Cerimónia do Buda de Medicina no templo de Vila do Conde

No passado dia 14 de Novembro foi realizada a cerimónia do Buda de Medicina no qual também participaram os membros da BLIA em Guimarães, que deixam o seu testemunho:

Eu senti-me bem na cerimónia do Buda da Medicina! Senti-me de mente quase vazia no início e depois fui despertando para um certo desconforto no braço! Essa dor foi passando à medida que cantávamos o mantra! Foi muito bom ter vindo ao templo! Fomos recebidos com muita alegria!
Marta

Foi uma cerimônia de muita paz, ao longo da cerimônia as minhas mãos foram aquecendo e ao mesmo tempo esse calor tornou a minha mente serena. Grato por esta experiência, foi uma alegria ter partilhado estes momentos com todos vós.
Carlos

Sinto sempre uma grande alegria interior quando venho às cerimônias. Mesmo não percebendo o que dizem, sinto-o profundamente no meu coração.
Somos sempre recebidos com muito carinho por todos! Um muito obrigada.
Sílvia

Assembleia Geral da BLIA – 29 de Outubro 16:00

No dia 29 de Outubro, pelas 16h00, vamos ter uma assembleia geral da BLIA para apresentação dos trabalhos dos vários grupos.

Todos estão convidados a comparecer, para conhecerem melhor o trabalho do Budismo Humanista e também para o jantar convívio que será de seguida.

Podem enviar a vossa inscrição, por favor, para o email: geralg2@ibps.pt

O vosso apoio é preciso.

Muito obrigado!!

Grupo budista quer mudar a China pela fé

Durante boa parte da sua vida, Shen Ying sentia-se decepcionada com o mundo em seu redor. Ela observava a ascensão económica da China nesta pequena cidade no Vale do Rio Yangtze, onde vivia uma vida confortável de classe média, gerindo uma loja de conveniência num centro comercial. Ainda assim, a prosperidade parecia não significar muito.

Ela temia perder a loja caso não agradasse as autoridades correctas. Escândalos recorrentes sobre a insegurança alimentar, ou comida para bebés contaminada feita por empresas que já tiveram boa reputação, deixaram-na desapontada. Ela lembrava-se dos valores que o seu pai havia tentado incutir – honestidade, economia, justiça –, mas disse que seria impossível viver esses ideais na China de hoje.

“Fico desapontada com a conduta desonesta na sociedade”, afirmou.

Então, há cinco anos, uma organização budista de Taiwan chamada Fo Guang Shan, ou Montanha Iluminada de Buda, começou a construir um templo nos arredores de Yixing. Ela começou a frequentar as reuniões e estudar os textos – e isso mudou a sua vida.

Shen e o marido, um empresário bem sucedido, passaram a levar uma vida mais simples. Abriram mão de produtos de luxo e fizeram doações para ajudar crianças necessitadas. E antes do templo abrir as portas no ano passado, ela deixou a sua loja de conveniência para abrir uma loja de chás, dedicando os lucros para a caridade.

Em toda a China, milhões de pessoas como Shen começaram a participar de organizações religiosas como a Fo Guang Shan. O seu objetivo é preencher o que acreditam ser o vácuo moral deixado pelos ataques aos valores tradicionais ao longo do último século, especialmente sob o comando de Mao, assim como a adopção de um capitalismo selvagem.

Muitas pessoas querem mudar o país – torná-lo mais cheio de compaixão, mais civilizado e justo. Mas, ao contrário dos dissidentes políticos e de outros activistas oprimidos pelo Partido Comunista, eles esperam mudar a sociedade chinesa por meio da devoção pessoal e trabalhando com o governo, ao invés de contra ele. E, de modo geral, as autoridades não parecem incomodar-se com o grupo.

Fo Guang Shan talvez seja a mais bem sucedida dessas organizações religiosas. Desde que chegou à China há mais de uma década, o grupo criou centros culturais e bibliotecas em grandes cidades chinesas, imprimindo e distribuindo milhões de livros por meio de editoras estatais. Embora o governo esteja controlando com mão de ferro a maioria das organizações religiosas estrangeiras, o Fo Guang Shan floresceu, espalhando a poderosa mensagem de que acções individuais de caridade podem ajudar a remodelar a China.

