A meditação

A meditação é um elemento essencial da prática budista, mas não pensem que seja tudo no budismo. A verdade mais profunda que aprendi no templo Ch’an do mosteiro Qi Xia Shan foi que a mente em meditação é a mente de todos os seres sencientes – e essa é a mente de todos os Budas. A meditação é uma porta; o que passa por essa porta é a nossa compaixão pelos outros.

A principal razão que leva as pessoas a abandonar o budismo ou a não obter grande benefício com a sua prática é não terem aprendido como adotar para si próprios o equilíbrio adequado entre a experiência e a compreensão dos ensinamentos do Buda. Como consequência desse desequilíbrio, perdem o entusiasmo e concluem que o Dharma não leva a nada. Ora, não é pleno o entendimento do Dharma que se baseie só nas palavras ou apenas no funcionamento da mente. A finalidade da recitação e da meditação é mostrar que a perceção do Buda Shakyamuni é real. Quando temos essa experiência em meditação, ou quando isso nos inspira na recitação, renovamo-nos e capacitamo-nos a prosseguir no longo processo de introspeção e crescimento moral que é o caminho para a iluminação.

Se sentirem preguiça nos vossos estudos ou tédio com o Dharma, encontrem um lugar adequado para meditar ou procurem uma oportunidade para fazer um retiro. A experiência será transformadora. Com a prática, os benefícios da meditação são rapidamente trazidos à mente. Com a prática, aprendemos a sentir o Buda interior quase sem precisar de o procurar.

Hsing Yün – Excerto do livro Budismo Significados Profundos

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Cerimónia de Arrepedimento da Grande Compaixão dos Mil Braços e Mil Olhos

Convidamos a participarem na Cerimónia de Arrepedimento da “Grande Compaixão dos Mil Braços e Mil Olhos”.
Vai realizar-se no dia 16 de Março, domingo, das 16:00h às 18:00h. A recitação do Sutra será proferida em português.

Caso possam estar presentes, enviem um email para geralg2@ibps.pt

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Meditação Chan, sábado 8 de Março

Sábado 8 de Março, teremos meditação Chan (zen) às 10h. A sessão é aberta ao público em geral. Podem chegar um pouco mais cedo para se prepararem. Caso pretendam, levem roupa confortável e meias quentes.

10:00h – 11:00h meditação Chan (Zen) em conjunto

11:00h – 12:00h grupo de leitura/estudos e ensinamentos budistas

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A forma é o vazio e o vazio é a forma

O vazio é a forma

“O mundo parece-nos como um tecido complexo de acontecimentos no qual alternam relações de diversas espécies, sobrepondo-se ou combinando-se, determinando desse modo a teia do conjunto.” – Werner Heisenberg

A vacuidade é um dos temas centrais da filosofia budista. Há mais de 2 500 anos o Buda Shakyamuni soube o que cientistas do século XX começaram a perceber com a descoberta dos quanta. Sidhartha Gautama ensinou que todas as partículas do dharmadhatu refletem todas as outras, dando-nos a entender que todos os fenómenos são interdependentes, sem existência intrínseca, independente e imutável.

O vazio é a forma

“A forma é o vazio e o vazio é a forma.” De facto, se observarmos cuidadosamente, nada é perene e constante. A única constância é a permanente mudança da todos os fenómenos. A natureza dá-nos a todo o momento exemplos de vacuidade para nos lembrar da nossa própria impermanência e a dos fenómenos em geral. A mudança das estações, o nascimento, existência, o definhar e, finalmente, a extinção está inscrito em tudo o que surge a partir do momento em que se revela.

Buddha disse:

“O que nasce vai morrer,
o que foi coletado dispersar-se-á,
o que foi acumulado será esgotado,
o que foi construído desmoronar-se-á,
o que foi glorificado será humilhado.”

 Tudo se anuncia como uma miragem, uma imagem ao espelho que vemos estar lá mas não tem existência em si e por si, não passando de um reflexo, manifestação de uma conjugação de causas e condições e, por isso mesmo, efémera e fluida. Todo o universo, desde a sua “génese”¹, está em permanente fluidez, mudando permanentemente. Os fenómenos manifestam-se fruto de uma cadeia inter-relacional complexa de interdependência.

Embora seja relativamente fácil compreender todo o conceito de vacuidade sob um prisma intelectual, já ter a “visão”, não é tangencial. Apenas através do treino da mente e da meditação contemplativa (shamatha e vipashyana) é possível desenvolver esta “visão”. Ela liberta-nos e faz-nos passar através da porta do quarto estreito da nossa perceção errónea da realidade para o infinito que é o nosso estado primordial, livre de conceptualismos e visões dualistas.

