Dia de Prática de Buda Amitabha – 10 de Dezembro

Dia 10 de dezembro, domingo, será dia de prática do Buda Amitabha, um dia de prática em silêncio.
Recitação de sutra Amitabha, nome de Amitabha, meditação nos vários horários, s11:45 a 12:30 cerimónia de oferenda.

Meditação
7:30-8:45,  10:00 – 11:30,  11:45-12:30,  14:30-15:45,  16:15-18:00

Refeições
12:30-13:45 almoço , 18:15-19:00 jantar
Inscrições para geralg2@ibps.pt

Cerimónia do Buda de Medicina no templo de Vila do Conde

No passado dia 14 de Novembro foi realizada a cerimónia do Buda de Medicina no qual também participaram os membros da BLIA em Guimarães, que deixam o seu testemunho:

Eu senti-me bem na cerimónia do Buda da Medicina! Senti-me de mente quase vazia no início e depois fui despertando para um certo desconforto no braço! Essa dor foi passando à medida que cantávamos o mantra! Foi muito bom ter vindo ao templo! Fomos recebidos com muita alegria!
Marta

Foi uma cerimônia de muita paz, ao longo da cerimônia as minhas mãos foram aquecendo e ao mesmo tempo esse calor tornou a minha mente serena. Grato por esta experiência, foi uma alegria ter partilhado estes momentos com todos vós.
Carlos

Sinto sempre uma grande alegria interior quando venho às cerimônias. Mesmo não percebendo o que dizem, sinto-o profundamente no meu coração.
Somos sempre recebidos com muito carinho por todos! Um muito obrigada.
Sílvia

Palestra da Ven. Mestre Juerong sobre o Sutra de Vimalakirti

No dia 20 de Julho realizou-se a aula de Dharma da Ven. Mestre Juerong sobre o Sutra de Vimalakirti, com perto de 100 participantes.

Este sutra fala sobre a atitude de um praticante laico, Vimalakirti, que nos traz lições tão valiosas como o seguinte ditado – “não por comida podre numa tigela de jóias”, o que significa que devemos adequar os ensinamentos a quem está a escutar.

Este é o papel do budista laico, praticar para alcançar uma mente positiva, para depois poder também ensinar e incentivar outros.

O nosso agradecimento às causas e condições que puderam trazer a Ven. Mestre Juerong até Lisboa e a todos os participantes.

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Vimalakirti Nirdesa Sutra – Sutra de Vimalakirti (fragmento)

Certa vez, o Buda disse a Satiputra: “Se você olhar para este mundo com uma mente pura, purificada por meus ensinamentos, você será capaz de ver um mundo brilhante e resplandecente todo o tempo.” Naquela época, vivia em Vaisali um rico homem de nome Vimalakirti. Ele havia satisfeito completamente a mente do Buda e sua brilhante sabedoria iluminava as mentes obscurecidas. Mesmo vivendo uma vida secular, ele não estava apegado às coisas mundanas. Apesar de ter esposa e filhos ele nunca era arrastado pelas paixões humanas e não se afastava do estado de tranqüilidade em isolamento. Ele visitava os lugares de prazer, mas guiava as pessoas desses lugares para os ensinamentos corretos. Quando Vimalakirti, altamente respeitado como o professor de sua era, ficou doente, pessoas de todas as direções vieram visitá-lo. Em seu leito, ele aproveitava as visitas para ensinar o Darma: “Compreendam que seus corpos estão constantemente mudando e perderão o vigor, por mais saudáveis que sejam. Mais cedo ou mais tarde, o corpo será apanhado pela velhice e conduzido à morte. Aqueles que sabem disto não deveriam se apegar ao corpo físico, mas aspirar alcançar o corpo do Buda. O corpo do Buda é o corpo do Darma. Ele nasce de toda bondade, sabedoria e verdade. Vocês, portanto, deveriam aspirar realizar o caminho para a verdadeira iluminação.”

O Buda disse a Sariputra: “Vá visitar Vimalakirti e veja como ele está.” Sariputra respondeu: “Honrado pelo Mundo, eu não sou digno de visitar Vimalakirti. Outro dia, eu estava sentado em meditação, ele veio até mim e disse: ‘Sariputra, sentar-se não é necessariamente a verdadeira meditação. A verdadeira meditação é o estado em que a mente está silenciosa e imóvel, mesmo em meio a várias atividades. É seguir o caminho dos sábios, mesmo vivendo uma vida comum e ordinária. É ouvir diversas doutrinas não-budistas sem se deixar confundir e praticar o caminho para a iluminação. Atingir o nirvana sem cortar as impurezas é a verdadeira meditação’. Como eu não tive resposta diante disto e permaneci em silêncio, não sou qualificado para visitá-lo.”

O Buda pediu a Maudgalyayana que fosse,mas Maudgalyayana disse: “Honrado pelo Mundo, eu também não sou digno de visitar Vimalakirti. Certa vez, eu estava expondo o Darma para um grande número de seguidores e Vimalakirti veio até mim e disse: ‘Você deveria explicar o Darma tal qual ele é. A verdade da talidade é não-discriminatória. Você deveria ensinar o Darma da ausência de impedimentos, sempre mantendo em mente a ideia de retribuir a misericórdia do Buda e a ideia do crescimento contínuo dos Três Tesouros.’ Quando Vimalakirti disse isto, as 800 pessoas que lá se reuniam decidiram seguir o caminho. Visto que não possuo tal habilidade, não posso visitá-lo.” O Buda, então, chamou Mahakasyapa, que respondeu: “Eu também não sou qualificado para visitar Vimalakirti. Algum tempo atrás, quando eu estava mendigando em um pobre vilarejo, ele veio até mim e disse: ‘Mahakasyapa, apesar de você possuir um coração compassivo, você é incapaz de estendê-lo a todos igualmente. Assim, você abandonou os ricos e está esmolando comida em uma vila empobrecida. Você deveria esmolar imparcialmente de casa em casa. Kasyapa, não procure por qualquer diferença nos méritos de donativos recebidos e não pense sobre ganhos ou perdas.’ Honrado pelo Mundo, quando ouvi estas palavras, comecei a ter maior respeito por todos os seguidores do caminho. Não estou em posição de visitar e confortar este grande homem leigo.” O Buda escolheu Subhuti, mas ele também se desculpou. “Certa vez, eu fui até a casa de Vimalakirti para mendigar por comida; ele tomou minha tigela, encheu-a de arroz e me disse: ‘Subhuti, se você sabe que todas as coisas são iguais, então você pode aceitar esta comida. Você pode aceitar estar comida se não estiver perturbado por máculas e se não precisar eliminá-las; se alcançar a sabedoria de estar livre do amor e da luxúria, mesmo estando preso ao amor e à luxúria; e se você não se apegar à discriminação, mesmo vivendo nela.’ Honrado pelo Mundo, eu não sou capaz de visitá-lo e confortá-lo em sua doença.” Em seguida, o Buda chamou Purna, Maha-Katyayana, Aniruddha, Upali, Rahula, Ananda e cada um dos 500 grandes discípulos para que alguém visitasse Vimalakirti. E todos eles expressaram suas próprias razões para declinar deste papel.

O Buda ordenou ao bodisatva Maitreya para fazer a visita e perguntar sobre a sua doença. Mas o bodisatva também declinou e deu seus motivos. O Buda chamou um jovem de nome Prabhavyuha, mas ele igualmente recusou, dizendo: “Honrado pelo Mundo, certa vez, quando eu estava prestes a deixar a cidade de Vaisali, ele estava por lá. Eu lhe perguntei de onde ele vinha, ele respondeu que vinha do local do aprendizado do Darma. Quando perguntei onde ficava o local do aprendizado do Darma, ele disse: ‘A mente correta é o local para o aprendizado do Darma, porque não há falsidade nela. A determinação de praticar é o local para o aprendizado do Darma, porque ela realiza esforços aplicados. A mente profunda é o local para o aprendizado do Darma, porque ela aumenta as virtudes. A mente que segue o caminho é o local para o aprendizado do Darma, porque nela não há erro. As Seis Perfeições da generosidade sem esperar recompensas, observando os preceitos com aspiração, a paciência sem impedimentos para com todos, esforçar-se sem qualquer preguiça, a concentração que controla a mente, e a sabedoria que torna possível enxergar todas as coisas, todas são o local para o aprendizado do Darma.

As quatro mentes incomensuráveis da bondade amorosa que ama a todos igualmente, a compaixão que alivia os sofrimentos dos outros, a alegria com o Darma e com a felicidade dos outros, e a não discriminação entre amor e ódio, são o local para o aprendizado do Darma. As negatividades são o local para o aprendizado do Darma, pois através delas a verdadeira realidade pode ser conhecida. As pessoas são o local do aprendizado do Darma, pois através delas a ausência de identidades pode ser conhecida. Todas as coisas são o local são o local para o aprendizado do Darma, pois através delas a vacuidade de todas as coisas pode ser entendida. Os três mundos são o local para o aprendizado do Darma, pois não há outro lugar para ir. O rugido do leão destemido é o local para o aprendizado do Darma. Conhecer todas as coisas em um pensamento através da onisciência é o local para o aprendizado do Darma. Se um bodisatva cultivar o caminho desta forma e guiar os outros, então, todas as suas ações, mesmo uma ação como levantar ou abaixar sua perna, serão o local para o aprendizado do Darma.’ Quando Vimalakirti terminou seu discurso, 500 deuses decidiram seguir o caminho. É por isto que não sou capaz de visitá- lo.” Quando o Honrado pelo Mundo apontou o bodisatva Jagatimdhara, este também declinou. Quando indicou o bodisatva Sudatta, filho de um homem abastado, Sudatta recusou. Assim, todos estes bodisatva se recusaram a aceitar a missão de visitar o enfermo Vimalakirti. O Buda apontou o bodisatva Manjushri e Manjushri respondeu: “Honrado pelo Mundo, Vimalakirti aperfeiçoou o Darma completamente. Ele possui sabedoria desobstruída e sabe como expor e praticar o Darma. Eu não sou qualificado para competir com ele, mas visto que este é o desejo do Honrado pelo Mundo, eu irei até lá para visitá-lo.” Muitas pessoas, incluindo o bodisatvas e discípulos, acompanharam Manjushri até Vaisali. Vimalakirti estava deitado aguardando Manjushri, que lhe perguntou: “Qual é a causa de sua doença e quanto tempo ela irá durar?” Vimalakirti respondeu: “Da Ignorância surge o apego. Minha doença começou aí. Estou doente porque todos estão doentes. Se eles não estiverem mais doentes, minha doença também não mais existirá. Pois um bodisatva vem para este mundo de delusão pelo bem das pessoas. Os pais ficam doentes quando suas crianças estão doentes; eles ficam bem quando seus filhos estão bem.” Manjushri perguntou: “Qual é a causa de sua doença?” Vimalakirti respondeu: “A doença de um bodisatva é causada pela grande compaixão.” Manjushri perguntou: “É a sua mente ou o seu corpo que está doente?” Vimalakirti respondeu: “Eu não faço parte do corpo, portanto meu corpo não está doente. Eu sei que a mente é como uma ilusão, portanto a mente não está doente. Apenas porque as pessoas estão doentes eu também estou doente.” Então, Manjushri perguntou: “Como as pessoas doentes deveriam controlar suas mentes?” Vimalakirti respondeu: “As pessoas doentes deveriam pensar desta forma: ‘Esta doença foi causada pelo veneno da negatividade, e ela não possui qualquer entidade substancial.’” Manjushri perguntou: “Como um bodisatva vê as pessoas?” Vimalakirti respondeu: “Ele vê as pessoas como ilusões criadas por um mágico, ou como a lua refletida na superfície da água, ou como a imagem em um espelho, ou como ondas de calor tremulantes, ou como nuvens flutuando no céu, ou como bolhas na água, ou como a luz de um relâmpago, ou como traços da trajetória das aves voadoras, ou como filhos de uma mulher estéril, ou sonhos após o despertar.” Manjushri perguntou: “Se um bodisatva vê as pessoas com tal sabedoria, como é possível ter compaixão por elas?” Vimalakirti respondeu: “Um bodisatva, ao entender que as pessoas são assim, desenvolve verdadeira compaixão.