Contudo, isso só foi possível por meio de ajustes e acordos. O governo chinês desconfia das actividades espirituais que não controla, proibindo a mistura de religião e política. Isso levou o Fo Guang Shan a limitar a sua mensagem social e até mesmo o seu conteúdo religioso, concentrando-se ao invés disso em promover o conhecimento da cultura e dos valores tradicionais.

Essa abordagem angariou apoio nos altos escalões do governo; o presidente Xi Jinping é um dos apoiantes do grupo. Porém, a sua relação com o partido levanta uma questão importante: o grupo será capaz de mudar a China desse jeito?

O Fo Guang Shan é liderado por uma das figuras religiosas mais famosas da China actual, o Venerável Mestre Hsing Yun.

Aos 89 anos de idade, ele é praticamente cego e uma devota repetia as questões para que ele pudesse ouvi-las. Porém, a sua mente continua ágil, e ele escapava com facilidade das questões que pudessem incomodar as autoridades chinesas. Quando perguntei o que ele esperava conquistar com a disseminação do budismo – o proselitismo é ilegal na China – as suas sobrancelhas arquearam-se, mostrando que ele achou graça na pergunta.

“Não quero disseminar o budismo. A única coisa que faço é promover a cultura chinesa para purificar a humanidade”, afirmou.

Quanto ao Partido Comunista, ele não tem dúvidas: “Nós budistas estamos ao lado de quem estiver no poder. Budistas não se envolvem em política”.

Contudo, isso não foi verdade durante a maior parte da vida de Hsing. Nascido nos arredores da cidade de Yangzhou em 1927, ele tinha 10 anos quando entrou para um mosteiro por onde ele e a mãe passaram quando saíram em procura do seu pai, desaparecido durante a invasão japonesa na China.

Lá, ele foi influenciado pelas ideias do Budismo Humanista, que pretendia salvar a China através da renovação espiritual. O movimento argumentava que a religião deveria ser o foco deste mundo, e não o do além. Dizia também que o clero deveria preocupar-se com as pessoas, chamando os religiosos a ajudar a mudar a sociedade por meio da justiça e da compaixão.

Depois de fugir da Revolução Comunista, Hsing levou essa mensagem para Taiwan, onde fundou o Fo Guang Shan na cidade portuária de Kaohsiung, em 1967. Ele tentou tornar o budismo mais acessível às pessoas comuns por meio de uma renovação da sua imagem e da adopção de tácticas do mercado de massa. Deu palestras em estádios lotados, em cerimónias parecidas com cultos evangélicos. Construiu um parque temático com apresentações multimédia e máquinas que exibiam imagens de santidades budistas.

Essa abordagem teve um impacto profundo em Taiwan, que na época era bastante parecida com a China actual: uma sociedade em processo de industrialização que temia ter dispensado os valores tradicionais na busca pela modernização. O Fo Guang Shan tornou-se parte de um avanço popular da vida religiosa. Muitos estudiosos afirmam que o movimento também ajudou a lançar as bases para a transformação da ilha numa democracia vibrante, por meio do fomento de uma cultura política comprometida com a igualdade, a civilidade e o progresso social.

O Fo Guang Shan espalhou-se rapidamente, gastando mais de 1 bilhão de dólares em universidades, faculdades comunitárias, jardins de infância, uma editora, um jornal diário e uma estação de TV. Actualmente, a religião conta com mais de mil monges e monjas, além de mais de um milhão de seguidores em 50 países.

O grupo prefere não fazer estimativas do número de fiéis na China, onde o governo os recebeu inicialmente com desconfiança. Em 1989, um oficial que fugiu do massacre da Praça da Paz Celestial procurou abrigo num templo do grupo em Los Angeles. A China retaliou com a proibição da entrada de Hsing no país.

Porém, mais de uma década depois, Pequim começou a ver Hsing com outros olhos. Assim como muitas pessoas da sua geração que nasceram na China e viviam em Taiwan, ele é favorável à unificação da ilha e da China – uma prioridade para os líderes comunistas.

Em 2003, o governo permitiu que visitasse a sua cidade natal, Yangzhou. Ele prometeu construir uma biblioteca e, alguns anos depois, estabeleceu um centro de 40 hectares que actualmente abriga quase dois milhões de livros, incluindo uma colecção com cem mil volumes de escrituras budistas.