“É um esforço fundamental do budismo não apenas enquanto contributo para o saber, mas também enquanto prática de transformação pessoal. A análise que leva à compreensão da vacuidade pode parecer, à primeira vista, muito intelectual, mas a concretização do que dela deriva liberta-nos das nossas prisões e traz consigo profundas repercussões na maneira como interpretamos a nossa existência.” – Mathieu Rickard

Vemos todos os fenómenos sob uma perspetiva dualista de sujeito-objeto: “eu” e os “outros”, bom e mau, agradável-desagradável.

“Quando há consciência de si, há consciência do outro.
De nós e do outro nascem apego e repulsa,
E da combinação dos dois
Derivam todos os males.”
– Dharmakirti –

Ambos os estados das coisas existem numa realidade relativa mas fundem-se na realidade absoluta das coisas, no nirvana, a sua verdadeira natureza. Vemos os fenómenos de forma “cristalizada”, não percebendo que são apenas manifestações de uma interdependência extremamente complexa de causas e condições, miragens ilusórias projetadas pela nossa própria mente sobre os fenómenos. É por esse erro fundamental de interpretação que nos fechamos num casulo apertado que nos sufoca. Apertamos nós mesmos a gravata em torno da nossa garganta e nem sequer o percebemos.

Quando, fruto do estudo, da contemplação e do treino, finalmente nos libertamos para o sem-fim do dharmakaya percebemos que não existe “eu” nem “outro”, nem belo nem feio, nem bom nem mau. Percebemos que o “eu” será, quanto muito, uma forma severamente simplista de descrever o todo. Somos todos um, e todos somos unos com o universo. Somos “pó de estrelas”. A mesma matéria que surgiu no Big Bang está presente em todos e tudo permeia.

Entende todas as coisas como sendo assim:
uma miragem, um castelo nas nuvens,
um sonho, uma aparição,
sem essência, mas com qualidades que podem ser vistas.

Entende todas as coisas como sendo assim:
como a lua num céu brilhante
em algum lago calmo refletida,
ainda que para o lago a lua nunca se tenha movido.

Entende todas as coisas como sendo assim:
como um eco que deriva
da música, sons e choro,
nesse eco não há melodia.

Entende todas as coisas como sendo assim:
Tal como um mágico faz ilusões
De cavalos, touros, gatos e outras coisas,
Nada é como aparenta ser.

– Buddha –

  ¹ – “génese” é apenas um recurso linguístico como referência ao Big Bang. Do ponto de vista budista o universo, tal como a existência, não tem princípio nem fim. Se tudo é uma relação complexa de causa e efeito não pode existir uma causa prima, origem de tudo.

A intenção

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“A intenção é o núcleo de toda a vida consciente.
São as nossas intenções que criam karma, são as nossas intenções que ajudam os outros,
São as nossas intenções que nos levam longe das ilusões de individualidade
Para as verdades imutáveis ​​da consciência iluminada.
Intenção consciente dá cor e tudo move. “
– Mestre Hsing Yun

Apresentação formal da BLIA

Dia 02 de Março, vai-se realizar no Templo Fo Guang Shan Lisboa a apresentação formal da BLIA.
Encontra-se programado das 13:30h às 15:00h. Onde se vão tratar os seguintes temas:
  • Apresentação de BLIA Lisboa;
  • Diferença entre o Templo e a Associação;
  • Como ser um membro da BLIA.
É da mais valia para a nossa Associação que contemos com a vossa presença.
 Devem enviar um e-mail a confirmar o número de pessoas. Qualquer questão que possamos esclarecer deve ser reencaminhada para o seguinte e-mail:
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Meditação e estudo dos ensinamentos de buda I

blia-meditação-e-estudos-dos-ensinamentos-de-buda“Se conseguires concentrar a mente, não existirá nada que não possas fazer”.
“A concentração é uma grande virtude, ao passo que a mente dispersa apenas causa problemas.”

 

Convidamo-lo a participar neste sábado (dia 22) nas nossas actividades matinais:
  • Às 10h na nossa meditação.
  • Às 11h faremos um estudo dos ensinamentos de Buda. Agradecemos confirmação por e-mail e que apareça uns minutos antes da hora marcada.

A Mi Tuo Fo

email: ibps.pt@gmail.com