O Buda discursa sobre o Sutra Ullambana

Assim eu ouvi, uma vez, Buda esteve em Sharavarsti, no jardim do benfeitor dos órgãos e dos solitários.

Mahamaudgalyayana recentemente obteve os seis discernimentos e desejou retribuir ao seu pai e mãe falecidos, pela sua bondade em criá-lo.

Assim, ao usar o seu olho interior, ele observou o mundo e viu que a sua mãe falecida renasceu entre os fantasmas famintos, não tendo nem comida nem bebida, ela era apenas pele e ossos.

Mahaudgalyayana sentiu profunda piedade e tristeza, encheu uma taça com comida e tentou ir alimentar a sua mãe. Ela tomou a taça, segurou-a com a mão esquerda e com a direita agarrou um punhado de comida. Mas, antes de a comida entrar na sua boca, tornou-se em pedaços de carvão ardente que não podiam ser comidos.

Mahamaudgalyayana chamou-a e chorou tristemente, indo rapidamente de regresso a Buda para relatar tudo isto.

Buda disse, “as ofensas da tua mãe são profundas e firmemente enraizadas. Tu apenas não tens o poder suficiente. Apesar do teu amor filial mover o céu e a terra, os espíritos do céu, os espíritos da terra, os demónios retorcidos, todos aqueles fora do caminho, Brahmans e os quatro deuses reis celestiais, todos juntos não têm também a força suficiente. O maravilhoso poder espiritual da Sangha reunida das dez direções, é necessária para a libertação ser alcançada.

Eu irei agora falar sobre o dharma da salvação, que mostra as causas de todos aqueles que estão em dificuldades, para abandonarem a preocupação, o sofrimento e para erradicar os obstáculos causados pelas ofensas.

O Buda disse a Maudgalyayana: “O décimo Quinto dia do sétimo mês é o dia Pravarana para a Sangha reunida das dez direções. Pelo bem dos pais e mães de dez gerações passadas, assim como dos pais e mães do presente que estão em perigo, deve ser preparadas oferendas em recipientes límpidos cheios de centenas de aromas, dos cinco frutos e outras oferendas de incense, óleo, lâmpadas, velas, camas e roupas de cama, tudo do melhor do mundo, para a grande e virtuosa Sangha reunida das dez direções. Nesse dia, toda a santa Assembleia, quer nas montanhas onde praticam dhyana samadi, ou obtendo os quatro frutos do caminho, ou caminhando debaixo de árvores, ou usando a independência dos seis discernimentos para ensinar e transformer solidamente os ouvintes e aqueles iluminados pelas condições. Ou provisoriamente manifestando-se como bhikshus quando na verdade são grandes Bodhisattvas no décimo patamar, todos completes em puros preceitos com virtudes como um oceano do caminho santo, devem juntar-se em grande Assembleia e todos os que são semelhantes em mente, recebem a comida pravarana.

Se alguém fizer oferendas a esta Sangha de provarana, o seu pai e mãe, os seus parentes de sete gerações, assim como seis tipos de familiares próximos irão escapar dos três caminhos do sofrimento. E nesse tempo, irão alcançar libertação.

O seu vestuário e alimento irá surgir espontaneamente. Se os pais estiverem vivos, eles irão ter prosperidade e bênçãos por uma centena de anos. Os pais de sete gerações irão renascer nos céus. Ao renascer transformados, irão independentemente entrar na luz da flor celestial e experimentar bênçãos ilimitadas.

Nessa altura, Buda indicou à Sangha reunida das dez direções para recitar mantras e votos pelo bem da família daqueles que doaram, pelos parentes das sete gerações.

Após praticarem a concentração dhyana, eles poderão aceitar a comida. Quando receberem a tigela, coloquem primeiro perante o Buda, na stupa. Quando a sangha reunida terminar os mantras e os votos, então eles devem aceitá-las.

Nesse momento, o bhikshu Maudgalyayana e o grupo de grandes Bodhisattvas, estavam extremamemte deleitados e o som de tristeza do choro de Maudgalyayana, cessou.

