5 de Agosto – DOIS POEMAS SOBRE A ALEGRIA DO CHAN

Ao sentar-nos simplesmente no genuflexório,

a mente progride já no seu Caminho,

Sendo digna de se deleitar

na fragrância refrescante do lótus;

Apesar de existirem oitenta e quatro

mil maneiras distintas,

Quem é que pode saber que o Ocidente*

está imediatamente na nossa mente.

Uma casa pura e maravilhosa é suficiente para se tornar um lar do Chan,

Porquê gastar do teu ouro para comprar montanhas?

Desde que a mente seja tão brilhante como a lua cheia,

O seu ocupante será mais liberto que um monge que abdicou.

4 de Agosto – SUTRA DE ABERTURA DO GATHA

Este Dharma profundo, maravilhoso e inigualável,

Que é difícil encontrar em inúmeros kalpas;

Agora que o vejo, ouço e sou capaz de o cumprir,

Faço o voto de alcançar os verdadeiros ensinamentos de Tathagata.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

3 de Agosto – CAMINHO DO MEIO

Todos os dharmas que surgem das causas e condições,

Eu digo que são vazios.

Também são nomes provisórios,

E também são o Caminho do Meio.

— retirado de Tratado Sobre o Caminho do Meio

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

2 de Agosto – SEIS PONTOS PARA UMA HARMONIA REVERENTE

Para alcançar uma harmonia física ao viver em comunhão:

Vive de uma forma feliz sem infringir os direitos dos outros.

Para alcançar uma harmonia verbal ao evitar as disputas:

Profere palavras amáveis e carinhosas sem discutir com os outros.

Para alcançar uma harmonia mental ao partilhar a felicidade:

Estende os teus desejos ao partilhar o mesmo caminho espiritual.

Para alcançar uma harmonia moral ao partilhar os mesmos preceitos:

Todos são iguais perante a lei.

Para alcançar uma harmonia das visões ao partilhar o mesmo entendimento:

Estabelecer pontos comuns de compreensão para unificar as diferentes perspetivas.

Para estabelecer a harmonia económica ao partilhar as coisas com equidade:

Ter uma distribuição equilibrada de benefícios.

— retirado de Registo de Ensinamentos Sobre o Budismo Humanista 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

1 de Agosto – INCENSO AROMÁTICO E ENVOLVENTE

A influência das pessoas desagradáveis assemelha-se à presença de um odor: perdes-te gradualmente conforme te habituas à sua nocividade. Sem nos aperceber, também nos tornamos desagradáveis.

A influência das pessoas eminentes assemelha-se à presença de um incenso aromático: a tua sabedoria progride gradualmente conforme te habitas à sua salubridade. Também te tornas limpo e fragrante gradualmente.

— retirado de Dharmapada

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

30 de Junho – CANÇÃO PARA O DESPERTAR DO MUNDO

Poeira vermelha e ondas brancas, vastas e ilimitadas;

A paciência e a gentileza são bons hábitos.

Em todo o lado, seguimos as condições

à medida que os anos e os meses passam;

Passamos o tempo da nossa vida inteira com contentamento.

Não deixes a mente ser ignorante,

Nunca deixes que os defeitos dos outros se saibam.

Sê prudente ao lidar com os outros e não te arrependas;

Trabalha com paciência e sê flexível.

A corda de um arco rígido quebrar-se-á sempre primeiro,

Cada olhar sobre uma espada de aço prevê uma ferida.

A língua agitada chama o desastre,

Um coração maléfico é a causa das transgressões.

Não é necessário discutir se eu e tu estamos certos ou errados,

E que necessidade há para os debates sobre os prós e contras?

Desde há muito que este mundo tem imensos defeitos;

Como pode este corpo ilusório estar isento da impermanência?

Perder ocasionalmente não te fará dano,

Não há mal em ceder um pouco.

Só na Primavera é que os salgueiros são verdes,

Na brisa de Outono, os crisântemos são amarelos.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

29 de Junho – MEMÓRIAS DE JIANGNAN

Depois de muitos anos,

Outra despedida é algo de relutante.

Enquanto procuramos o antigo mosteiro

neste pagode cercado pela chuva nebulosa,

Fazemos votos majestosos

para experiênciar muitos mais kalpas,

Para testemunhar as nuvens do Dharma

que permeiam os três mil planos.

Ao encontrar-nos novamente em Jinglin,

Uma chuva de flores

enche a barragem do Rio Qinhuai.

Ao dar à costa dispensamos a distinção

entre o eu e o outro,

Mais vale tornar-nos

Iluminados aqui e agora,

E tornar-nos companheiros

que esperam com fervor encontrar-se novamente.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

28 de Junho – CONSELHO PARA A TEMPERANÇA

A dedicação e a preguiça existem no instante;

A ascensão e a queda de uma família também se determina da mesma maneira.

A concretização de todas as coisas é graças ao zelo,

Quando é que viram um homem ocioso a ter sucesso?

Os dias de juventude são os mais preciosos

Pois é nesta altura que as boas causas para o sucesso são fundadas.

Contudo, muitos se esquecem de estimar estes tempos preciosos da vida.

Não há tempo a perder com os assuntos mundanos!

Levanta-te cedo pela madrugada,

Que os afazeres de casa são bastante penosos.

Olha para aqueles filhos dispendiosos,

Muitos seriam preguiçosos e dorminhocos gananciosos.

Levar a vida com temperança é a coisa mais nobre,

Não atires as tuas riquezas para as ondas!

Tem sempre consciência da falta de recursos de hoje,

Para que não tenhas que ouvir os choros de desespero mais tarde na vida.

Durante anos, lidamos com assuntos e providenciamos para a nossa família,

Devemos ter sempre planos cautelosos para o futuro.

Preparar-te para a pobreza em tempos de prosperidade,

Não esperes até que a pobreza chegue para começar a pensar na temperança.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

27 de Junho – NOSTALGIA

Quando eu era um rapaz

A nostalgia era um pequeno selo

Eu estava nesta ponta

E a minha mãe na outra

Quando eu cresci

A nostalgia era um bilhete de um barco a vapor

Eu estava nesta ponta

E a minha noiva na outra

Anos mais tarde

A nostalgia era uma sepultura pequena

Eu estava deste lado

E a minha mãe estava do outro

E agora

A nostalgia é um estreito raso

E estou nesta margem

E o continente está na outra

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

26 de Junho – CANÇÃO DOS DEZ MILHARES DE “VAZIOS” 

Vindo do Sul, dirigindo-se para o Norte,

caminhando de Oeste, indo para Leste,

Encarando sempre esta vida transitória

como algo inerentemente vazio.

O Céu é a vacuidade, a terra é a vacuidade,

as nossas vidas, no fundo, são indistintas,

O Sol é a vacuidade, a lua é a vacuidade,

indo e vindo, indo e vindo,

onde está o mérito nisso?

Os campos são a vacuidade, as casas são a vacuidade,

quantos donos é que já tiveram?

A prata é a vacuidade, o ouro é a vacuidade,

será que são nossos depois da morte?

O casamento é a vacuidade, as crianças são a vacuidade,

não encontrando nenhum dos dois

a caminho das Nascentes Amarelas*

O Tripitaka diz que a vacuidade é a forma,

Os textos Prajna dizem que a forma é a vacuidade.

Indo para Oeste na manhã

dirigindo-me para Leste à tarde,

as vidas findam-se como as das abelhas.

Recolhendo centenas de flores,

para a transformação do mel,

no fim, percebendo que os esforços são em vão.

Durante a noite, já perto das doze,

ouvem-se os sons do tambor.

Ao acordar, despercebido,

ao som dos sinos da manhã.

Há que começar de novo – vendo e considerando ponderadamente,

que tudo faz parte de um sonho megalómano.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun