O Yogāchāra

Yogāchāra (sânscrito “prática da “yoga”): Uma importante escola Mahāyāna que surgiu no século IV E.C., vista pelos seus fundadores como um antídoto às dificuldades epistemológicas e soteriológicas inerentes à Madhyamaka mais tardia. A escola é também conhecida como Vijñānavāda (O Caminho da Consciência) aludindo aos seus interesses epistemológicos. O termo citta-mātra (mente apenas) é também, algumas vezes, aplicado a ela. As origens da escola Yogāchāra estão envoltas em mistério, não obstante pesquisas recentes sugerirem que ela teve ligações explicitas com a escola Gandhāra dos Sarvāstivāda – também conhecida como
Sautrāntika ou Mūla– sarvāstivāda – que não aceitava as teorias da literatura Vibhāshā produzida pelo ramo Sarvāstivāda de Caxemira.

Os fundadores da escola eram Maitreyanātha, Asanga e Vasubandhu, cada qual contribuindo com nuances inovadoras, com adições importantes feitas por comentaristas posteriores tais como
Sthiramati e Dharmapalā. A Yogāchāra floresceu na Índia até o século VIII E.C., quando gradualmente se uniu com uma forma modificada da Svātantrika-Madhyamaka, assim combinando os melhores elementos das duas escolas. Outros membros posteriores da Escola Yogāchāra, tais como Dignāga e Dharmakīrti, também fizeram contribuições germinais para o desenvolvimento da lógica (pramāna) budista. A Yogāchāra foi levada à China graças aos
esforços de Paramārtha e Xüan-zang, este sendo responsável pela introdução da interpretação idealista e ontológica do Dharmapalā por intermédio do seu professor Sīlabhadra. A Yogāchāra foi também introduzida e amplamente estudada no Tibete, mas aí, a sua compreensão correcta foi comprometida pelo viés Madhyamaka predominante reflectido na tradicional doxologia tibetana.
O código básico de escrita das teorias da Yogāchāra é o Sandhinirmocana Sūtra com esboços anteriores no Sūtra Dasabhumika e o Sūtra Avatamsaka. Algumas vezes o Sūtra Lankāvatāra é citado erroneamente como um trabalho da Yogāchāra, mas este sincrético texto mais tardio, que combina conceitos do tathāgata-garbha com elementos da teoria da Yogāchāra, não era conhecido pelos fundadores da Yogāchāra e, assim, não deve ser enumerado entre os trabalhos autênticos da escola. Trabalhos atribuídos de forma variada a Maitreyanātha, Asanga e Vasubandhu incluem o Abhidharma-samuccaya, o Dharma-dharmāta-vibhāga, o Madhyanta-
vibhāga-kārikā, o Mahāyāna-samgraha, o Mahāyāna-sūtrālamkāra, o Tri-svabhāva-nirdesa, o Trimsikā, o Vimsatikā e o enciclopédico Yogā-cārabhumi Sāstra.

O pensamento Yogāchāra representa, sem dúvida alguma, a filosofia mais complexa e sofisticada desenvolvida pelo budismo indiano, mas esta riqueza criou consideráveis dificuldades para se
avaliar correctamente as suas doutrinas. Era comum ver a Yogāchāra como uma forma budista de idealismo, devido a uma falta de pesquisa baseada nos autênticos textos Yogāchāra, combinada
com distorções encontradas na literatura de segunda ordem do Tibete e da Ásia Ocidental (literatura essa baseada nas tendências mais tardias da Yogāchāra). Uma nova geração de estudiosos tem mostrado, gradualmente, que essa compreensão é enganadora e inadequada e sugerem que a antiga Yogāchāra é na realidade um sistema epistemológico e não ontológico.
Como sugere o seu nome, as doutrinas e teorias centrais Yogāchāra derivam, particularmente, de experiências de meditação e dizem respeito a dois temas básicos, interconectados: a natureza
da mente e a natureza da experiência. Para explicar todos os aspectos e funções da mente, oito aspectos ou modos de consciência são distinguidos – o ālaya-vijñāna, a mente aflitiva (klista-manas) e as seis tradicionais consciências de visão, audição, olfacto, paladar, tacto e pensamento. Enquanto os seres não iluminados passarem por renascimentos no samsāra, um fluxo de marcas (bīja ou vāsanā), originados de experiências e acções, são implantados nas suas mentes, permanecendo dormentes até que circunstâncias favoráveis ocorram para que eles manifestem
seus conteúdos na forma de um dualismo ilusório, do sujeito experimentador e dos objectos experimentados.
O aspecto da mente envolvida neste processo é o substrato ou a consciência reservatório (ālaya-vijñāna) que, por meio dos efeitos dessas marcas, produz também, de maneira sequencial, modos
adicionais de consciência subjectiva, assim como os seus conteúdos percebidos. Estas são as mentes aflitivas (klista-manas) que geram a ideia de eu (ātman) por meio da sua percepção confusa do ālaya-vijñāna e tingem as Seis Consciências remanescentes com distorções cognitivas e emocionais que predispõe um ser à criação de mais marcas. Desse modo, toda experiência não iluminada é fabricada pelos vários aspectos da mente, na medida em que ela gera um falso eu e projecta objectos ilusórios sobre a realidade.
A natureza ontológica da realidade não é discutida, ainda que fique claro, devido a antigos textos Yogāchāra, que se pensa que os simples objectos (vastu-mātra) que compreendem a realidade
existam independentemente do indivíduo, embora nunca sejam directamente experimentados pelas mentes dualísticas dos não iluminados. A maneira como os seres experimentam o mundo
é mais completamente descrita, em detalhes, por meio da inovadora doutrina Yogāchāra das “três naturezas” (tri-svabhāva): a imaginada (parikalpita), a dependente (paratantra) e as naturezas
consumadas (parinishpanna).

Quando todas as insalubres predisposições implantadas forem eliminadas do ālaya-vijñāna de um indivíduo e o falso dualismo de um eu que percebe e dos objectos percebidos for totalmente
abandonado no momento da iluminação ou nirvāna, uma transformação ocorre, na qual vários aspectos da mente se transformam nas Consciências do Buda (buddha-jñāna) – a ālaya-vijñāna torna-se a Consciência Espelhada; a mente aflitiva torna-se a Consciência da Uniformidade; a consciência de pensamento (mano-vijñāna), a Consciência Investigadora e as restantes consciências de percepção tornam-se a Consciência da Actividade Aperfeiçoada.

Cada uma dessas consciências é uma faceta da iluminação e, ao contrário das consciências comuns, é não conceptualista e não dual, capaz de experienciar a realidade directa e autenticamente.

A escola Yogāchāra também fez grandes contribuições à budologia refinando as teorias que dizem respeito aos Três Corpos (trikāya) e às cinco consciências; para a soteriologia, com o Caminho de Cinco Etapas e para a hermenêutica, com a doutrina das Três Voltas da Roda do Dharma.

Iniciou o grupo de estudos da BLIA em Guimarães

A BLIA tem agora um grupo de estudos também em Guimarães, às terças-feiras, pelas 19h00.

A entrada no grupo de estudos é gratuita, mas caso tenham oportunidade, podem associar-se na BLIA, como auxílio às actividades do Templo e da Associação.

Morada: Av. São Gonçalo, 1512, 4835 – 104 Guimarães

O Budismo Humanista

O Budismo Humanista, como fé, nunca pode ser muito vasto, muito profundo, ou muito considerável, pois incorpora todos os dharmas.

É sobre auto-purificação, auto-gestão e auto-educação.

O propósito da cultivação colectiva é manter o respeito mútuo das condutas de cada um, valores comuns, distribuição equitativa de benefícios, coexistência social harmoniosa, discurso bondoso e compassivo e alegria mental da realização espiritual.

Este conceito de harmonia colectiva, introduzida por Buda, quando estabeleceu a primeira comunidade monástica, é verdadeiramente o que o Budismo Humanista advoga hoje.

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“O meu entendimento sobre Budismo Humanista”, pelo Venerável Mestre Hsing Yun (Traduzido pela Ven. Miao Guang)

Vesak – celebração do aniversário de Buda

Dia 15 de Maio celebraremos o aniversário de Buda no Templo Fo Guang Shan em Lisboa.

A celebração irá iniciar pelas 9h30 tendo depois almoço vegetariano.

Por favor, enviem as inscrições para geralg2@ibps.pt

O banho de buda no templo Zu Lai, no Brasil

Grupo de Estudo “Budismo – Significados Profundos” na União Budista

Grupo de Estudo Semanal
Com Elisa Chuang
Sábados | 15h00
Organização: Associação Internacional Buddha’s Light de Lisboa

Sábados, 15:00 – 16:30 / Data de início: 9 de Abril
Local: União Budista Portuguesa

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Livro: Budismo –Significados Profundos

A fim de promover o Budismo e permitir aos seguidores de Buda cultivar e elevar, através do estudo, da prática, a sua sabedoria, iniciamos um grupo de estudo onde todos poderemos estudar, praticar e trocar ideias.

Desejamos que com esta iniciativa consigamos aplicar os princípios budistas no nosso dia-a-dia, para que a nossa mente desperte e alcance um sublime estado de tranquilidade.

O livro “Significados Profundos” dá-nos uma visão da profundidade penetrante da filosofia Budista. A sua leitura é uma fonte de inspiração e, por si só, remove alguns dos véus que nos obscurecem. A via da Moralidade, da Sabedoria e da Concentração é aqui explanada de forma cativante e inspiradora.

Orientadora: Elisa Chuang – Supervisora da Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa. Tomou refúgio na Joia Triplice desde 1995. Aceitou os 5 preceitos no ano de 1996 e tomou os votos de Bodhisatva em 1999. Tem estudado e praticado o Budismo Humanista, com os mestres do Mosteiro Fo Guan Shan, cujo fundador é o Grande Mestre Hsing Yun.

Inscrições: enviar email para inscricoes@uniaobudista.pt

Contribuição: 20 euros mensais ou donativo por sessão. Uma real indisponibilidade financeira não é impeditiva à participação na atividade.

Nianfo – repetir o nome de Buda de mente e coração

No dia 13 de Dezembro, 2015, tivemos a prática de nianfo, a repetição do nome de Buda, segundo a Mestre Miao Yen, deve ser feita de mente e coração. Se não nos for possível manter uma mente vazia, então que esteja preenchida de bons pensamentos ao longo da repetição.

無阿彌陀佛

Namo Amituofo

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Introdução ao Dhammapada

No dia 3 de Dezembro tivemos uma aula de reflexão à introdução do Dhammapada. Este é uma colectânea de discursos de Buda e faz parte do canon em Pali, do Budismo Theravada. A tradução literal é algo como  o caminho da sabedoria de Buda e é composto por vinte e seis capítulos.

1. A mente antecede todos os estados mentais. A mente é o seu criador, pois são todos forjados pela mente. Se uma pessoa fala ou age com uma mente impura, o sofrimento segue-a como a roda que segue o pé do boi.

21. A diligência é o caminho para a imortalidade. A negligência é o caminho para a morte. Os conscientes não morrem. Os inconscientes são como se já estivessem mortos.

40. Percebendo que este corpo é tão frágil como um vaso de barro, e fortalecendo esta mente como uma cidade bem fortificada, combate Mara com a espada da sabedoria. Depois preservando a conquista, mantém-te em desapego.

60. Longa é a noite para aquele que não dorme; longa é a lé- gua para o fatigado. Longa é a existência mundana para os tolos que não conhecem a Verdade Sublime.

100. Melhor do que mil palavras inúteis é uma palavra útil, com a escuta da qual, se alcança a paz.

145. Os construtores de canais regulam as águas, os arqueiros endireitam os eixos das flechas, os carpinteiros dão forma à madeira, e os bons dominam-se a si próprios.

197. Felizes vivemos, na realidade, amistosos entre as pessoas hostis. Vivemos livres de ódio no meio de pessoas hostis.

273. O Caminho Óctuplo é o melhor de todos os caminhos; as Quatro Nobres Verdades são as melhores de todas as verdades; a melhor de todas as coisas é ser desapaixonado: dos homens o melhor é Aquele que Vê (o Buddha).

334. O anseio de uma pessoa que vive descuidada cresce como uma trepadeira. Tal como o macaco buscando frutas na floresta, essa pessoa pula de vida em vida (provando o fruto do seu kamma).

390. Nada é melhor para um homem santo do que refrear a mente das suas tendências. À medida que a intenção de fazer o mal desaparece, também o sofrimento desaparece.

Poderão ler aqui o PDF do Dhammapada.

Os Budas e Bodhisattvas pela Ven. Mestre Miao Yen

Dia 3 de Novembro, a Ven. Mestre Miao Yen deu uma palestra ao grupo de estudo da BLIA Lisboa sobre os Budas e Bodhisattvas, mostrando também o caminho para a compaixão e a compreensão dos diversos níveis da prática. Mais que ler e escrever, devemos praticar e é por isso mesmo que é chamado Budismo Humanista na Fo Guang Shan.

Os bodhisattvas que estivemos a estudar foram:

  • Guānyīn Púsà
  • Dìzàng Púsà
  • Wén Shū Púsà
  • Pǔxián Púsà

Além do Buda Histórico e do Buda Maitreya.

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Bodhisattva e voluntário

Este foi um discurso proferido pelo Venerável Mestre Hsing Yun na 12ª Conferência Geral BLIA Fo Guang Shan, em Taiwan, Outubro 4-8 de 2008.

Vice-presidentes, Supervisores, Administração, Supervisores de secção, Presidentes, Distintos Convidados, Membros BLIA, cumprimentos a todos vocês!

A BLIA é uma organização global cujos membros em todos os cinco continentes trabalham localmente para promover a associação. Como membros, reúnem-se na 12ª Conferência Geral da BLIA desde a sua criação há dezessete anos. Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para dizer “Obrigado pelo vosso trabalho árduo!”

O século 21 é uma época de avanço tecnológico. As tecnologias da informação, medicina, bioquímica e de aviação têm empurrado pessoas para a frente em um ritmo tremendo. No entanto, um feito ainda maior da humanidade é os voluntários encontrados em todo o globo. Eles dedicam-se a ajudar as pessoas e beneficiam a sociedade em diferentes cantos do mundo. Eles trazem o calor, bondade e beleza à sociedade e adicionam uma variedade de luz e esperança para este mundo. Para mostrar o lado bom da natureza humana é de fato a maior conquista de todas.

Falando de voluntários, o Buda foi de fato o primeiro voluntário. Depois de atingir a iluminação, ele viajou ao redor da Índia e ensinou o Dharma por cinquenta anos para ajudar a trazer a mente humana a um estado mais elevado de ser. Ele também fez remédios e coseu roupa para os seus discípulos; assim, serviu como voluntário para os seres sencientes. O Buda serviu os seres sencientes por sua própria iniciativa e sem qualquer remuneração. Ele não exigiu aos outros para o seguirem, e até mesmo inspirou muitos bodhisattvas e monges eminentes a também voluntariarem-se para as pessoas. Assim como o Buda disse: “Eu aro o campo de mérito com a minha compaixão e sabedoria, e semeio as sementes da sabedoria Bodhi neste campo.” O Buda era um voluntário para os seres sencientes, e ele permitiu-lhes a colheita deste campo de mérito. Em virtude de Buda, dos esforços diligentes desses bodhisattvas em espalhar as sementes do Dharma e servir os seres sencientes como voluntários, o mundo teve assim as suas trevas dissipadas e ficou cheio de brilho.

Como o tempo passa, as mentes humanas e civilização também continuam a avançar, tornou-se uma tendência para os membros da sociedade oferecerem-se a si mesmos. O trabalho de um voluntário é diferente de um trabalho pago, que trará dinheiro e recompensa. O trabalho voluntário, por outro lado, concentra-se em felicidade, alegria e estabelecimento de boas conexões, o que é bastante diferente da primeira.

A palavra “voluntário” em Taiwan é interpretada com dois caracteres diferentes, yi e zhi, cujos significados são realmente muito distantes um do outro. Yi significa voluntariado-se com sentimento e justiça, uma mente que serve os outros com benevolência e justiça. Zhi, por outro lado, significa fazer algo que você gosta de fora da sua própria vontade, ainda o que esteja a fazer possae não ser necessariamente uma coisa boa. Pode “desejar-se” algo que pode ser bom ou ruim. Um eminente pode querer algo bom, mas um bandido pode também desejar algo que prejudica a sociedade. Wan Jing-wei uma vez tinha dito que alguém pode querer deixar um bom nome para uma centena de gerações ou deixar uma má reputação que será sempre lembrado. Isso mostra, “desejo” para deixar um bom nome para centenas de gerações ou uma má reputação que será lembrado por muito tempo!

A diferença entre yi e zhi pode ser explicada com a diferente entre a sabedoria prajna e conhecimento mundano como explicado nos sutras. Conhecimento pode ser bom ou mau, enquanto inteligência também pode se obstruir a si mesma às vezes. A ciência, por exemplo, é uma forma de conhecimento que tem as suas vantagens e desvantagens. Sabedoria, por outro lado, é bem puro; é perfeição, melhoria, virtuosa, pura e não contaminada. Portanto, quando dás força a ti mesmo para fazer algo, isso pode não ser sempre algo de bom ou ao servir os outros com justiça certamente irá resultar em algo bom e gentil. Sem justiça, o valor da vida deixará de existir. Portanto, enquanto zhi é uma coisa boa, yi dá um significado ainda mais legítimo ao trabalho voluntário.

Recentemente, tem havido um grande número de pessoas que trabalham em lares de crianças, lares de idosos e hospitais como voluntários. Embora a sua contribuição para fornecer roupas, alimentos e assistência material é de fato uma maneira maravilhosa de dar, a melhor maneira de ser um voluntário é de respeitar as quatro instruções do Buda havia ensinado aos seus discípulos sobre esmolas:
1) não há distinção entre ricos e pobres;
2) não escolher entre alimentos grosseiros ou alimentos delicados;
3) não importa se limpa ou suja;
4) não importa com a quantidade de alimento fornecido. Se um voluntário pode basear-se nestas quatro instruções para servir os seres sencientes com igualdade e ajudá-los a resolver os seus problemas, pode-se, então, ser chamado o voluntário mais sábio.

Apesar de tudo isso, alguns ainda têm atitudes incorretas em relação ao trabalho voluntário, e têm causado apenas mais obstáculos para o estabelecimento de boas causas e condições. Tome budistas, por exemplo, alguns vão para ajudar nos templos mas quando chega a hora da refeição, eles recusam-se a ficar para comer, porque eles sentem que eles estão a tirar proveito do templo, o que fará com que os seus méritos diminuam. No entanto, o budismo defende a igualdade entre o doador e o receptor. Se alguém faz uma oferenda de comida, ele ou ela está ainda obrigado a pagar o respeito àqueles que aceitam a oferta, porque o doador também precisa ser gratos aos receptores para darem-lhe uma chance de semear as sementes de mérito. Assim, cada pedaço da sua dedicação merece uma parte das ofertas feitas pelos devotos.

Além disso, alguns também acreditam que é errado obter um emprego pago nos templos budistas ou na organização, porque uma vez que eles aceitam dinheiro do templo, os seus méritos também desaparecerão. Devido a essa idéia, muitas pessoas têm sido incapazes de contribuir para o budismo. Mesmo bodhisattvas precisam aceitar as ofertas das pessoas. Até bois e cavalos precisam que seja dada água e comida para puxar as carroças. Portanto, mesmo se alguém está a fazer trabalho remunerado para o budismo, eles ainda são considerados voluntários. Desde que não se preocupe com a recompensa de pagamento, mas sim servir e ajudar as pessoas, os seus méritos não serão esquecidos.

Eu também ouvi muitos budistas bem-sucedidos dizer, “Eu irei ao templo para ser voluntário depois de me aposentar.” No entanto, se está realmente disposto a servir os outros, não precisa esperar até à reforma. Ele já pode fazer um desejo de ser um bodhisattva que nunca recua ou pára neste exato momento. É muito difícil renascer como um ser humano e mesmo se já tem a chance de ser um ser humano novamente tal pode ser ainda mais escasso. A vida não seria mais significativa se pudessemos agarrar todo presente minuto e segundo para estabelecer boas ligações de amplas e longas? Portanto, não precisamos esperar para sermos voluntários no futuro; a prática de bodhisattva pode ser realizada no aqui e agora através do nosso espírito de voluntário. Nós já podemos beneficiar e trazer alegria para os seres sencientes através das nossas práticas das Quatro Virtudes e Seis Paramitas.

Durante muito tempo, os membros da Blia envolveram-se em esforços mundanos com idéias que transcendem o mundo. Eles têm demonstrado cuidado altruísta para com as outras pessoas, para a sociedade e para a Terra com amor incondicional e compaixão imparcial. Eles têm até mesmo jurado propagar o budismo e tornar o mundano numa Terra Pura humanista. Assim, eles realmente merecem ser chamados de “voluntários dos voluntários.” Um verdadeiro voluntário segue o espírito dos bodhisattvas que são compassivos para com todos os seres e beneficiá-los com imparcialidade. Por esta razão, não só os seres sencientes em dificuldades no mundo Saha precisam de bodhisattvas para libertá-los do sofrimento, eles também estão na extrema necessidade dos voluntários que trazem à luz o espírito do caminho do bodhisattva através de suas ações.

Por tudo dito acima, eu gostaria de partilhar os seguintes pontos no discurso deste ano, “Bodhisattva e Voluntariado”: Um Bodhisattva é um voluntário para os seres sencientes, enquanto um voluntário é um Bodhisattva para o mundo como se disse num sutra “Se deseja se tornar um dragão ou elefante do budismo, deve primeiro aprender a servir os seres sencientes como o cavalo e o boi.” Esta é uma demonstração de bom coração de um bodhisattva e os votos de compaixão. Portanto, chama-se bodhisattva àquele que está disposto a beneficiar os seres sencientes e aspira a iniciar a bodhicitta que promete “chegar para cima para o estado de Buda, e recuar para entregar os seres sencientes”, como resultado de tornar-se desperto para as verdades do sofrimento, o vazio e a impermanência. Se monásticos ou leigos, nobres ou pobres, qualquer um que se encaixa nos critérios acima e pode ser chamado de bodhisattva. Por outro lado, uma vez que uma pessoa se comprometeu a desenvolver o bodhicitta e está disposto a praticar o caminho do bodhisattva, ele ou ela será, certamente, disposto a servir os outros e a ser um voluntário para todos os seres sencientes.

Os Quatro Grandes Bodhisattvas do budismo serviram como voluntários a todos os seres sencientes. Por exemplo, Avalokitesvara Bodhisattva escutou os sons dos gritos, aliviando os aflitos, ajudando-os a tornarem-se destemidos; Assim, ele foi o voluntário mais compassivo de todos. Manjusri Bodhisattva inspirou as mentes dos seres sencientes com sabedoria; assim, ele era o mais sábio de todos os voluntários. Ksitigarbha Bodhisattva prometeu “nunca atingir o estado de Buda até que todos os seres sejam libertados do inferno” e “para atrasar a realização da sua iluminação até que todos os seres sencientes sejam libertos;” assim, ele era o voluntário com a maior aspiração. Samantabadhra Bodhisattva percebeu os seus dez votos com base em seres sencientes, como uma prática de cultivo para todos; Assim, ele foi o voluntário com a maior prática ascética. Outros mestres budistas, elevados, também dedicaram as suas vidas à manutenção da sabedoria e da propagação do Dharma de Buda. Por exemplo, Nagarjuna escreveu vários sastras e comentários para propagar o Budismo Mahayana; Aryadeva refutou opiniões falsas e revelou o Dharma justo; Asanga mudou o seu irmão que, como ele, passou do veículo pequeno para o maior veículo; Vasubandhu conquistou os hereges com seus escritos em lugar de uma espada; e Asvagosha expressou a verdade com os seus poemas e canções. A sua devoção abnegada ao voluntariado para libertar os seres sencientes também trouxe um raio de esperança para este mundo, e dissipou a sua escuridão.