Nesse momento, a mãe de Maudgalyayana obteve a libertação de um kalpa de sofrimento como fantasma faminto.

Maudgalyayana dirijiu-se a Buda e disse, “os pais deste discípulo receberam o poder do mérito e virtude da jóia tríplice pelo fantástico poder espiritual desta Sangha reunida.

Se no futuro, os discípulos de Buda praticarem o amor filial ao oferecerem nas bacias de Ullambana, eles serão capazes de fazer passar os seus pais e mais presentes, assim como aqueles das sete gerações passadas?”

O Buda respondeu, “em verdade é bom, estou feliz por ter colocado essa questão. Eu queria mesmo falar sobre tal e agora questionou isso mesmo.

Bom homen, se bhikshus, bhikshunis, reis, princesas da coroa, grandes ministros, grandes oficiais, membros do governo, centenas de oficiais e as dezenas de milhares de cidadãos desejarem praticar compassivamente o amor filial, pelo bem dos seus pais que os criaram, assim como pelo bem dos pais e mães de sete vidas passadas, no décimo quinto dia do sétimo mês, no dia do deleite de Buda, no dia do Pravarana da Sangha, eles devem colocar centenas de sabores de comida nas bacias Ullambana e oferecê-las à Sangha Pravarana das dez direções.

Eles devem fazer voto da causa da longa vida dos pais e mães presentes, de alcançar centenas de anos sem doença, sem sofrimento, aflições ou preocupações e também fazer voto da causa de sete gerações de pais e mães para abandonarem o sofrimento dos fantasmas famintos, para nascerem entre homens e deuses e para terem bênçãos e felicidade sem limite.

 

O Buda disse a todos os bons homens e boas mulheres, “aqueles discípulos de Buda que cultivarem uma conduta filial, devem em pensamento atrás de pensamento, constantemente lembrarem-se dos seus pais e mães presentes, quando estiverem a fazer oferendas, assim como dos pais e mães de sete vidas passadas. Todos os anos, no décimo Quinto dia do sétimo mês, devem sempre, plenos de compaixão filial, lembrarem-se dos seus familiares que os trouxeram à vida e àqueles de sete vidas passadas e pelo seu bem, realizar a oferenda da bacia de Ullambana ao Buda e à Sangha, pagando assim a bondade dos pais que os criaram e nutriram. Todos os discípulos de Buda devem receber, respeitosamente, este dharma”.

 

Nessa altura, o bhikshu Maudgalyayana e os quatro grupos da Assembleia de discípulos, escutando o que Buda disse, praticaram-no em deleite.

 

Fim do discurso de Buda sobre o Sutra Ullambana. Palavras verdadeiras para retribuir a bondade dos pais.

O verdadeiro significado do Amor pelo Ven. Mestre Hsing Yun

O amor tem muitos rostos – egoístas ou incondicionais, contaminados ou puros, finitos ou infinitos e vulgares ou transcendentes. O amor é um instinto. Pode dar-nos força e esperança, mas deve cumprir a moral e a lei para que seja inestimável.
Tudo seria impossível se não houvesse amor. Precisamos de amor para ter amplas afinidades com os outros e um coração de ouro. Deve haver amor entre marido e mulher, pais e filhos e entre amigos. Devemos esforçar-nos para ser como um bodhisattva, que tem bondade e compaixão por todos os seres. Não haveria ordem ou moral se não houvesse amor, porque o amor mantém nossas relações pessoais e estabelece as diferenças entre amigos e famílias.
O amor não é um caminho unidirecional. O verdadeiro amor não é uma possessão, é um sacrifício. Se realmente amamos alguém, devemos ajudá-lo a realizar tudo na vida e desejar-lhe a melhor sorte. No entanto, devemos ter um pouco de discrição com o amor. Deve haver diferenciação entre os objetos do nosso amor. A verdade, a justiça e o bem devem estar no topo da nossa lista, enquanto as mentiras, a injustiça e o mal sempre devem ser excluídos. Devemos também esforçar-nos para ampliar o alcance do nosso amor. Os objetos do nosso amor não devem incluir apenas os nossos entes queridos, mas também o nosso país, o mundo e também a nossa raça que deve estar em paz.
Ao olhar para a sociedade de hoje, vemos poucos exemplos de amor verdadeiro. O que vemos são distorções e abusos do amor. Em vez do amor verdadeiro, há luxúria e ganância. Sem boas causas e condições, o amor pode instigar o crime. Isso pode prejudicar-nos, bem como a outros. Por exemplo, o amor mal colocado entre homens e mulheres pode resultar em adultério ou relacionamentos ilícitos.
Para ter amor duradouro, primeiro devemos cultivar boas causas e condições. Devemos aprender a ter o tipo certo de amor, amor que pode levar ao cumprimento da verdade, da beleza e da bondade. No amor verdadeiro, devemos usar a compaixão para purificar os objetos do nosso amor. No amor verdadeiro, devemos usar a sabedoria para liderar os nossos entes queridos na direção certa. No amor verdadeiro, devemos usar bondade e bondade para ajudar os outros a alcançar seus objetivos. No amor verdadeiro, devemos usar a moral para proteger todo o ser vivo. Como o significado da vida vem do amor, devemos usar aquele amor que é verdadeiro e purificado para dignificar este maravilhoso mundo nosso.

Dia de Prática de Buda Amitabha – 10 de Dezembro

Dia 10 de dezembro, domingo, será dia de prática do Buda Amitabha, um dia de prática em silêncio.
Recitação de sutra Amitabha, nome de Amitabha, meditação nos vários horários, s11:45 a 12:30 cerimónia de oferenda.

Meditação
7:30-8:45,  10:00 – 11:30,  11:45-12:30,  14:30-15:45,  16:15-18:00

Refeições
12:30-13:45 almoço , 18:15-19:00 jantar
Inscrições para geralg2@ibps.pt

Cerimónia do Buda de Medicina no templo de Vila do Conde

No passado dia 14 de Novembro foi realizada a cerimónia do Buda de Medicina no qual também participaram os membros da BLIA em Guimarães, que deixam o seu testemunho:

Eu senti-me bem na cerimónia do Buda da Medicina! Senti-me de mente quase vazia no início e depois fui despertando para um certo desconforto no braço! Essa dor foi passando à medida que cantávamos o mantra! Foi muito bom ter vindo ao templo! Fomos recebidos com muita alegria!
Marta

Foi uma cerimônia de muita paz, ao longo da cerimônia as minhas mãos foram aquecendo e ao mesmo tempo esse calor tornou a minha mente serena. Grato por esta experiência, foi uma alegria ter partilhado estes momentos com todos vós.
Carlos

Sinto sempre uma grande alegria interior quando venho às cerimônias. Mesmo não percebendo o que dizem, sinto-o profundamente no meu coração.
Somos sempre recebidos com muito carinho por todos! Um muito obrigada.
Sílvia

Palestra da Ven. Mestre Juerong sobre o Sutra de Vimalakirti

No dia 20 de Julho realizou-se a aula de Dharma da Ven. Mestre Juerong sobre o Sutra de Vimalakirti, com perto de 100 participantes.

Este sutra fala sobre a atitude de um praticante laico, Vimalakirti, que nos traz lições tão valiosas como o seguinte ditado – “não por comida podre numa tigela de jóias”, o que significa que devemos adequar os ensinamentos a quem está a escutar.

Este é o papel do budista laico, praticar para alcançar uma mente positiva, para depois poder também ensinar e incentivar outros.

O nosso agradecimento às causas e condições que puderam trazer a Ven. Mestre Juerong até Lisboa e a todos os participantes.

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Vimalakirti Nirdesa Sutra – Sutra de Vimalakirti (fragmento)

Certa vez, o Buda disse a Satiputra: “Se você olhar para este mundo com uma mente pura, purificada por meus ensinamentos, você será capaz de ver um mundo brilhante e resplandecente todo o tempo.” Naquela época, vivia em Vaisali um rico homem de nome Vimalakirti. Ele havia satisfeito completamente a mente do Buda e sua brilhante sabedoria iluminava as mentes obscurecidas. Mesmo vivendo uma vida secular, ele não estava apegado às coisas mundanas. Apesar de ter esposa e filhos ele nunca era arrastado pelas paixões humanas e não se afastava do estado de tranqüilidade em isolamento. Ele visitava os lugares de prazer, mas guiava as pessoas desses lugares para os ensinamentos corretos. Quando Vimalakirti, altamente respeitado como o professor de sua era, ficou doente, pessoas de todas as direções vieram visitá-lo. Em seu leito, ele aproveitava as visitas para ensinar o Darma: “Compreendam que seus corpos estão constantemente mudando e perderão o vigor, por mais saudáveis que sejam. Mais cedo ou mais tarde, o corpo será apanhado pela velhice e conduzido à morte. Aqueles que sabem disto não deveriam se apegar ao corpo físico, mas aspirar alcançar o corpo do Buda. O corpo do Buda é o corpo do Darma. Ele nasce de toda bondade, sabedoria e verdade. Vocês, portanto, deveriam aspirar realizar o caminho para a verdadeira iluminação.”

O Buda disse a Sariputra: “Vá visitar Vimalakirti e veja como ele está.” Sariputra respondeu: “Honrado pelo Mundo, eu não sou digno de visitar Vimalakirti. Outro dia, eu estava sentado em meditação, ele veio até mim e disse: ‘Sariputra, sentar-se não é necessariamente a verdadeira meditação. A verdadeira meditação é o estado em que a mente está silenciosa e imóvel, mesmo em meio a várias atividades. É seguir o caminho dos sábios, mesmo vivendo uma vida comum e ordinária. É ouvir diversas doutrinas não-budistas sem se deixar confundir e praticar o caminho para a iluminação. Atingir o nirvana sem cortar as impurezas é a verdadeira meditação’. Como eu não tive resposta diante disto e permaneci em silêncio, não sou qualificado para visitá-lo.”

O Buda pediu a Maudgalyayana que fosse,mas Maudgalyayana disse: “Honrado pelo Mundo, eu também não sou digno de visitar Vimalakirti. Certa vez, eu estava expondo o Darma para um grande número de seguidores e Vimalakirti veio até mim e disse: ‘Você deveria explicar o Darma tal qual ele é. A verdade da talidade é não-discriminatória. Você deveria ensinar o Darma da ausência de impedimentos, sempre mantendo em mente a ideia de retribuir a misericórdia do Buda e a ideia do crescimento contínuo dos Três Tesouros.’ Quando Vimalakirti disse isto, as 800 pessoas que lá se reuniam decidiram seguir o caminho. Visto que não possuo tal habilidade, não posso visitá-lo.” O Buda, então, chamou Mahakasyapa, que respondeu: “Eu também não sou qualificado para visitar Vimalakirti. Algum tempo atrás, quando eu estava mendigando em um pobre vilarejo, ele veio até mim e disse: ‘Mahakasyapa, apesar de você possuir um coração compassivo, você é incapaz de estendê-lo a todos igualmente. Assim, você abandonou os ricos e está esmolando comida em uma vila empobrecida. Você deveria esmolar imparcialmente de casa em casa. Kasyapa, não procure por qualquer diferença nos méritos de donativos recebidos e não pense sobre ganhos ou perdas.’ Honrado pelo Mundo, quando ouvi estas palavras, comecei a ter maior respeito por todos os seguidores do caminho. Não estou em posição de visitar e confortar este grande homem leigo.” O Buda escolheu Subhuti, mas ele também se desculpou. “Certa vez, eu fui até a casa de Vimalakirti para mendigar por comida; ele tomou minha tigela, encheu-a de arroz e me disse: ‘Subhuti, se você sabe que todas as coisas são iguais, então você pode aceitar esta comida. Você pode aceitar estar comida se não estiver perturbado por máculas e se não precisar eliminá-las; se alcançar a sabedoria de estar livre do amor e da luxúria, mesmo estando preso ao amor e à luxúria; e se você não se apegar à discriminação, mesmo vivendo nela.’ Honrado pelo Mundo, eu não sou capaz de visitá-lo e confortá-lo em sua doença.” Em seguida, o Buda chamou Purna, Maha-Katyayana, Aniruddha, Upali, Rahula, Ananda e cada um dos 500 grandes discípulos para que alguém visitasse Vimalakirti. E todos eles expressaram suas próprias razões para declinar deste papel.

O Buda ordenou ao bodisatva Maitreya para fazer a visita e perguntar sobre a sua doença. Mas o bodisatva também declinou e deu seus motivos. O Buda chamou um jovem de nome Prabhavyuha, mas ele igualmente recusou, dizendo: “Honrado pelo Mundo, certa vez, quando eu estava prestes a deixar a cidade de Vaisali, ele estava por lá. Eu lhe perguntei de onde ele vinha, ele respondeu que vinha do local do aprendizado do Darma. Quando perguntei onde ficava o local do aprendizado do Darma, ele disse: ‘A mente correta é o local para o aprendizado do Darma, porque não há falsidade nela. A determinação de praticar é o local para o aprendizado do Darma, porque ela realiza esforços aplicados. A mente profunda é o local para o aprendizado do Darma, porque ela aumenta as virtudes. A mente que segue o caminho é o local para o aprendizado do Darma, porque nela não há erro. As Seis Perfeições da generosidade sem esperar recompensas, observando os preceitos com aspiração, a paciência sem impedimentos para com todos, esforçar-se sem qualquer preguiça, a concentração que controla a mente, e a sabedoria que torna possível enxergar todas as coisas, todas são o local para o aprendizado do Darma.

As quatro mentes incomensuráveis da bondade amorosa que ama a todos igualmente, a compaixão que alivia os sofrimentos dos outros, a alegria com o Darma e com a felicidade dos outros, e a não discriminação entre amor e ódio, são o local para o aprendizado do Darma. As negatividades são o local para o aprendizado do Darma, pois através delas a verdadeira realidade pode ser conhecida. As pessoas são o local do aprendizado do Darma, pois através delas a ausência de identidades pode ser conhecida. Todas as coisas são o local são o local para o aprendizado do Darma, pois através delas a vacuidade de todas as coisas pode ser entendida. Os três mundos são o local para o aprendizado do Darma, pois não há outro lugar para ir. O rugido do leão destemido é o local para o aprendizado do Darma. Conhecer todas as coisas em um pensamento através da onisciência é o local para o aprendizado do Darma. Se um bodisatva cultivar o caminho desta forma e guiar os outros, então, todas as suas ações, mesmo uma ação como levantar ou abaixar sua perna, serão o local para o aprendizado do Darma.’ Quando Vimalakirti terminou seu discurso, 500 deuses decidiram seguir o caminho. É por isto que não sou capaz de visitá- lo.” Quando o Honrado pelo Mundo apontou o bodisatva Jagatimdhara, este também declinou. Quando indicou o bodisatva Sudatta, filho de um homem abastado, Sudatta recusou. Assim, todos estes bodisatva se recusaram a aceitar a missão de visitar o enfermo Vimalakirti. O Buda apontou o bodisatva Manjushri e Manjushri respondeu: “Honrado pelo Mundo, Vimalakirti aperfeiçoou o Darma completamente. Ele possui sabedoria desobstruída e sabe como expor e praticar o Darma. Eu não sou qualificado para competir com ele, mas visto que este é o desejo do Honrado pelo Mundo, eu irei até lá para visitá-lo.” Muitas pessoas, incluindo o bodisatvas e discípulos, acompanharam Manjushri até Vaisali. Vimalakirti estava deitado aguardando Manjushri, que lhe perguntou: “Qual é a causa de sua doença e quanto tempo ela irá durar?” Vimalakirti respondeu: “Da Ignorância surge o apego. Minha doença começou aí. Estou doente porque todos estão doentes. Se eles não estiverem mais doentes, minha doença também não mais existirá. Pois um bodisatva vem para este mundo de delusão pelo bem das pessoas. Os pais ficam doentes quando suas crianças estão doentes; eles ficam bem quando seus filhos estão bem.” Manjushri perguntou: “Qual é a causa de sua doença?” Vimalakirti respondeu: “A doença de um bodisatva é causada pela grande compaixão.” Manjushri perguntou: “É a sua mente ou o seu corpo que está doente?” Vimalakirti respondeu: “Eu não faço parte do corpo, portanto meu corpo não está doente. Eu sei que a mente é como uma ilusão, portanto a mente não está doente. Apenas porque as pessoas estão doentes eu também estou doente.” Então, Manjushri perguntou: “Como as pessoas doentes deveriam controlar suas mentes?” Vimalakirti respondeu: “As pessoas doentes deveriam pensar desta forma: ‘Esta doença foi causada pelo veneno da negatividade, e ela não possui qualquer entidade substancial.’” Manjushri perguntou: “Como um bodisatva vê as pessoas?” Vimalakirti respondeu: “Ele vê as pessoas como ilusões criadas por um mágico, ou como a lua refletida na superfície da água, ou como a imagem em um espelho, ou como ondas de calor tremulantes, ou como nuvens flutuando no céu, ou como bolhas na água, ou como a luz de um relâmpago, ou como traços da trajetória das aves voadoras, ou como filhos de uma mulher estéril, ou sonhos após o despertar.” Manjushri perguntou: “Se um bodisatva vê as pessoas com tal sabedoria, como é possível ter compaixão por elas?” Vimalakirti respondeu: “Um bodisatva, ao entender que as pessoas são assim, desenvolve verdadeira compaixão.

Com serenidade, livre de negatividades, e uma compaixão tão ilimitada como a vastidão dos céus, puro e calmo, ele guia as pessoas para alcançarem a paz mental.” Manjushri seguiu perguntando: “O que são a bondade e o júbilo?” Vimalakirti respondeu: “Compartilhar os méritos alcançados com todos os seres é a bondade, e encontrar alegria na generosidade é o júbilo.” Majushri perguntou: “Onde deveriam se apoiar aqueles bodisatvas que são temerosos de nascimento e morte?” A resposta de Vimalakirti foi: “Eles deveriam se apoiar no poder meritório do Buda.” Manjushri perguntou: “O que deve ser feito para se apoiar no poder meritório do Buda?” Vimalakirti respondeu: “Deve-se ajudar todos os seres a alcançar a liberação.” Majushri: “Para salvar os outros, o que deve ser eliminado?” Vimalakirti: “Faça-os se livrarem de suas negatividades.” Majushri perguntou: “O que eles deveriam fazer para se livrar de suas negatividades?” Vimalakirti respondeu: “Faça-os repousarem na atenção mental correta.” Manjushri quis saber: “Como guiá-los à atenção mental correta?” Vimalakirti disse: “Faça-os compreender que todas as coisas não nascem e não morrem.” Majushri perguntou: “O que é que não nasce e não morre?” Vimalakirti: “A maldade não nasce e a bondade não morre.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz do corpo?” Vimalakirti: “A cobiça.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da cobiça?” Vimalakirti: “A discriminação.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da discriminação?” Vimalakirti respondeu: “A visão pervertida.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da visão pervertida?” Vimalakirti respondeu: “Ela surge daquilo que não possui uma natureza fixa.” Manjushri perguntou: “De onde vem aquilo que não possui uma natureza fixa?” Vimalakirti: “Visto que aquilo que não possui uma natureza fixa não permanece em lugar algum, é chamado de ausência de base. A ausência de base não possui uma raiz. Todas as coisas surgem desta ausência de base.” Majushri perguntou a Vimalakirti: “Como um bodisatva alcança o caminho do Buda?” Vimalakirti disse: “É fazendo coisas que o desviam do caminho que ele o alcança. Mesmo caindo nos infernos por ter cometido atos atrozes, ele não apresenta qualquer agonia. Ao entrar no reino dos animais ele não tem ignorância alguma. Ao cair no reino dos demônios famintos, méritos são acumulados. Mesmo quando parece ser ganancioso, ele está livre de apego. Mesmo demonstrando raiva, ele controla sua mente. Ainda que demonstre parcimônia, ele abre mão de tudo, inclusive da própria vida. Aparentemente violando os preceitos, ele é cuidadoso para não cometer a maior negatividade. Mesmo parecendo bajulador, ele utiliza meios hábeis de acordo com o Darma. Apesar de parecer arrogante, ele é realmente humilde. Se aparentemente segue caminhos maléficos, ele vive em harmonia com a sabedoria do Buda. Apesar de viver na abundância, reconhece a impermanência, não caindo na indulgência. Mesmo possuindo uma esposa, está livre da luxúria. Mesmo levando uma vida negativa, está guiando os outros para uma vida positiva. Ao apresentar a entrada do nirvana, ele não está se excluindo do estado de nascimento e morte. Manjushri, ao fazer estas coisas que vão contra o caminho, realizará o caminho do Buda.” Manjushri lançou a questão: “Qual é a semente que permite que alguém se torne um Buda?” Vimalakirti respondeu assim: “Todas as visões errôneas dos outros ensinamentos e todas as negatividades são sementes para um Buda; aqueles que acreditam que o nirvana é independente das negatividades não podem alcançar o caminho do Buda. O lótus não cresce em planícies elevadas, mas floresce na água lodosa. Igualmente, o Darma do Buda é gerado ao viver em meio às negatividades. Além do mais, sementes não crescerão quando plantadas no céu; plantadas na sujeira e no esterco elas brotam vigorosamente. Da mesma forma, aqueles que imergem completamente no nirvana não-criado não podem produzir o Darma. Ao contrário, aqueles que chegam com egos grandes como montanhas são exatamente os que despertam a mente que aspira ao caminho e que são capazes de produzir o Darma. Isto é, todas as negatividades são sementes para alcançar o estado búdico. A não ser que se mergulhe profundamente até o fundo do mar, não será possível obter as gemas inestimáveis. Igualmente, sem navegar pelo oceano das negatividades não será possível obter a gema da onisciência.” Vimalakirti perguntou então a todos os bodisatvas: “Como alguém pode acessar a porta para o Darma da não-dualidade? Que cada um de vocês me diga seus pensamentos sobre isto.” O bodisatva Dharmavikurvana foi o primeiro a responder: “Eu obtive acesso à porta para a não-dualidade compreendendo que não há diferença entre o nascimento e a morte de todas as coisas. Uma vez que não há nascimento, não há morte.” Quando todos os bodisatvas tinham se expressado, Manjushri foi inquirido a respeito e disse: “Na minha visão, em relação a todas as coisas, não pode haver palavra, conceito ou conhecimento. A porta para o Darma da não-dualidade está além de todas as palavras e pensamentos.” Finalmente, Manjushri perguntou a Vimalakirti sobre seu entendimento da não-dualidade, mas Vimalakirti ficou em silêncio e não pronunciou uma única palavra. Manjushri o louvou, dizendo: “Ótimo. Quando letras e palavras não mais existem, esta é a entrada para a porta do Darma da não-dualidade.” Assim, todos os bodisatvas acessaram esta porta e chegaram à firme convicção de que não há nascimento ou morte.

[Fonte: Budadarma, o Caminho para a Iluminação. Traduzido para o português por Marcelo Nicolodi. Revisão final de José Fonseca.] [Nota adicional: O Sutra de Vimalakirti é composto de 14 capítulos, na tradução chinesa.O presente fragmento representa o conteúdo (editado) dos capítulos III, IV, V e IX)

Livro Ser Bom, ética budista para o dia a dia

Ser Bom - Hsing Yun
  • AUTOR Mestre Hsing Yun
  • ILUSTRADOR
  • COLEÇÃO Budismo
  • ISBN 9789898873040
  • PVP 14,99 € (IVA incluído)
  • preço fixo até fim de dezembro de 2018
  • 1ª EDIÇÃO julho de 2017
  • PÁGINAS 208
  • DIMENSÕES 150 x 230 x 14 mm

 

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. É autor de vários livros, como Budismo Puro e Simples (Zéfiro, 2014), Budismo: Significados Profundos (Zéfiro, 2012) ou Conceitos Fundamentais do Budismo (Zéfiro, 2010).

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia é a sua estreia na Nascente.

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt

A abertura do olho da mente

A “Abertura do Olho da Mente” é uma palestra realizada pela Venerável Jue Ji, directora da Chinese Buddhist Studies of University of West, no templo Hsi Fang.

A palestra é baseada no livro do Venerável Mestre Hsing Yun, com o mesmo nome, sobre o fundamento do Budismo – as quatro nobres verdades, o nobre caminho óctuplo, os três selos do Dharma, que advogam que todos os seres humanos têm uma natureza de Buda e que devemos corajosamente enfrentar o nosso medo e dúvida, desapegando-nos dos desejos, para que possamos valorizar as nossas vidas e fazer brilhar a humanidade em glória.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Cerimónias no Templo Fo Guang Shan em Lisboa

JANEIRO 

05.01

Quinta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia Iluminação do Buda

08.01

Domingo

07:30 – 18:00

Um Dia da prática no Buda Amitabha

12.01

Quita feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

12.01

Quita feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

15.01

Domingo

16:30 – 18:00

Conferência de saúde

21.01

Sábado

11:00 – 18:00

Celebração Ano Novo Chinês – Praça Martim Moniz

22.01

Domingo

11:00 – 18:00

Celebração Ano Novo Chinês – Praça Martim Moniz

27.01

Sexta

A comunicar

Cerimónia de despedia do ano e entrada do ano

28.01

Sábado

A comunicar

Cerimónia do ano novo

29.01

Domingo

A comunicar

Cerimónia do ano novo

 

FEVEREIRO 

05.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

12.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Ofenda de Luz

19.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.02

Domingo

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

26.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Oferenda de Luz

 

MARÇO 

05.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

12.03

Domingo

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

12.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Oferenda de Luz

19.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia do Dia de Finados

28.03

Terça feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

28.03

Terça feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

  

 ABRIL 

02.04

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

09.04

Domingo

16:30 – 18:00

Teste do Estudo Budismo

11.04

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

11.04

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

16.04

Domingo

16:30 – 18:00

Páscoa – Campo férias dos Juventudes de BLIA YAD

23.04

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

26.04

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

26.04

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

30.04

Domingo

16:30 – 18:00

Conferência para novos discípulos de Três Joías

 

 MAIO

07.05

Domingo

10:00 – 20:00

VESAK

10.05

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

10.05

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

14.05

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Sutra do Diamante

21.05

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.05

Sexta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

26.05

Sexta feira

11:00 – 11:40

Cerimónia de Oferenda para o Buda

28.05

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

20 e 21 de maio (Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento);

O evento terá local na Praça da Figueira;

 

 JUNHO

04.06

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

09.06

Sexta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

09.06

Sexta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

11.06

Domingo

16:30 – 18:00

Prática Meditação Ch´an

18.06

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

24.06

Sábado

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

24.06

Sábado

11:00 – 11:40

Cerimónia de Oferenda para o Buda

25.06

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

 

Cerimónia de Tomada de Refúgio – 11 de Dezembro

Dia 11 de Dezembro, no templo Fo Guang Shan em Lisboa, teremos a cerimónia de Tomada de Refúgio, aberta a todos os que tenham o desejo de dar, formalmente, um sentido na direção da Jóia Tríplice – Buda, Dharma e Sangha. Um caminho de consciência e libertação do sofrimento.

Podes ler mais sobre o significado da tomada de refúgio, aqui…

Tomada de Refúgio

  • A cerimónia terá lugar às 16h30, pede-se que estejam presentes pelas 16h00;
  • É gratuito mas pedimos, caso tenham possibilidade, que deixem um donativo, pois uma das Mestres virá de fora de Portugal;
  • Podem inscrever-se para o email geralg2@ibps.pt

BLIA – Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa
Rua Centieira, nº 35
1800-056 Lisboa Portugal