Com serenidade, livre de negatividades, e uma compaixão tão ilimitada como a vastidão dos céus, puro e calmo, ele guia as pessoas para alcançarem a paz mental.” Manjushri seguiu perguntando: “O que são a bondade e o júbilo?” Vimalakirti respondeu: “Compartilhar os méritos alcançados com todos os seres é a bondade, e encontrar alegria na generosidade é o júbilo.” Majushri perguntou: “Onde deveriam se apoiar aqueles bodisatvas que são temerosos de nascimento e morte?” A resposta de Vimalakirti foi: “Eles deveriam se apoiar no poder meritório do Buda.” Manjushri perguntou: “O que deve ser feito para se apoiar no poder meritório do Buda?” Vimalakirti respondeu: “Deve-se ajudar todos os seres a alcançar a liberação.” Majushri: “Para salvar os outros, o que deve ser eliminado?” Vimalakirti: “Faça-os se livrarem de suas negatividades.” Majushri perguntou: “O que eles deveriam fazer para se livrar de suas negatividades?” Vimalakirti respondeu: “Faça-os repousarem na atenção mental correta.” Manjushri quis saber: “Como guiá-los à atenção mental correta?” Vimalakirti disse: “Faça-os compreender que todas as coisas não nascem e não morrem.” Majushri perguntou: “O que é que não nasce e não morre?” Vimalakirti: “A maldade não nasce e a bondade não morre.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz do corpo?” Vimalakirti: “A cobiça.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da cobiça?” Vimalakirti: “A discriminação.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da discriminação?” Vimalakirti respondeu: “A visão pervertida.” Manjushri perguntou: “Qual é a raiz da visão pervertida?” Vimalakirti respondeu: “Ela surge daquilo que não possui uma natureza fixa.” Manjushri perguntou: “De onde vem aquilo que não possui uma natureza fixa?” Vimalakirti: “Visto que aquilo que não possui uma natureza fixa não permanece em lugar algum, é chamado de ausência de base. A ausência de base não possui uma raiz. Todas as coisas surgem desta ausência de base.” Majushri perguntou a Vimalakirti: “Como um bodisatva alcança o caminho do Buda?” Vimalakirti disse: “É fazendo coisas que o desviam do caminho que ele o alcança. Mesmo caindo nos infernos por ter cometido atos atrozes, ele não apresenta qualquer agonia. Ao entrar no reino dos animais ele não tem ignorância alguma. Ao cair no reino dos demônios famintos, méritos são acumulados. Mesmo quando parece ser ganancioso, ele está livre de apego. Mesmo demonstrando raiva, ele controla sua mente. Ainda que demonstre parcimônia, ele abre mão de tudo, inclusive da própria vida. Aparentemente violando os preceitos, ele é cuidadoso para não cometer a maior negatividade. Mesmo parecendo bajulador, ele utiliza meios hábeis de acordo com o Darma. Apesar de parecer arrogante, ele é realmente humilde. Se aparentemente segue caminhos maléficos, ele vive em harmonia com a sabedoria do Buda. Apesar de viver na abundância, reconhece a impermanência, não caindo na indulgência. Mesmo possuindo uma esposa, está livre da luxúria. Mesmo levando uma vida negativa, está guiando os outros para uma vida positiva. Ao apresentar a entrada do nirvana, ele não está se excluindo do estado de nascimento e morte. Manjushri, ao fazer estas coisas que vão contra o caminho, realizará o caminho do Buda.” Manjushri lançou a questão: “Qual é a semente que permite que alguém se torne um Buda?” Vimalakirti respondeu assim: “Todas as visões errôneas dos outros ensinamentos e todas as negatividades são sementes para um Buda; aqueles que acreditam que o nirvana é independente das negatividades não podem alcançar o caminho do Buda. O lótus não cresce em planícies elevadas, mas floresce na água lodosa. Igualmente, o Darma do Buda é gerado ao viver em meio às negatividades. Além do mais, sementes não crescerão quando plantadas no céu; plantadas na sujeira e no esterco elas brotam vigorosamente. Da mesma forma, aqueles que imergem completamente no nirvana não-criado não podem produzir o Darma. Ao contrário, aqueles que chegam com egos grandes como montanhas são exatamente os que despertam a mente que aspira ao caminho e que são capazes de produzir o Darma. Isto é, todas as negatividades são sementes para alcançar o estado búdico. A não ser que se mergulhe profundamente até o fundo do mar, não será possível obter as gemas inestimáveis. Igualmente, sem navegar pelo oceano das negatividades não será possível obter a gema da onisciência.” Vimalakirti perguntou então a todos os bodisatvas: “Como alguém pode acessar a porta para o Darma da não-dualidade? Que cada um de vocês me diga seus pensamentos sobre isto.” O bodisatva Dharmavikurvana foi o primeiro a responder: “Eu obtive acesso à porta para a não-dualidade compreendendo que não há diferença entre o nascimento e a morte de todas as coisas. Uma vez que não há nascimento, não há morte.” Quando todos os bodisatvas tinham se expressado, Manjushri foi inquirido a respeito e disse: “Na minha visão, em relação a todas as coisas, não pode haver palavra, conceito ou conhecimento. A porta para o Darma da não-dualidade está além de todas as palavras e pensamentos.” Finalmente, Manjushri perguntou a Vimalakirti sobre seu entendimento da não-dualidade, mas Vimalakirti ficou em silêncio e não pronunciou uma única palavra. Manjushri o louvou, dizendo: “Ótimo. Quando letras e palavras não mais existem, esta é a entrada para a porta do Darma da não-dualidade.” Assim, todos os bodisatvas acessaram esta porta e chegaram à firme convicção de que não há nascimento ou morte.

[Fonte: Budadarma, o Caminho para a Iluminação. Traduzido para o português por Marcelo Nicolodi. Revisão final de José Fonseca.] [Nota adicional: O Sutra de Vimalakirti é composto de 14 capítulos, na tradução chinesa.O presente fragmento representa o conteúdo (editado) dos capítulos III, IV, V e IX)

Livro Ser Bom, ética budista para o dia a dia

Ser Bom - Hsing Yun
  • AUTOR Mestre Hsing Yun
  • ILUSTRADOR
  • COLEÇÃO Budismo
  • ISBN 9789898873040
  • PVP 14,99 € (IVA incluído)
  • preço fixo até fim de dezembro de 2018
  • 1ª EDIÇÃO julho de 2017
  • PÁGINAS 208
  • DIMENSÕES 150 x 230 x 14 mm

 

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. É autor de vários livros, como Budismo Puro e Simples (Zéfiro, 2014), Budismo: Significados Profundos (Zéfiro, 2012) ou Conceitos Fundamentais do Budismo (Zéfiro, 2010).

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia é a sua estreia na Nascente.

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt

A abertura do olho da mente

A “Abertura do Olho da Mente” é uma palestra realizada pela Venerável Jue Ji, directora da Chinese Buddhist Studies of University of West, no templo Hsi Fang.

A palestra é baseada no livro do Venerável Mestre Hsing Yun, com o mesmo nome, sobre o fundamento do Budismo – as quatro nobres verdades, o nobre caminho óctuplo, os três selos do Dharma, que advogam que todos os seres humanos têm uma natureza de Buda e que devemos corajosamente enfrentar o nosso medo e dúvida, desapegando-nos dos desejos, para que possamos valorizar as nossas vidas e fazer brilhar a humanidade em glória.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Cerimónias no Templo Fo Guang Shan em Lisboa

JANEIRO 

05.01

Quinta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia Iluminação do Buda

08.01

Domingo

07:30 – 18:00

Um Dia da prática no Buda Amitabha

12.01

Quita feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

12.01

Quita feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

15.01

Domingo

16:30 – 18:00

Conferência de saúde

21.01

Sábado

11:00 – 18:00

Celebração Ano Novo Chinês – Praça Martim Moniz

22.01

Domingo

11:00 – 18:00

Celebração Ano Novo Chinês – Praça Martim Moniz

27.01

Sexta

A comunicar

Cerimónia de despedia do ano e entrada do ano

28.01

Sábado

A comunicar

Cerimónia do ano novo

29.01

Domingo

A comunicar

Cerimónia do ano novo

 

FEVEREIRO 

05.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

12.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Ofenda de Luz

19.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.02

Domingo

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

26.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Oferenda de Luz

 

MARÇO 

05.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

12.03

Domingo

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

12.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Oferenda de Luz

19.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia do Dia de Finados

28.03

Terça feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

28.03

Terça feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

  

 ABRIL 

02.04

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

09.04

Domingo

16:30 – 18:00

Teste do Estudo Budismo

11.04

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

11.04

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

16.04

Domingo

16:30 – 18:00

Páscoa – Campo férias dos Juventudes de BLIA YAD

23.04

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

26.04

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

26.04

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

30.04

Domingo

16:30 – 18:00

Conferência para novos discípulos de Três Joías

 

 MAIO

07.05

Domingo

10:00 – 20:00

VESAK

10.05

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

10.05

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

14.05

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Sutra do Diamante

21.05

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.05

Sexta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

26.05

Sexta feira

11:00 – 11:40

Cerimónia de Oferenda para o Buda

28.05

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

20 e 21 de maio (Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento);

O evento terá local na Praça da Figueira;

 

 JUNHO

04.06

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

09.06

Sexta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

09.06

Sexta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

11.06

Domingo

16:30 – 18:00

Prática Meditação Ch´an

18.06

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

24.06

Sábado

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

24.06

Sábado

11:00 – 11:40

Cerimónia de Oferenda para o Buda

25.06

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

 

Cerimónia de Tomada de Refúgio – 11 de Dezembro

Dia 11 de Dezembro, no templo Fo Guang Shan em Lisboa, teremos a cerimónia de Tomada de Refúgio, aberta a todos os que tenham o desejo de dar, formalmente, um sentido na direção da Jóia Tríplice – Buda, Dharma e Sangha. Um caminho de consciência e libertação do sofrimento.

Podes ler mais sobre o significado da tomada de refúgio, aqui…

Tomada de Refúgio

  • A cerimónia terá lugar às 16h30, pede-se que estejam presentes pelas 16h00;
  • É gratuito mas pedimos, caso tenham possibilidade, que deixem um donativo, pois uma das Mestres virá de fora de Portugal;
  • Podem inscrever-se para o email geralg2@ibps.pt

BLIA – Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa
Rua Centieira, nº 35
1800-056 Lisboa Portugal

 

O que é a tomada de refúgio e a Jóia Tríplice

 A expres­são “Joia Tríplice” desig­na o Buda, o Darma e a Sanga. O Darma é o con­jun­to dos ensi­namen­tos do Buda; Sanga é a comu­ni­da­de budis­ta. “Re­fu­giar-se” signifi­ca acei­tar publi­ca­men­te o Buda como mes­tre, o Darma como seus ensi­na­men­tos e a Sanga como sua comu­ni­da­de reli­gio­sa.

Ao nos refugiarmos na Joia Tríplice, tor­na­mo-nos dis­cí­pu­los do Buda e assumimos o com­pro­mis­so de não ­seguir os ensi­na­men­tos de reli­giões obscuras. A cerimónia do refúgio é extre­ma­men­te impor­tan­te, por­que marca o iní­cio de nosso compro­mis­so com o Buda, o Darma e a Sanga. Mesmo res­pei­tan­do o budis­mo e frequentan­do tem­plos budistas, o indi­ví­duo que não se refu­giar na Joia Tríplice pode con­si­de­rar-se apenas um sim­pa­ti­zan­te do budis­mo, mas não um budis­ta. 

Significado Profundo da Joia Tríplice

Buddha” é uma pala­vra sâns­cri­ta que sig­ni­fi­ca “ilu­mi­na­do”, ­alguém cuja ilu­mi­na­ção abran­ge todas as ver­da­des do uni­ver­so. A ilu­mi­na­ção do Buda apre­sen­ta dois aspec­tos fun­da­men­tais:

  • O Buda é ilu­mi­na­do.
  • O Buda, por seus ensi­na­men­tos, é capaz de aju­dar na ilu­mi­na­ção dos seres sencien­tes.

Existem incon­tá­veis Budas resi­din­do em inu­me­rá­veis mun­dos búdi­cos por todo o universo. O Buda do nosso mundo é o Buda Shakyamuni – é a ele que nos refe­ri­mos quan­do dize­mos “o” Buda. Ele é o séti­mo Buda deste mundo; o pró­xi­mo será o Buda Maitreya.

Darma” é igual­men­te um termo sâns­cri­to e tem ­vários sig­ni­fi­ca­dos. No nível mais elemen­tar, diz res­pei­to aos ensi­na­men­tos do Buda. Também abran­ge os ensinamentos escri­tos con­ti­dos no Tripitaka – a cole­ção ofi­cial­men­te reco­nhe­ci­da (ou canô­ni­ca) dos sutras e comen­tá­rios budis­tas. Considera-se ainda que o Darma seja uma cor­po­ri­fi­ca­ção do Buda. O Darma é o que nos ensi­na a ver­da­de e nos guia rumo à ilumina­ção.

Sanga” tam­bém vem do sâns­cri­to e sig­ni­fi­ca “comu­ni­da­de har­mô­ni­ca”. Refugiando-nos na Sanga, inte­gra­mo-nos na har­mo­nio­sa comu­ni­da­de dos mon­ges e monjas budis­tas.

O budis­mo foi a pri­mei­ra reli­gião a esta­be­le­cer comu­ni­da­des monás­ti­cas no mundo. Os mon­ges cor­po­ri­fi­cam o Darma. Já que o Darma é tão vasto e rico, é muito impor­tan­te para o budis­mo que a comu­ni­da­de monás­ti­ca seja sau­dá­vel, res­pei­ta­da e forte. Os mon­ges pro­te­gem e preservam o Darma neste mundo. Sem uma comu­ni­da­de monástica forte e dinâ­mi­ca, o Darma pode­ria trans­for­mar-se com toda a faci­li­da­de em meras pala­vras nas pági­nas de um livro.

Na expres­são “comu­ni­da­de har­móni­ca”, a pala­vra “har­móni­ca” tem dois significados bási­cos. Primeiro, expres­sa que os mon­ges e mon­jas estão em har­mo­nia com os mes­mos prin­cí­pios racio­nais que levam à ilu­mi­na­ção. Segundo, que em seu comportamen­to diá­rio eles se com­pro­me­tem a estar em har­mo­nia com seis ­ideais:

  1. harmonia na visão;
  2. harmonia na moral;
  3. harmonia nos benefícios;
  4. harmonia na postura;
  5. harmonia na fala;
  6. harmonia na mente.

Harmonia na visão sig­ni­fi­ca que todos con­cor­dam em estar em har­mo­nia quan­to aos seus pensa­men­tos, opi­niões e ­ideais; har­mo­nia na mora­l, que todos seguem os mesmos prin­cí­pios ­morais e todos são ­iguais peran­te esses prin­cí­pios; harmonia nos benefí­cios, que todos vivem da mesma manei­ra, sem pri­vi­lé­gios; har­mo­nia na postura, que todos vivem jun­tos em har­mo­nia, sem vio­lar a paz ou os direi­tos alheios; har­mo­nia na fala, que todos são har­mo­nio­sos em sua fala e não se indispondo uns com os ­outros; harmo­nia na mente, que todos têm as mes­mas metas e bus­cam for­mas har­mo­nio­sas de alcan­çá-las.

Seguindo os ­ideais acima, a Sanga dá exem­plo de como o Darma deve ser praticado. É pos­sí­vel ser um bom budis­ta sem ter muito con­ta­to com a comu­ni­da­de monás­ti­ca, mas é muito ­melhor ter ao menos algum con­ta­to com mon­ges e mon­jas que dedi­cam sua vida aos ensi­na­men­tos do Buda.

O Darma é trans­mi­ti­do de uma gera­ção de mon­ges para a seguin­te, em uma linhagem inin­ter­rup­ta que pode ser tra­ça­da até o Buda. Este fun­dou sua comu­ni­da­de basean­do-a no prin­cí­pio da trans­mis­são dire­ta do Darma de gera­ção em gera­ção. Quem hoje se denomina budis­ta deve enten­der esse ponto e res­pei­tá-lo total­men­te, tanto quan­to res­pei­ta os ­outros ensi­na­men­tos do Buda.

O Buda, o Darma, a Sanga

O Buda é o médi­co, o Darma é o remé­dio; a Sanga é o corpo de enfer­meiros. Os três elemen­tos são neces­sá­rios para que os seres sen­cien­tes real­men­te se liber­tem dos males da ilu­são. “Joia Tríplice”, que significa o Buda, o Darma e a Sanga, por­tan­to, cons­ti­tui uma metá­fo­ra que expli­ca o valor e a importân­cia de cada um desses três agen­tes de nossa liber­ta­ção.

Assim como uma cole­ção de joias pode nos aju­dar a con­quis­tar qual­quer coisa no mundo mate­rial, a Joia Tríplice nos possibilita alcan­çar a liber­ta­ção no mundo além da maté­ria. O Tratado sobre a Suprema Natureza Preciosa diz: “a Joia Tríplice tem seis sig­ni­fi­ca­dos fun­da­men­tais que expli­cam por que ela deve ser res­pei­ta­da”. São eles:

A Joia Tríplice é Rara. Assim como uma pes­soa pobre encon­tra­ria difi­cul­da­de em obter uma joia mate­rial, todos deve­ría­mos reco­nhe­cer que o Buda, o Darma e a Sanga são muito raros e constituem “pos­ses” espi­ri­tuais muito valio­sas.

A Joia Tríplice não tem Imperfeições. Assim como uma pedra pre­cio­sa mate­rial só é consi­de­ra­da pre­cio­sa se não tiver defei­tos, deve-se com­preen­der que a Joia Tríplice não tem defei­tos e encon­tra-se além de todas as impu­re­zas.

A Joia Tríplice é Poderosa. Tal como uma pedra pre­cio­sa que tem o poder de eliminar nossa penúria mate­rial, a Joia Tríplice tem enor­me poder de nos ­livrar de todo nosso sofri­men­to, quer mate­rial quer espi­ri­tual.

A Joia Tríplice é Magnífica. Assim como uma joia mate­rial cons­ti­tui-se num mag­ní­fi­co adorno, a Joia Tríplice mos­tra-nos como encon­trar a pure­za e a bele­za mag­ní­fi­cas que exis­tem no inte­rior da mente.

A Joia Tríplice tem Inestimável Valor. Assim como uma pedra pre­cio­sa pode ser nosso mais valio­so bem neste mundo, a Joia Tríplice é nosso mais pre­cio­so patrimô­nio espi­ri­tual.

A Joia Tríplice é Imutável. A natu­re­za ele­men­tar do ouro não muda, seja qual for a forma em que seja mol­da­do. A Joia Tríplice tam­pou­co muda, inde­pen­den­te­men­te da lin­gua­gem em que seja des­cri­ta ou do lugar onde seja reve­ren­cia­da.

Significado Profundo do “Refugiar-se”

Refugiar-se na Joia Tríplice sig­ni­fi­ca afastar-se publi­ca­men­te dos valo­res e cos­tu­mes do mundo mate­rial e bus­car refú­gio no Buda, no Darma e na Sanga.

Assim como as crian­ças con­fiam em seus pais como pro­ve­do­res de pro­te­ção e segu­ran­ça, os budis­tas se com­pro­me­tem a con­fiar na Joia Tríplice. O nave­ga­dor ampa­ra-se em sua bús­so­la; simi­lar­men­te, con­cor­da­mos em nos ampa­rar na Joia Tríplice. Da mesma forma como recor­re­mos a uma fonte de luz para cami­nhar no escu­ro, compromete­mo-nos a recor­rer à Joia Tríplice. Ao nos refugiarmos, pas­sa­mos a depen­der da Joia Tríplice, receben­do em troca pro­te­ção e segu­ran­ça, na medi­da em que ela nos mos­tra o cami­nho rumo à per­fei­ta liber­ta­ção.

A Joia Tríplice é nosso lar, nossos pais, nosso porto segu­ro e abri­go. É o que nos mostra como che­gar a ser tudo o que pode­mos ser. Os ­sutras budis­tas men­cio­nam dez for­mas pelas quais, quan­do toma­mos refú­gio, a Joia Tríplice nos dá pro­te­ção:

  • Tornamo-nos dis­cí­pu­los do mais gran­dio­so mes­tre do uni­ver­so, o Buda Shakyamuni;
  • Nunca mais renas­ce­re­mos em rei­nos infe­rio­res (infer­no, mundo dos espíritos famintos e mundo dos ani­mais);
  • Nosso cará­ter passa por sig­ni­fi­ca­ti­va melho­ra – embo­ra pos­sam pare­cer superficiais ini­cial­men­te, as mudan­ças se tor­nam uma nossa par­te ver­da­dei­ra com o pas­sar do tempo;
  • Recebemos o ampa­ro dos Protetores do Darma, seres pode­ro­sos de ­outros pla­nos da exis­tên­cia que jura­ram pro­te­ger o Darma de qual­quer um que tente des­truí-lo. O Buda Shakyamuni disse que, nesta era, os Protetores do Darma acor­re­riam em auxí­lio de todos os seus dis­cí­pu­los que tomas­sem refú­gio na Joia Tríplice;
  • Recebemos as bên­çãos dos Seres Celestiais e o res­pei­to dos ter­re­nos;
  • Poderemos rea­li­zar mui­tas coi­sas boas – as bên­çãos rece­bi­das em con­se­quên­cia do refú­gio ame­ni­zam os efei­tos do nosso carma nega­ti­vo. Isso, soma­do à confiança nos prin­cí­pios do Darma, nos leva a con­quis­tar mui­tas coi­sas boas na vida;
  • Nossos méri­tos e vir­tu­des são aumen­ta­dos mui­tas vezes – o Sutra sobre a Avaliação do Mérito diz que o méri­to que advém do refugiarmo-nos na Joia Tríplice é maior do que o obti­do por meio de qual­quer ofe­ren­da mate­rial;
  • Temos a opor­tu­ni­da­de de conhe­cer mui­tas pes­soas boas por pas­sar a fazer parte da comu­ni­da­de budis­ta mun­dial. Participar dessa comu­ni­da­de é um gran­de bem, por­que nos­sos com­pa­nhei­ros budis­tas podem nos aju­dar de ­várias manei­ras;
  • Lançamos as bases para o nosso futu­ro cres­ci­men­to moral e espi­ri­tual. Não há melhor alicerce espiritual do que o refú­gio na Joia Tríplice, que pre­pa­ra o cami­nho para nosso crescimento moral sub­se­quen­te;
  • Temos a pos­si­bi­li­da­de de nos tor­nar Budas. Mesmo não pra­ti­can­do o Darma nesta vida e não fazen­do nada além do refugiarmo-nos na Joia Tríplice, esta­re­mos plantan­do as semen­tes da nossa ilu­mi­na­ção.

 O Processo do Refúgio na Joia Tríplice

O ato de refugiar-se na Joia Tríplice diz respeito fun­da­men­tal­men­te à natu­re­za inte­rior e brota das pro­fun­de­zas da mente. Por outro lado, o sim­bo­lis­mo exterior da ceri­mô­nia de refú­gio pro­por­cio­na con­di­ções ade­qua­das para tor­nar nossa deter­mi­na­ção inte­rior, a mais firme pos­sí­vel.

Sempre que ­alguém se refu­gia na Joia Tríplice, seu com­pro­me­ti­men­to é visto pelo Buda, e neste momento, a pes­soa ini­cia com ele uma rela­ção per­ma­nen­te, na qual é pos­sí­vel se sen­tir totalmen­te ampa­ra­da. Esse é o ali­cer­ce de todo o pro­gres­so sub­se­quen­te rumo à iluminação. Poucos minu­tos são neces­sá­rios para o refúgio na Joia Tríplice, mas esse peque­no inves­ti­men­to nos per­mi­te rece­ber a infi­ni­ta pro­te­ção do Buda, a qual per­ma­ne­ce conos­co ao longo de todas as vidas futu­ras.

Se uti­li­zar­mos um reci­pien­te sujo para reti­rar água de uma fonte lím­pi­da, não teremos água limpa para beber. De igual forma, se nos refu­giar­mos na Joia Tríplice trazen­do a mente cheia de dúvi­da, impu­re­za e orgu­lho, não colheremos de nosso ato seus bene­fí­cios ple­nos. Por isso, o Sutra Mahanama (Sutra do Grande Nome) diz: “Todos que se refugiam na Joia Tríplice devem pri­mei­ra­men­te puri­fi­car a mente por meio de atos de arre­pen­di­men­to. Então, com a mente pura e reve­ren­te, unir as pal­mas das mãos e ajoelhar-se dian­te do Buda, fazen­do a seguin­te pro­mes­sa (repe­tindo-a três vezes): Eu [dizer seu nome], como dis­cí­pu­lo do Buda, me refu­gio no Buda até que minha forma corpo­ral seja extin­ta – o Buda é digno de meu res­pei­to por­que é vir­tuo­so e sábio; me refu­gio no Darma até que minha forma cor­po­ral seja extin­ta – o Darma é digno de meu res­pei­to por­que nos ensi­na a sub­ju­gar todos os dese­jos; me refu­gio na Sanga até que minha forma cor­po­ral seja extin­ta – a Sanga é digna de meu res­pei­to por­que é o coração da comu­ni­da­de budis­ta”.

Refugiar-se na Joia Tríplice é o pri­mei­ro ato cons­cien­te e inten­cio­nal rumo ao pleno desper­tar da mente ilu­mi­na­da. Por isso, é impor­tan­te que essa ceri­mô­nia seja condu­zi­da por um monge devi­da­men­te orde­na­do. De acor­do com o Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria: “Quando esti­ver­mos pron­tos para nos refu­giar na Joia Tríplice e prepa­ra­dos para pra­ti­car esses gran­dio­sos ensi­na­men­tos, deve­mos ir tercom um monge, que expli­ca­rá a dife­ren­ça entre o bem e o mal, apontará como discernir o certo e o errado, esti­mu­la­rá em nós a afei­ção pelo bem e a aver­são pelo mal e ampliará nossa mente. Então, rece­be­mos o refú­gio”.

Os votos que pro­fe­ri­mos duran­te a ceri­mô­nia do refú­gio ser­vem para indi­car clara­men­te que esta­mos nos refu­gian­do em cada um dos três aspec­tos da Joia Tríplice – o Buda, o Darma e a Sanga. Os votos são repe­ti­dos duas vezes duran­te a ceri­mô­nia, uma em seu início e outra em sua con­clu­são. A pri­mei­ra vez é quan­do real­men­te rece­be­mos o refú­gio e nos tor­na­mos parte da comu­ni­da­de budis­ta. A segun­da vez é uma rea­fir­ma­ção da primei­ra e o encer­ra­men­to da ceri­mô­nia.

Já a ceri­mó­nia é exe­cu­ta­da de acor­do com os seguin­tes pro­ce­di­men­tos: reverencia-se o Buda três vezes; o monge ou a monja que diri­gi­rá a ceri­mó­nia será convida­do e aco­lhi­do; can­tam-se lou­vo­res enquan­to se quei­ma incen­so; o Buda Shakyamuni é invo­ca­do três vezes; recita-se o Sutra Coração uma vez, jura-se leal­da­de ao Buda, ao Darma e à Sanga; mani­fes­ta-se arre­pen­di­men­to pelos erros do pas­sa­do e faz-se o voto de supe­rar a ilu­são para o bem de todos os seres sen­cien­tes; rece­be-se o refú­gio no Buda, no Darma e na Sanga; ouvem-se as ins­tru­ções do monge ou da monja que diri­ge a ceri­mó­nia; dedicam-se os méri­to a todos os seres sen­cien­tes; agra­de­ce-se ao monge ou a monja; agra­de­ce-se a todos os ­outros mem­bros da Sanga pre­sen­tes.

 Perguntas Frequentes sobre o Refúgio

Preciso me tornar vege­ta­ria­no?

Não. A ceri­mô­nia do refú­gio na Joia Tríplice demons­tra ape­nas que acei­ta­mos o Buda, o Darma e a Sanga como nos­sos guias espi­ri­tuais. Não é neces­sá­rio assu­mir nenhum outro com­pro­mis­so nesse momen­to – a não ser o de não mudar nossa convicção reli­gio­sa daí em dian­te.

Depois de refugiar-me ainda posso mos­trar res­pei­to às divindades de outras religiões?

Sim. Aliás, é muito impor­tan­te que os budis­tas sem­pre mos­trem res­pei­to pelas outras reli­giões. O ato de se refu­giar na Joia Tríplice sig­ni­fi­ca que acei­ta­mos o Buda, o Darma e a Sanga como nos­sos guias espi­ri­tuais e que nos com­pro­me­te­mos a não ­seguir os ensi­na­men­tos de reli­giões obscuras. Isso não quer dizer que não deva­mos mos­trar respei­to pelas cren­ças ou sím­bo­los reli­gio­sos dos ­outros. De fato, expres­sar qual­quer coisa que não o maior res­pei­to por outras reli­giões con­tra­diz fun­da­men­tal­men­te nos­sas pró­prias cren­ças. Apertamos a mão dos segui­do­res de ­outras fés e os res­pei­ta­mos. Da mesma forma, deve­mos res­pei­tar seus deu­ses e sím­bo­los reli­gio­sos. Nossas cren­ças podem ser dife­ren­tes das deles, mas deve­mos ter por suas cren­ças o mesmo res­pei­to que eles têm.

Refugiar-se na Joia Tríplice é um sim­ples ato de momen­to?

Não. São neces­sá­rios ­alguns minu­tos para o refúgio na Joia Tríplice. Contudo, esses minu­tos são o iní­cio de um com­pro­mis­so para toda a vida. No cora­ção e na mente deve­mos nos refu­giar na Joia Tríplice todos os dias. De acor­do com o Preceitos da Ioga (ou Preceitos de Bodisatva compilados no Sutra dos Preceitos de Bodisatva), um dia passa­do sem rea­fir­mar nosso com­pro­mis­so com a Joia Tríplice equi­va­le a um dia em que tenha­mos vio­la­do os pre­cei­tos da nossa moralidade. Ao rea­fir­mar nosso com­pro­mis­so todos os dias, esta­mos rea­fir­man­do nossa convicção e apren­den­do a não esque­cer a impor­tân­cia do que fize­mos.

O Refugiar-se na Joia Tríplice impli­ca em venerar os mon­ges budis­tas?

 Não. Refugiar-se impli­ca res­pei­tar os mon­ges, ten­tar ajudá-los e apren­der com eles. Não sig­ni­fi­ca que deva­mos venerá-los.

Qual é o erro mais comum que ­alguém pode come­ter ­depois de ter se refugiado na Joia Tríplice?

Provavelmente, o de res­pei­tar ape­nas um aspec­to da Joia Tríplice. Por exem­plo, depois de se refu­giar na Joia Tríplice, algu­mas pes­soas res­pei­tam somen­te o Buda, negligen­cian­do o Darma e a Sanga. Outras res­pei­tam ape­nas a Sanga, negli­gen­cian­do o Buda e o Darma. Outro erro comum é res­pei­tar ape­nas o monge ou a monja que lhes deu refú­gio, quan­do o cor­re­to é mos­trar res­pei­to a todos os mon­ges budis­tas, independentemen­te de suas afi­lia­ções.

Existem mui­tas for­mas de se entrar no cami­nho budis­ta, não ape­nas uma. A que você esco­lhe depen­de de seus inte­res­ses e incli­na­ções. Contudo, dois ele­men­tos devem estar pre­sen­tes, qual­quer que seja a forma esco­lhi­da: sin­ce­ri­da­de e reve­rên­cia.

Isso ­jamais muda­rá; será para sempre. Quem qui­ser avan­çar no cami­nho da iluminação pre­ci­sa compreen­der esse ponto. Caso con­trá­rio, será como uma árvo­re sem raí­zes ou um pássaro sem asas. Se for assim, como pode espe­rar cres­cer ou voar?

Mestre Yinguang

 

Capítulo 7 do livro Budismo Significados Profundos, Venerável Mestre Hsing Yün,