Embora o governo de Xi tenha aumentado as restrições ao cristianismo e ao islamismo no país, o Fo Guang Shan recebeu autorização para abrir centros culturais em quatro cidades, incluindo Pequim e Xangai. Actualmente, entre os alunos da organização encontram-se diversas autoridades do governo.

Quando Shen assumiu a loja de chás, demorou a entender o que significava ser budista. Ela admite que, no início, buscava obter mais lucro para o templo, utilizando óleo de qualidade inferior na cozinha.

Contudo, o seu marido foi contra. A China está repleta de escândalos de restaurantes que utilizam ingredientes baratos e perigosos, e ele argumentou que bons budistas deveriam servir de exemplo.

“Isso me fez perceber que a fé nos dá padrões morais mínimos. Ela ajuda-nos a tratar os outros como nossos semelhantes”, afirmou Shen.

Por Ian Johnston – New York Times 

Fonte: Portal do Budismo

Aula de explicação sobre o Sutra de Amitabha

No dia 5 de Agosto das 16h00 às 17h00 Elisa Chuang, irá dar uma aula sobre “O Sutra de Amitabha como foi Proferido pelo Buda“.
Irá abordar uma explicação sobre a vida do tradutor, o Mestre Kumarajiva, assim como o significado do título do sutra, o que é Buda e a diferença entre Buda Amitabha e Sakyamuni.
Elisa Chuang irá também abordar alguns dos discípulos de Buda, os Bodhisattvas, o ambienta da Terra Pura do Ocidente e com que votos poderemos renascer na Terra Pura do Buda Amitabha.
A aula é gratuita, inscrições para o email: geralg2@ibps.pt
 

Seminário de Budismo Humanista – Lisboa 2017

No dia 29 de Julho realizamos no Templo Fo Guang Shan, em Lisboa, o 1º Seminário de Budismo Humanista, com 23 participantes.

Agradecemos ao apoio e participação da Ven. Mestre Miao Yen, à Elisa Chuang, a nossa supervisora e à Ana Henriques pelo apoio na organização. O nosso muito obrigado a todos os participantes que muito contribuíram para o desenvolvimento do Budismo Humanista em Portugal, com as suas partilhas e questões. Um especial obrigado ao esforço dos membros da Sub-Delegação de Guimarães por se terem juntado a nós.

Tivemos uma apresentação pela Ven. Mestre Miao Yen e Elisa Chuang sobre o Budismo Humanista, a BLIA e o Mosteiro Fo Guang Shan. Na parte da tarde tivemos 1h30 de trabalho de meditação, aprendendo a meditar vipassana a caminhar, os quatro pontos da atenção plena aplicada à meditação e ainda meditação sentados. Foram momentos que nos deixaram renovados e com um maior entendimento sobre a prática de meditação budista.

Após um pequeno intervalo estivemos a reflectir sobre o livro Ser Bom – Ética Budista para o Dia a Dia, do Ven. Mestre Hsing Yun, refletindo sobre o seu primeiro capítulo, os 8 ventos e realizando um trabalho de partilha que nos mostrou que os conceitos do budismo precisam ser aplicados nas nossas questões diárias.

 

 

Finalizamos o dia de trabalho com um debate de ideias para 2017/2018, dos grupos de Lisboa e Guimarães, para cumprir os objectivos fundamentais do Budismo Humanista, instituídos pelo Ven. Mestre Hsing Yun.

Novamente o nosso obrigado a todos os participantes e aos membros que cozinharam maravilhosas refeições para todos.

Podem ver as fotografias no nosso facebook.

Palestra da Ven. Mestre Juerong sobre o Sutra de Vimalakirti

No dia 20 de Julho realizou-se a aula de Dharma da Ven. Mestre Juerong sobre o Sutra de Vimalakirti, com perto de 100 participantes.

Este sutra fala sobre a atitude de um praticante laico, Vimalakirti, que nos traz lições tão valiosas como o seguinte ditado – “não por comida podre numa tigela de jóias”, o que significa que devemos adequar os ensinamentos a quem está a escutar.

Este é o papel do budista laico, praticar para alcançar uma mente positiva, para depois poder também ensinar e incentivar outros.

O nosso agradecimento às causas e condições que puderam trazer a Ven. Mestre Juerong até Lisboa e a todos os participantes.

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Vimalakirti Nirdesa Sutra – Sutra de Vimalakirti (fragmento)

Certa vez, o Buda disse a Satiputra: “Se você olhar para este mundo com uma mente pura, purificada por meus ensinamentos, você será capaz de ver um mundo brilhante e resplandecente todo o tempo.” Naquela época, vivia em Vaisali um rico homem de nome Vimalakirti. Ele havia satisfeito completamente a mente do Buda e sua brilhante sabedoria iluminava as mentes obscurecidas. Mesmo vivendo uma vida secular, ele não estava apegado às coisas mundanas. Apesar de ter esposa e filhos ele nunca era arrastado pelas paixões humanas e não se afastava do estado de tranqüilidade em isolamento. Ele visitava os lugares de prazer, mas guiava as pessoas desses lugares para os ensinamentos corretos. Quando Vimalakirti, altamente respeitado como o professor de sua era, ficou doente, pessoas de todas as direções vieram visitá-lo. Em seu leito, ele aproveitava as visitas para ensinar o Darma: “Compreendam que seus corpos estão constantemente mudando e perderão o vigor, por mais saudáveis que sejam. Mais cedo ou mais tarde, o corpo será apanhado pela velhice e conduzido à morte. Aqueles que sabem disto não deveriam se apegar ao corpo físico, mas aspirar alcançar o corpo do Buda. O corpo do Buda é o corpo do Darma. Ele nasce de toda bondade, sabedoria e verdade. Vocês, portanto, deveriam aspirar realizar o caminho para a verdadeira iluminação.”

O Buda disse a Sariputra: “Vá visitar Vimalakirti e veja como ele está.” Sariputra respondeu: “Honrado pelo Mundo, eu não sou digno de visitar Vimalakirti. Outro dia, eu estava sentado em meditação, ele veio até mim e disse: ‘Sariputra, sentar-se não é necessariamente a verdadeira meditação. A verdadeira meditação é o estado em que a mente está silenciosa e imóvel, mesmo em meio a várias atividades. É seguir o caminho dos sábios, mesmo vivendo uma vida comum e ordinária. É ouvir diversas doutrinas não-budistas sem se deixar confundir e praticar o caminho para a iluminação. Atingir o nirvana sem cortar as impurezas é a verdadeira meditação’. Como eu não tive resposta diante disto e permaneci em silêncio, não sou qualificado para visitá-lo.”

O Buda pediu a Maudgalyayana que fosse,mas Maudgalyayana disse: “Honrado pelo Mundo, eu também não sou digno de visitar Vimalakirti. Certa vez, eu estava expondo o Darma para um grande número de seguidores e Vimalakirti veio até mim e disse: ‘Você deveria explicar o Darma tal qual ele é. A verdade da talidade é não-discriminatória. Você deveria ensinar o Darma da ausência de impedimentos, sempre mantendo em mente a ideia de retribuir a misericórdia do Buda e a ideia do crescimento contínuo dos Três Tesouros.’ Quando Vimalakirti disse isto, as 800 pessoas que lá se reuniam decidiram seguir o caminho. Visto que não possuo tal habilidade, não posso visitá-lo.” O Buda, então, chamou Mahakasyapa, que respondeu: “Eu também não sou qualificado para visitar Vimalakirti. Algum tempo atrás, quando eu estava mendigando em um pobre vilarejo, ele veio até mim e disse: ‘Mahakasyapa, apesar de você possuir um coração compassivo, você é incapaz de estendê-lo a todos igualmente. Assim, você abandonou os ricos e está esmolando comida em uma vila empobrecida. Você deveria esmolar imparcialmente de casa em casa. Kasyapa, não procure por qualquer diferença nos méritos de donativos recebidos e não pense sobre ganhos ou perdas.’ Honrado pelo Mundo, quando ouvi estas palavras, comecei a ter maior respeito por todos os seguidores do caminho. Não estou em posição de visitar e confortar este grande homem leigo.” O Buda escolheu Subhuti, mas ele também se desculpou. “Certa vez, eu fui até a casa de Vimalakirti para mendigar por comida; ele tomou minha tigela, encheu-a de arroz e me disse: ‘Subhuti, se você sabe que todas as coisas são iguais, então você pode aceitar esta comida. Você pode aceitar estar comida se não estiver perturbado por máculas e se não precisar eliminá-las; se alcançar a sabedoria de estar livre do amor e da luxúria, mesmo estando preso ao amor e à luxúria; e se você não se apegar à discriminação, mesmo vivendo nela.’ Honrado pelo Mundo, eu não sou capaz de visitá-lo e confortá-lo em sua doença.” Em seguida, o Buda chamou Purna, Maha-Katyayana, Aniruddha, Upali, Rahula, Ananda e cada um dos 500 grandes discípulos para que alguém visitasse Vimalakirti. E todos eles expressaram suas próprias razões para declinar deste papel.

O Buda ordenou ao bodisatva Maitreya para fazer a visita e perguntar sobre a sua doença. Mas o bodisatva também declinou e deu seus motivos. O Buda chamou um jovem de nome Prabhavyuha, mas ele igualmente recusou, dizendo: “Honrado pelo Mundo, certa vez, quando eu estava prestes a deixar a cidade de Vaisali, ele estava por lá. Eu lhe perguntei de onde ele vinha, ele respondeu que vinha do local do aprendizado do Darma. Quando perguntei onde ficava o local do aprendizado do Darma, ele disse: ‘A mente correta é o local para o aprendizado do Darma, porque não há falsidade nela. A determinação de praticar é o local para o aprendizado do Darma, porque ela realiza esforços aplicados. A mente profunda é o local para o aprendizado do Darma, porque ela aumenta as virtudes. A mente que segue o caminho é o local para o aprendizado do Darma, porque nela não há erro. As Seis Perfeições da generosidade sem esperar recompensas, observando os preceitos com aspiração, a paciência sem impedimentos para com todos, esforçar-se sem qualquer preguiça, a concentração que controla a mente, e a sabedoria que torna possível enxergar todas as coisas, todas são o local para o aprendizado do Darma.

As quatro mentes incomensuráveis da bondade amorosa que ama a todos igualmente, a compaixão que alivia os sofrimentos dos outros, a alegria com o Darma e com a felicidade dos outros, e a não discriminação entre amor e ódio, são o local para o aprendizado do Darma. As negatividades são o local para o aprendizado do Darma, pois através delas a verdadeira realidade pode ser conhecida. As pessoas são o local do aprendizado do Darma, pois através delas a ausência de identidades pode ser conhecida. Todas as coisas são o local são o local para o aprendizado do Darma, pois através delas a vacuidade de todas as coisas pode ser entendida. Os três mundos são o local para o aprendizado do Darma, pois não há outro lugar para ir. O rugido do leão destemido é o local para o aprendizado do Darma. Conhecer todas as coisas em um pensamento através da onisciência é o local para o aprendizado do Darma. Se um bodisatva cultivar o caminho desta forma e guiar os outros, então, todas as suas ações, mesmo uma ação como levantar ou abaixar sua perna, serão o local para o aprendizado do Darma.’ Quando Vimalakirti terminou seu discurso, 500 deuses decidiram seguir o caminho. É por isto que não sou capaz de visitá- lo.” Quando o Honrado pelo Mundo apontou o bodisatva Jagatimdhara, este também declinou. Quando indicou o bodisatva Sudatta, filho de um homem abastado, Sudatta recusou. Assim, todos estes bodisatva se recusaram a aceitar a missão de visitar o enfermo Vimalakirti. O Buda apontou o bodisatva Manjushri e Manjushri respondeu: “Honrado pelo Mundo, Vimalakirti aperfeiçoou o Darma completamente. Ele possui sabedoria desobstruída e sabe como expor e praticar o Darma. Eu não sou qualificado para competir com ele, mas visto que este é o desejo do Honrado pelo Mundo, eu irei até lá para visitá-lo.” Muitas pessoas, incluindo o bodisatvas e discípulos, acompanharam Manjushri até Vaisali. Vimalakirti estava deitado aguardando Manjushri, que lhe perguntou: “Qual é a causa de sua doença e quanto tempo ela irá durar?” Vimalakirti respondeu: “Da Ignorância surge o apego. Minha doença começou aí. Estou doente porque todos estão doentes. Se eles não estiverem mais doentes, minha doença também não mais existirá. Pois um bodisatva vem para este mundo de delusão pelo bem das pessoas. Os pais ficam doentes quando suas crianças estão doentes; eles ficam bem quando seus filhos estão bem.” Manjushri perguntou: “Qual é a causa de sua doença?” Vimalakirti respondeu: “A doença de um bodisatva é causada pela grande compaixão.” Manjushri perguntou: “É a sua mente ou o seu corpo que está doente?” Vimalakirti respondeu: “Eu não faço parte do corpo, portanto meu corpo não está doente. Eu sei que a mente é como uma ilusão, portanto a mente não está doente. Apenas porque as pessoas estão doentes eu também estou doente.” Então, Manjushri perguntou: “Como as pessoas doentes deveriam controlar suas mentes?” Vimalakirti respondeu: “As pessoas doentes deveriam pensar desta forma: ‘Esta doença foi causada pelo veneno da negatividade, e ela não possui qualquer entidade substancial.’” Manjushri perguntou: “Como um bodisatva vê as pessoas?” Vimalakirti respondeu: “Ele vê as pessoas como ilusões criadas por um mágico, ou como a lua refletida na superfície da água, ou como a imagem em um espelho, ou como ondas de calor tremulantes, ou como nuvens flutuando no céu, ou como bolhas na água, ou como a luz de um relâmpago, ou como traços da trajetória das aves voadoras, ou como filhos de uma mulher estéril, ou sonhos após o despertar.” Manjushri perguntou: “Se um bodisatva vê as pessoas com tal sabedoria, como é possível ter compaixão por elas?” Vimalakirti respondeu: “Um bodisatva, ao entender que as pessoas são assim, desenvolve verdadeira compaixão.

Com serenidade, livre de negatividades, e uma compaixão tão ilimitada como a vastidão dos céus, puro e calmo, ele guia as pessoas para alcançarem a paz mental.” Manjushri seguiu perguntando: “O que são a bondade e o júbilo?” Vimalakirti respondeu: “Compartilhar os méritos alcançados com todos os seres é a bondade, e encontrar alegria na generosidade é o júbilo.” Majushri perguntou: “Onde deveriam se apoiar aqueles bodisatvas que são temerosos de nascimento e morte?” A resposta de Vimalakirti foi: “Eles deveriam se apoiar no poder meritório do Buda.” Manjushri perguntou: “O que deve ser feito para se apoiar no poder meritório do Buda?” Vimalakirti respondeu: “Deve-se ajudar todos os seres a alcançar a liberação.” Majushri: “Para salvar os outros, o que deve ser eliminado?” Vimalakirti: “Faça-os se livrarem de suas negatividades.” Majushri perguntou: “O que eles deveriam fazer para se livrar de suas negatividades?” Vimalakirti respondeu: “Faça-os repousarem na atenção mental correta.” Manjushri quis saber: “Como guiá-los à atenção mental correta?” Vimalakirti disse: “Faça-os compreender que todas as coisas não nascem e não morrem.” Majushri perguntou: “O que é que não nasce e não morre?” Vimalakirti: “A maldade não nasce e a bondade não morre.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz do corpo?” Vimalakirti: “A cobiça.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da cobiça?” Vimalakirti: “A discriminação.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da discriminação?” Vimalakirti respondeu: “A visão pervertida.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da visão pervertida?” Vimalakirti respondeu: “Ela surge daquilo que não possui uma natureza fixa.” Manjushri perguntou: “De onde vem aquilo que não possui uma natureza fixa?” Vimalakirti: “Visto que aquilo que não possui uma natureza fixa não permanece em lugar algum, é chamado de ausência de base. A ausência de base não possui uma raiz. Todas as coisas surgem desta ausência de base.” Majushri perguntou a Vimalakirti: “Como um bodisatva alcança o caminho do Buda?” Vimalakirti disse: “É fazendo coisas que o desviam do caminho que ele o alcança. Mesmo caindo nos infernos por ter cometido atos atrozes, ele não apresenta qualquer agonia. Ao entrar no reino dos animais ele não tem ignorância alguma. Ao cair no reino dos demônios famintos, méritos são acumulados. Mesmo quando parece ser ganancioso, ele está livre de apego. Mesmo demonstrando raiva, ele controla sua mente. Ainda que demonstre parcimônia, ele abre mão de tudo, inclusive da própria vida. Aparentemente violando os preceitos, ele é cuidadoso para não cometer a maior negatividade. Mesmo parecendo bajulador, ele utiliza meios hábeis de acordo com o Darma. Apesar de parecer arrogante, ele é realmente humilde. Se aparentemente segue caminhos maléficos, ele vive em harmonia com a sabedoria do Buda. Apesar de viver na abundância, reconhece a impermanência, não caindo na indulgência. Mesmo possuindo uma esposa, está livre da luxúria. Mesmo levando uma vida negativa, está guiando os outros para uma vida positiva. Ao apresentar a entrada do nirvana, ele não está se excluindo do estado de nascimento e morte. Manjushri, ao fazer estas coisas que vão contra o