Os discípulos de Buda, como Shariputra, Maudgalyayana e Purna ofereceram a sua sabedoria, poder sobrenatural e eloquência para ajudar o Buda expor os seus ensinamentos. Aniruddha não tinha medo das condições atmosféricas adversas e viajou para lugares para resolver disputas e arbitrar monásticos. Bhiksu Tuo-piao recebeu e atendeu monásticos por décadas, e recebeu um dedo iluminado como resultado de seus trabalhos voluntários.

Se alguém olhar para os textos budistas, vai achar que muitos Mestres Ch’an tinham prometido dedicar todas as suas vidas para servir os seres sencientes. Por exemplo, o Mestre Ch’an Wei-shan Ling-yu prometeu para renascer como um touro para que ele possa ajudar as pessoas a puxar os seus carros; Chao-chou prometeu renascer no inferno para que possa salvar os seres sencientes a partir dele. Alguns também dedicaram toda a sua vida ao trabalho e prática ascética, sem qualquer arrependimento. Mestre Ch’an Xue Feng serviu como chefe a cozinhar arroz sob o seu mestre Dong-shan; Mestre Ch’an Xiao-cong serviu como chefe de luzes e velas sob o seu mestre Yun-ju; Mestre Ch’an Ji-shan serviu como chefe de lenha sob o seu mestre Tou-zi; Mestre Ch’an Yi-huai serviu como chefe de limpeza de latrinas sob o seu mestre Cui-feng; Mestre Dao-yuan serviu na cozinha no templo Tian Tong sessenta anos, e até mesmo dispôs cogumelos sob o sol escaldante para secá-los. Tais espíritos desejando apenas a libertação dos seres sencientes, não para o seu conforto e felicidade é uma demonstração perfeita de um voluntário bodhisattva.

Ao longo de muitas gerações de budistas, muitos monges amplamente praticam ações benevolentes e fazem grandes contribuições para o bem-estar social. Seja construindo pontes e pavimentação de estradas, o plantio de árvores e arborização, cavando poços, criando pavilhões que servirem chá, protegerem e libertarem a vida, fornecendo tratamento médico para os pobres, ajudas de emergência, construção de templos e oferecendo abrigos, estabelecendo orfanatos e lares de idosos, criação de hospitais, dando caridade, criação de escolas livres, ou ensinar a fé correta e verdadeira, eles têm feito inúmeras boas ações em benefício da sua comunidade. Eles tinham uma crença inabalável no fato de que no trabalho se alargam os horizontes, servir as pessoas, e até mesmo trazer o valor da vida a um plano mais alto. Portanto, o que mais pode ser melhor do que um voluntário oferecer o seu trabalho e dedicação? Não foram só os bodhisattvas e monges felizes em ser voluntários para os seres sencientes, muitos governadores e reis também o fizeram mesmo durante todo o curso da história budista.

Magadha Asoka III configurou armazenamentos médicos em todas as quatro portas da cidade para o seu povo e monges. Todos os dias, ele iria fazer oferendas de mil unidades de dinheiro para a construção de stupas e estátuas, de mil para bhiksus séniores, dez mil à comunidade monástica, e dez mil para a compra de medicamentos. Ele também plantou árvores nas laterais das estradas e escavou poços para que os viajantes tivessem um lugar para se recuperar do tempo quente. Como governante de uma nação, o rei Asoka serviu o seu povo como um voluntário e permitiu-lhes uma vida estável e pacífica, permitindo também a sua nação a prosperar.

O Pai do budismo japonês, o príncipe Shotoku incentivou o seu povo a ter fé na Jóia Tríplice. Em Shitennoji, Osaka, construído por ele, ele incluiu tribunais, como o Hiden-in, Kyoden-in, Ryobyo-in, e Seyaku-in para fornecer gratuitamente consulta médica, abrigo e alívio de doença para os pobres e necessitados.

Imperador Liang da dinastia Sul e do Norte chinês era um budista devoto. Ele não só estudar o budismo e intensamente observado o Bodhisattva Preceitos, ele mesmo servido no Tong Tai Temple em três ocasiões separadas, apesar de sua posição nobre como um imperador. Assim, ele foi dado o título, “um imperador bodhisattva.” A partir disso, podemos ver que apenas contanto que alguém possui o espírito bodhisattva e está disposto a servir os outros, pode ser nomeado um rei bodhisattva, ou até mesmo um ministro bodhisattva, médico bodhisattva, ou professor bodhisattva. Bombeiros voluntários e policiais também são manifestações do bodhisattva.

Eu costumava insistir que “todos devem ser um polícia”, para que eles possam ajudar a polícia a manter a ordem numa sociedade que transborda com caos e problemas. A melhor maneira para uma nação ou sociedade melhorar é que todos possam ser um policia. A polícia é como um guardião que também mostra o espírito bodhisattva. Portanto, não são apenas necessárias a compaixão e a iniciativa para a prática do caminho do bodhisattva, também é preciso fazê-lo com atuação efetiva e bravura.

O BLIA é uma organização que se esforça para perceber o caminho do bodhisattva e praticar o caminho do Buda. Desde a sua criação, não só os nossos membros ofereceram os seus serviços nos templos, ajudando na cozinha, atendendo chamadas telefónicas, recebendo convidados, orientando o trânsito, varrer e limpar, fazer a papelada, edição no computador, design cartaz, e publicidade e contactos, eles também oferecem-se em serviço social em diferentes estratos sociais.

Recentemente, as boas ações da BLIA foram relatados regularmente pelos meios de comunicação; por exemplo, os “Mums Loving” que ajudam crianças em idade escolar atravessar a estrada foram muito apreciados pelos pais; os voluntários em hospitais que ajudam pacientes a registar-se têm assistido inúmeras pessoas idosas; a “Equipa Amizade e Serviço do amor” foi para áreas remotas para fornecer consulta médica gratuita e poupou muitas famílias de pressões de ter de pagar o tratamento médico; e o Humanist budist Reading Association espalhou a fragrância de leitura para muitas famílias.

Outras atividades, como plantio de árvores, A Campanha Sete Advertências, Carnaval para Estudantes especial, as atividades de reciclagem de papel, e visitas a prisões e centros de reabilitação de drogas têm sido activamente promovidas por membros Blia e voluntários. Em particular, o comportamento, forma, fala, sacrifício e contribuição demonstrada por membros Blia durante suas atividades voluntárias ganharam muito reconhecimento. Por exemplo, os membros da BLIA, Los Angeles recebeu um pedido especial para dirigirem o tráfego numa reunião das Nações Unidas, realizada em Los Angeles; muitas organizações governamentais também fizeram pedidos para BLIA, Chunghwa para recomendar membros do sexo feminino para ajudar nos seus eventos como voluntários.

Na minha opinião, independentemente do tipo e importância do evento, apenas contando que ele é um benefício para o público, a BLIA tem a obrigação de oferecer-se a si mesma. Também é missão dos membros da Blia serem voluntários que atuam como um fio que liga todos os tipos de boas causas e condições em conjunto e oferecem a sua parte no estabelecimento de uma Terra Pura Humanista. Em geral, ser um voluntário significa a dedicação de toda uma vida; é a oferta de força, tempo e boa vontade. Portanto, um voluntário é um praticante bodhisattva que integra tanto a compreensão e a prática do Dharma. Quando confrontado com uma vida de sofrimento, o vazio e a impermanência, as pessoas normalmente oram a budas e bodhisattvas para abençoá-los em tempos de dificuldades e desesperança. A verdade é que os voluntários do budismo são como o Bodhisattva com mil olhos e mil mãos que servem em nome dos budas e bodhisattvas. Portanto, certamente não há palavras que correspondem plenamente ao elogio de um bodhisattva para dizer “um bodhisattva é um voluntário para os seres sencientes, enquanto um voluntário é um Bodhisattva para o mundo.”