres budistas diferentes enviadas pelo FGS de Taiwan. E pelas palavras do entrevistado André Ye, este “é um dos epicentros religiosos para os chineses”, em Portugal.

Divisão arquitetónica como objeto da Socialização

Mais à frente na pesquisa tornou-se de igual forma relevante dar a perceber ao leitor da dissertação a estrutura arquitetónica do templo de Lisboa, mais pela sua distribuição de altares e de restantes salas, pois é nestes locais que se dá a tão esperada Socialização. No altar principal temos celebrações como o Banho de Buda, meditação e o Ano Novo Chinês; tal como temos ensinamentos da literacia budista na secção da biblioteca.

Os membros do templo de Lisboa indiciam quer nas suas entrevistas, quer em conversas of the record, que o ambiente ideal destes espaços dedicados ao budismo, deve ser o de um sítio solene, que inspira tranquilidade e paz de espírito.

Organização e estrutura da BLIA

A BLIA caracteriza-se por uma sólida estrutura organizativa, orientada para o espírito de equipa. Esta comunidade tenta envolver sempre o máximo de membros possível no máximo de eventos possíveis. A BLIA Lisboa encontrava-se, até ao momento em que se finalizou a investigação, com 6 subdelegações, sendo uma a delegação portuguesa e outra o YAD ou grupo de jovens. Aqui um dos principais objectivos é claro o de divulgar o budismo humanista, mas também o de integrar as pessoas no seu meio, sendo esta uma cultura comunitária que pretende praticar a ação social, através da boa prática budista.

Atividades semanais

A Socialização reconhece, conforme referido na dissertação, que a identidade social individual, toda a biografia de um indivíduo é construída através de um processo de transmissão cultural, que pretende dar sentido às rotinas culturais dos seres humanos. Assim, e visando este mesmo intuito, pretendeu-se dar conta do máximo de atividades praticadas neste templo budista de Lisboa, sejam elas semanais e mais rotineiras, ou anuais e de maior pertinência religiosa.

As semanais descritas na dissertação são as apresentadas no slide. Sendo as de maior importância para este trabalho as 4 primeiras. A meditação é uma prática budista de grande relevo para a sua cultura e para o alcance da iluminação; a recitação dos sutras pois é uma prática que neste templo demonstra a devoção e respeito prestados a Buda, agindo como estímulo de reverência a uma entidade superior, por se ter presenciado que a maioria dos membros do FGS só vem ao templo exatamente neste horário, por ser das poucas atividades budistas de que não prescindem; o grupo de jovens é o representante da cultura chinesa projetada para o futuro, quando em contacto com outras culturas, tal como se verificou nas suas danças que envolvem a tradição, tal como a confecção de pratos tradicionais chineses e a dança tão pouco chinesa, do hiphop; já a ginástica feminina serviu para nos ajudar a entender a frequência dos membros em termos de género, aqui quem tem um papel mais ativo na preparação de todas as atividades da BLIA e do FGS, sem exceção, é a mulher.

Atividades anuais

Relativamente aos eventos anuais, o Chá Zen revelou-se importante devido às suas etapas rituais, das quais participei, com o intuito de melhor perceber a sua complexidade. O beber chá é uma prática tão tipicamente chinesa, que se encontra no quotidiano e que nos revelou um ritual delicado, cujo objectivo é o de partilhar, neste caso algo preparado especialmente para quem se situa em frente ao mestre de chá, mostrando consideração pelo “Outro”.

O evento de Mérito aos Antepassados reforça a noção de pertença, parentesco e continuidade geracional, mostrando a estima que se mantém pelos antepassados. Esta cerimónia deve ser adaptada aos hábitos e tradições locais.

O banho de Buda é um dos eventos mais importantes para esta comunidade em termos religiosos, que pretende purificar o corpo e a mente. Foi uma atividade que se presenciou em ambos os anos de pesquisa, e demonstra a sua complexidade não só pela preparação, como pelos trajes ou pelo ritualismo do evento. Mais uma vez, todo o planeamento é maioritariamente realizado pelas mulheres da associação.

O Festival do Ano Novo Chinês é uma celebração que dura aproximadamente uma quinzena e esta comunidade em estudo decide dividi-la sempre em duas festividades. Ambas as ocasiões são orientadas para a família. No caso em estudo descobriu-se também a importância desta atividade para a integração de novos membros no seu seio comunitário. A primeira festividade pode-se dizer que é mais ritualista e religiosa, pois existe a recitação dos sutras, a entrega dos envelopes vermelhos, colocação das lanternas e a oferenda de alimentos a Buda. Sendo a segunda parte deste evento mais festiva, existe a dança das luzes, a dança do leão, um sorteio de rifas, entre outros. Mas no seu todo é uma cerimónia que reforça a unidade familiar, a promoção de valores de socialização e aquisição de normas e valores culturais.

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Resultados e Conclusões

Foram diversos os métodos utilizados para chegar a esta fase do trabalho, mas para se poderem retirar certas conclusões, só mesmo através das entrevistas realizadas. Das 8 entrevistas somente uma foi conduzida em inglês, devido ao entendimento linguístico. Dos entrevistados contou-se com 1 homem e 7 mulheres, sendo uma delas a última mestre budista responsável pelo templo FGS Lisboa e tendo sido esta a conduzida em inglês. Aqui trabalhou-se um pouco mais a questão do género feminino como o predominante em todas as atividades, inclusive ao longo desta investigação só se conheceram mestres mulheres.

Analisou-se o facto do grupo de jovens se identificar com a cultura chinesa e portuguesa como sua identidade cultural, na qual a comunidade atua mais uma vez como agente de socialização, enquanto descendentes de famílias originariamente chinesas e como membros ativos da sociedade portuguesa. Estes jovens, pelo que demonstraram ao longo da minha estadia no templo, revelaram que desejam ter um papel mais ativo nas atividades aqui exercidas, à medida que vão progredindo na sua integração da BLIA.

Relativamente aos adultos estes têm um conhecimento deveras mais profundo das práticas religiosas, quando em comparação ao YAD, tendo também uma maior importância nas suas vidas quotidianas, estes membros possuem uma maior identificação religiosa e pessoal com o templo.

Devido à participação individual na vida do templo, como forma de convívio entre amigos e familiares, a comunidade atua como agente de socialização. Este agente demonstra uma preocupação cultural, associados a um convívio entre “novos e velhos” membros da associação, que nos revelam uma solidariedade tão característica e personalizada destas pessoas que aqui me receberam.

Concluiu-se que a Socialização é um dos principais métodos através do qual o grupo interioriza valores, a sua própria identidade pessoal e transmite uma memória cultural e religiosa pelas suas tradições e origens.

Encontro no templo Da Jue na China

De 17 a 22 de Outubro irá realiza-se o 1º Encontro do Sexto Conselho de Administração, no templo Da Jue, com a consagração da estátua de Buda. Todos estão convidados a participar neste encontro para partilhar os benefícios do Dharma.

Agenda resumida de actividades

De 17 a 25 de Outubro, 2015, em Lingshan

  • 17/10 – chegada ao templo Da Jue (o registo deve ser feito antes das 17h00)
  • Banquete de boas vindas
  • 18-21/10 – Cerimónia de Abertura e consegração da estátua de Buda / Grupos de discussão / Noite da Luz de Buda
  • 22/10 – Cerimónia de encerramento / Despedida

Local: Lingshan, Wuxi

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Mais informações para o 1º encontro do sexto Conselho de Administração

  • $400 de inscrição, inclui alojamento, refeições, acolhimento e participação.
  • Fica da responsabilidade do participante o visto e passagem aérea.
  • Inscrições para: ibps.pt@gmail.com

Versos do Sutra do Diamante pelo mestre Hsing Yun

Na literatura Indiana antiga, a forma de verso era habitualmente usada para oferecer um louvor ou tributo e o tipo mais comum de verso era a estrofe de quatro linhas. O verso de quatro linhas tornou-se uma das formas poéticas mais comuns na poesia budista.

No Sutra Diamante, o verso de quatro linhas é mencionado várias vezes como uma pequena unidade do Sutra do Diamante, para comparar a prática de apenas uma pequena parte do sutra como exceder outros grandes actos de mérito.

Isto mostra a importância dos versos de quatro linhas no sutra pois alguns dos momentos mais impactantes são presentes nesta forma. Por exemplo, um verso notável é encontrado no capítulo 32:

Todos os fenómenos condicionados
São como sonhos, ilusões, bolhas e sombras,
Como orvalho e relâmpago;
Devemos contemplá-los desta forma.

A essência dos 49 anos de ensinamentos de Buda estão contidos nestas quatro linhas. Todos os fenómenos aparecem no mundo como a combinação de causas e condições que são temporárias, por natureza. Quando encarados com algum tipo de fenómeno, um momento de interacção social entre nós e os outros, ou entre o louvado e o culpado, sucesso ou falhanço; Se algun destes ficarem na mente então podemos desenvolver preocupações dolorosas e criar todos os tipos de distinções e comparações. Infelicidade no passado pode plantar a semente para esquemas e prejuízos, mesmo tendo condições positivas e de sucesso no presente, pode criar-se condições para preocupações futuras e reclamações quando as coisas não funcionarem como esperamos. Como pode a mente ser purificada?

O Buda disse que devemos dar origem a uma mente que não permanece em nada. De forma semelhante ele disse no Sutra do Diamante que, «A mente do passado não pode ser obtida; a mente do presente não pode ser obtida; e a mente do futuro não pode ser obtida». No Sutra da Plataforma, Huineng diz,«Dentro de cada pensamento, não revisites estados passados. Se passado, presente e futuros pensamentos estão ligados, pensamento a pensamento como um continuo, isto é chamado estar apegado. Quando pensamento após pensamento não se apega a nenhum fenómeno, isto é chamado estar desapegado».

Devemos fazer o nosso melhor, no entanto o que é passado é passado. Não importa que pensamento permanece, tornamo-nos apegados por aflição e a continuidade de um pensamento é formada. Somente quando a mente não permanece em algo é que estamos verdadeira e puramente livres.

As «quatro noções» mencionadas pelo sutra, a noção do eu, a noção dos outros, a noção dos seres sencientes e a noção da longevidade, todas levantam a noção do eu. Quando nos agarramos a vários desejos, criamos a distinção entre nós mesmos e outros, que dão origem a tais noções. A noção de eu, surge como resultado da inabilidade de controlar os cinco agregados da forma, sensação, percepção, formações mentais e consciência, pela sua existência condicional e ilusória. Quando deixamos ir o apego à noção do eu, as outras três noções serão desfeitas. «Não-eu» é prajna. Também nesta instância devemos usar o transcendental para praticar o que é terreno e pegar no nosso sentido terreno de eu, para praticar o não-eu. Apenas quando não há eu, nenhuma distinção, nenhuma verdade ou mentira, nenhum sofrimento e nenhuma obstrução, pode o eu manifestar-se como verdadeiro prajna.

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O sutra do diamante

Ver o buda

Se alguém achar que eu posso ser visto entre as formas,
Ou que posso ser ouvido entre os sons,
Então essa pessoa está no caminho errado
E não verá o Tathagata.

Este verso de quatro linhas do capítulo 26, mostra como o puro Dharmakaya do Buda não tem uma aparência. Quando procuramos pelo Buda, devemos procurar pelo verdadeiro Dharmakaya, ao invés de nos apegarmos  à forma ou som do Buda.

Havia um monge coreano, chamado Gyeongman que era conhecido pelos seus altos princípios morais. Uma noite, ele levou para o seu quarto uma mulher com cabelo pelos ombros e os dois não saíram do quarto por vários dias. Os seus discípulos estavam perplexos e, após mais alguns dias, não aguentaram mais e entraram de rompante pelo quarto do mestre. O que viram foi o mestre sentado a um lado da cama, a dar uma massagem à mulher.

Um dos discípulos disse, «Mestre, como pode um comportamento deste ser um exemplo para nós?»

«Porque não pode servir de exemplo para vocês?», o Mestre respondeu.

O discípulo apontou para a mulher e balbuciou, «Não vê? Não vê?»

Gyeongman respondeu, «Vem e vê. Vem e vê».

O grupo de discípulos aproximou-se para olhar e viu que a mulher não tinha nariz, as suas orelhas tinham desaparecido e os seus olhos estavam afundados. Ela era uma leprosa e o seu Mestre estava no processo de lhe dar um tratamento especial. Gyeongman guardou-a de todos porque a sua doença era contagiosa. Nesse momento o discípulo que tinha questionado o seu Mestre ajoelhou-se em vergonha e disse, «Apenas o Mestre é capaz de tal bondade».

O que vemos com os nossos olhos nunca é verdadeiramente verdadeiro, nem o que ouvimos com os nossos ouvidos. Devemos aprender a fazer sem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente. Devemos dispensar as distinções para tomar consciência nas nossas próprias vidas a verdadeira razão pela qual aqui estamos e a verdadeira mente, pois só então poderá haver prajna. Como o Buda disse, «Se alguém pensar que eu posso ser visto entre as formas, ou que posso ser ouvido entre os sons», então esse não é Buda.

Como podemos então ver o Buda? Quando vemos os resultados de originação dependente, vemos o Dharma e então, vemos também o Buda. Quando vemos prajna, então vemos o Buda. Quando testemunhamos o amor-incondicional e compaixão, então vemos Buda. Tem uma mente universal e abrangente e também tu verás Buda.

Mestre Hsing Yun
Mestre Hsing Yun

Nota do Tradutor: Prajna significa sabedoria, discernimento, conhecimento discriminador ou apreensão intuitiva.

O que é budismo por email

De 22 a 24 de Junho irei enviar-te algumas dicas simples sobre o que é budismo, a sua origem e desenvolvimento e algumas práticas de desenvolvimento interessantes para ti, através do budismo.
Será sempre enviado um email por ti, a inscrição é gratuita.
Convido-te também a estares presente no dia 29 de Junho, na palestra do Mestre Hsin Ting.

Podes subscrever estes emails aqui…

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Mestre Hsin Ting em Palestra de estudos budistas 29 de Junho Faculdade de Letras.

Dia 29 de Junho às 19h00 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Mestre Hsin Ting dará uma Palestra de estudos budistas. A partir do Sutra do Coração, vamos falar sobre a prática do Budismo Humanista. A entrada é livre e és muito bem vindo. Podes ler mais sobre esta palestra aqui…

 

Mestre Hsin Ting em Palestra de estudos budistas 29 de Junho Faculdade de Letras

Dia 29 de Junho às 19h00 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Mestre Hsin Ting dará uma Palestra de estudos budistas. A partir do Sutra do Coração, vamos falar sobre a prática do Budismo Humanista.

Uma oportunidade única, a entrada é livre, és muito bem vindo.

Por favor, envia um email de confirmação para geralg2@ibps.pt

Hsing ting palestra

Foi assim o dia de meditação e workshop de cozinha vegetariana

Dia 6 de Junho realizamos um encontro na BLIA (Buddha’s Light International Association) para praticarmos meditação Ch’an, com 18 participantes. Tivemos ainda um momento de reflexão sobre os ensinamentos do Buda, através do capítulo 3 do Dhammapada – A Mente (Citta Vagga).

Terminamos com um pequeno workshop de cozinha vegetariana, chinesa, seguido de uma excelente refeição, com a comida preparada.

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Podem ver mais momentos deste nosso dia, no facebook do Templo, aqui…

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Em Setembro iremos retomar mais actividades de meditação, culinária, assim como o Dia de Prática Ch’an.

Às quintas-feiras, às 19h00 temos estudos budistas e meditação. Esta série de estudos terminará no final de Junho e retomaremos em Setembro.

workshop budismo e culinária vegetariana

A Mente – Citta vagga

O capítulo 3 do Dhammapada é dedicado à mente e chama-se Citta Vagga.

  1. A mente inconstante e vacilante, difícil de ser guardada, difícil de ser controlada – a pessoa sábia a endireita como o fabricante de flechas retifica uma flecha.
  2. Como um peixe que é tirado do seu domínio aquoso e lançado em terra, assim mesmo é que a mente vacila. Segue-se que o reino das paixões deve ser evitado.
  3. A mente é difícil de ser controlada, rápida, flutua onde quer que pouse: controlar isso é bom. Uma mente controlada conduz à felicidade.
  4. A mente é muito difícil de ser percebida, extremamente sutil, flutua onde quer que pouse. Que o sábio a controle; uma mente controlada conduz à felicidade.
  5. Viajando longe, perambulando longe, sem corpo, deitada numa caverna, está a mente. Aqueles que a dominam estão livres das ligaduras de Mara (a ilusão).
  6. Aquele cuja mente não é firme, aquele que não conhece a verdadeira doutrina, aquele cuja confiança balança – a sabedoria de tal pessoa nunca estará perfeita.
  7. Aquele cuja mente não está encharcada pela cobiça, aquele que não está afetado pelo ódio, aquele que transcendeu tanto o bem quanto o mal – para um tal vigilante não há medo.
  8. Percebendo que este corpo é tão frágil como um jarro, estabelecendo esta mente tão firmemente quanto uma cidadela fortificada, ele deve atacar Mara (a ilusão) com a sua arma de sabedoria. Ele deve guardar sua conquista e ser sem apegos.
  9. Antes de muito tempo esse corpo tombará ao chão, lançado fora, sem consciência, como um tronco inútil e queimado.
  10. Não importa que mal um inimigo faça ao outro, ou alguém que odeia faça a outro odiador, uma mente mal direcionada pode fazer mais mal ainda.
  11. O que nem mãe, nem pai, nem qualquer outro parente pode fazer, uma mente bem direcionada pode e com isso eleva a pessoa.

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Palestra de estudos budistas 29 de Junho Faculdade de Letras

Dia 29 de Junho às 19h00 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Mestre Hsin Ting dará uma Palestra de estudos budistas. A partir do Sutra do Coração, vamos falar sobre a prática do Budismo Humanista.

Uma oportunidade única, a entrada é livre, és muito bem vindo

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