caminho, realizará o caminho do Buda.” Manjushri lançou a questão: “Qual é a semente que permite que alguém se torne um Buda?” Vimalakirti respondeu assim: “Todas as visões errôneas dos outros ensinamentos e todas as negatividades são sementes para um Buda; aqueles que acreditam que o nirvana é independente das negatividades não podem alcançar o caminho do Buda. O lótus não cresce em planícies elevadas, mas floresce na água lodosa. Igualmente, o Darma do Buda é gerado ao viver em meio às negatividades. Além do mais, sementes não crescerão quando plantadas no céu; plantadas na sujeira e no esterco elas brotam vigorosamente. Da mesma forma, aqueles que imergem completamente no nirvana não-criado não podem produzir o Darma. Ao contrário, aqueles que chegam com egos grandes como montanhas são exatamente os que despertam a mente que aspira ao caminho e que são capazes de produzir o Darma. Isto é, todas as negatividades são sementes para alcançar o estado búdico. A não ser que se mergulhe profundamente até o fundo do mar, não será possível obter as gemas inestimáveis. Igualmente, sem navegar pelo oceano das negatividades não será possível obter a gema da onisciência.” Vimalakirti perguntou então a todos os bodisatvas: “Como alguém pode acessar a porta para o Darma da não-dualidade? Que cada um de vocês me diga seus pensamentos sobre isto.” O bodisatva Dharmavikurvana foi o primeiro a responder: “Eu obtive acesso à porta para a não-dualidade compreendendo que não há diferença entre o nascimento e a morte de todas as coisas. Uma vez que não há nascimento, não há morte.” Quando todos os bodisatvas tinham se expressado, Manjushri foi inquirido a respeito e disse: “Na minha visão, em relação a todas as coisas, não pode haver palavra, conceito ou conhecimento. A porta para o Darma da não-dualidade está além de todas as palavras e pensamentos.” Finalmente, Manjushri perguntou a Vimalakirti sobre seu entendimento da não-dualidade, mas Vimalakirti ficou em silêncio e não pronunciou uma única palavra. Manjushri o louvou, dizendo: “Ótimo. Quando letras e palavras não mais existem, esta é a entrada para a porta do Darma da não-dualidade.” Assim, todos os bodisatvas acessaram esta porta e chegaram à firme convicção de que não há nascimento ou morte.

[Fonte: Budadarma, o Caminho para a Iluminação. Traduzido para o português por Marcelo Nicolodi. Revisão final de José Fonseca.] [Nota adicional: O Sutra de Vimalakirti é composto de 14 capítulos, na tradução chinesa.O presente fragmento representa o conteúdo (editado) dos capítulos III, IV, V e IX)

Livro Ser Bom, ética budista para o dia a dia

Ser Bom - Hsing Yun
  • AUTOR Mestre Hsing Yun
  • ILUSTRADOR
  • COLEÇÃO Budismo
  • ISBN 9789898873040
  • PVP 14,99 € (IVA incluído)
  • preço fixo até fim de dezembro de 2018
  • 1ª EDIÇÃO julho de 2017
  • PÁGINAS 208
  • DIMENSÕES 150 x 230 x 14 mm

 

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. É autor de vários livros, como Budismo Puro e Simples (Zéfiro, 2014), Budismo: Significados Profundos (Zéfiro, 2012) ou Conceitos Fundamentais do Budismo (Zéfiro, 2010).

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia é a sua estreia na Nascente.

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt