A abertura do olho da mente

A “Abertura do Olho da Mente” é uma palestra realizada pela Venerável Jue Ji, directora da Chinese Buddhist Studies of University of West, no templo Hsi Fang.

A palestra é baseada no livro do Venerável Mestre Hsing Yun, com o mesmo nome, sobre o fundamento do Budismo – as quatro nobres verdades, o nobre caminho óctuplo, os três selos do Dharma, que advogam que todos os seres humanos têm uma natureza de Buda e que devemos corajosamente enfrentar o nosso medo e dúvida, desapegando-nos dos desejos, para que possamos valorizar as nossas vidas e fazer brilhar a humanidade em glória.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Cerimónias no Templo Fo Guang Shan em Lisboa

JANEIRO 

05.01

Quinta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia Iluminação do Buda

08.01

Domingo

07:30 – 18:00

Um Dia da prática no Buda Amitabha

12.01

Quita feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

12.01

Quita feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

15.01

Domingo

16:30 – 18:00

Conferência de saúde

21.01

Sábado

11:00 – 18:00

Celebração Ano Novo Chinês – Praça Martim Moniz

22.01

Domingo

11:00 – 18:00

Celebração Ano Novo Chinês – Praça Martim Moniz

27.01

Sexta

A comunicar

Cerimónia de despedia do ano e entrada do ano

28.01

Sábado

A comunicar

Cerimónia do ano novo

29.01

Domingo

A comunicar

Cerimónia do ano novo

 

FEVEREIRO 

05.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

12.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Ofenda de Luz

19.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.02

Domingo

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

26.02

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Oferenda de Luz

 

MARÇO 

05.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

12.03

Domingo

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

12.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia de Oferenda de Luz

19.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.03

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia do Dia de Finados

28.03

Terça feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

28.03

Terça feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

  

 ABRIL 

02.04

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

09.04

Domingo

16:30 – 18:00

Teste do Estudo Budismo

11.04

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

11.04

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

16.04

Domingo

16:30 – 18:00

Páscoa – Campo férias dos Juventudes de BLIA YAD

23.04

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

26.04

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

26.04

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

30.04

Domingo

16:30 – 18:00

Conferência para novos discípulos de Três Joías

 

 MAIO

07.05

Domingo

10:00 – 20:00

VESAK

10.05

Quarta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

10.05

Quarta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

14.05

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Sutra do Diamante

21.05

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

26.05

Sexta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

26.05

Sexta feira

11:00 – 11:40

Cerimónia de Oferenda para o Buda

28.05

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

20 e 21 de maio (Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento);

O evento terá local na Praça da Figueira;

 

 JUNHO

04.06

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra Buda Medicina

09.06

Sexta feira

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

09.06

Sexta feira

11:00 – 11:40

Cerimónica de Oferenda para o Buda

11.06

Domingo

16:30 – 18:00

Prática Meditação Ch´an

18.06

Domingo

16:30 – 18:00

Cerimónia Sutra do Buddha Amitabha

24.06

Sábado

07:30 – 08:30

Cerimónia de Oferenda de Luz

24.06

Sábado

11:00 – 11:40

Cerimónia de Oferenda para o Buda

25.06

Domingo

16:30 – 18:00

O Sutra sobre a profunda bondade dos pais e a dificuldade de retribui-la

 

Cerimónia de Tomada de Refúgio – 11 de Dezembro

Dia 11 de Dezembro, no templo Fo Guang Shan em Lisboa, teremos a cerimónia de Tomada de Refúgio, aberta a todos os que tenham o desejo de dar, formalmente, um sentido na direção da Jóia Tríplice – Buda, Dharma e Sangha. Um caminho de consciência e libertação do sofrimento.

Podes ler mais sobre o significado da tomada de refúgio, aqui…

Tomada de Refúgio

  • A cerimónia terá lugar às 16h30, pede-se que estejam presentes pelas 16h00;
  • É gratuito mas pedimos, caso tenham possibilidade, que deixem um donativo, pois uma das Mestres virá de fora de Portugal;
  • Podem inscrever-se para o email geralg2@ibps.pt

BLIA – Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa
Rua Centieira, nº 35
1800-056 Lisboa Portugal

 

O que é a tomada de refúgio e a Jóia Tríplice

 A expres­são “Joia Tríplice” desig­na o Buda, o Darma e a Sanga. O Darma é o con­jun­to dos ensi­namen­tos do Buda; Sanga é a comu­ni­da­de budis­ta. “Re­fu­giar-se” signifi­ca acei­tar publi­ca­men­te o Buda como mes­tre, o Darma como seus ensi­na­men­tos e a Sanga como sua comu­ni­da­de reli­gio­sa.

Ao nos refugiarmos na Joia Tríplice, tor­na­mo-nos dis­cí­pu­los do Buda e assumimos o com­pro­mis­so de não ­seguir os ensi­na­men­tos de reli­giões obscuras. A cerimónia do refúgio é extre­ma­men­te impor­tan­te, por­que marca o iní­cio de nosso compro­mis­so com o Buda, o Darma e a Sanga. Mesmo res­pei­tan­do o budis­mo e frequentan­do tem­plos budistas, o indi­ví­duo que não se refu­giar na Joia Tríplice pode con­si­de­rar-se apenas um sim­pa­ti­zan­te do budis­mo, mas não um budis­ta. 

Significado Profundo da Joia Tríplice

Buddha” é uma pala­vra sâns­cri­ta que sig­ni­fi­ca “ilu­mi­na­do”, ­alguém cuja ilu­mi­na­ção abran­ge todas as ver­da­des do uni­ver­so. A ilu­mi­na­ção do Buda apre­sen­ta dois aspec­tos fun­da­men­tais:

  • O Buda é ilu­mi­na­do.
  • O Buda, por seus ensi­na­men­tos, é capaz de aju­dar na ilu­mi­na­ção dos seres sencien­tes.

Existem incon­tá­veis Budas resi­din­do em inu­me­rá­veis mun­dos búdi­cos por todo o universo. O Buda do nosso mundo é o Buda Shakyamuni – é a ele que nos refe­ri­mos quan­do dize­mos “o” Buda. Ele é o séti­mo Buda deste mundo; o pró­xi­mo será o Buda Maitreya.

Darma” é igual­men­te um termo sâns­cri­to e tem ­vários sig­ni­fi­ca­dos. No nível mais elemen­tar, diz res­pei­to aos ensi­na­men­tos do Buda. Também abran­ge os ensinamentos escri­tos con­ti­dos no Tripitaka – a cole­ção ofi­cial­men­te reco­nhe­ci­da (ou canô­ni­ca) dos sutras e comen­tá­rios budis­tas. Considera-se ainda que o Darma seja uma cor­po­ri­fi­ca­ção do Buda. O Darma é o que nos ensi­na a ver­da­de e nos guia rumo à ilumina­ção.

Sanga” tam­bém vem do sâns­cri­to e sig­ni­fi­ca “comu­ni­da­de har­mô­ni­ca”. Refugiando-nos na Sanga, inte­gra­mo-nos na har­mo­nio­sa comu­ni­da­de dos mon­ges e monjas budis­tas.

O budis­mo foi a pri­mei­ra reli­gião a esta­be­le­cer comu­ni­da­des monás­ti­cas no mundo. Os mon­ges cor­po­ri­fi­cam o Darma. Já que o Darma é tão vasto e rico, é muito impor­tan­te para o budis­mo que a comu­ni­da­de monás­ti­ca seja sau­dá­vel, res­pei­ta­da e forte. Os mon­ges pro­te­gem e preservam o Darma neste mundo. Sem uma comu­ni­da­de monástica forte e dinâ­mi­ca, o Darma pode­ria trans­for­mar-se com toda a faci­li­da­de em meras pala­vras nas pági­nas de um livro.

Na expres­são “comu­ni­da­de har­móni­ca”, a pala­vra “har­móni­ca” tem dois significados bási­cos. Primeiro, expres­sa que os mon­ges e mon­jas estão em har­mo­nia com os mes­mos prin­cí­pios racio­nais que levam à ilu­mi­na­ção. Segundo, que em seu comportamen­to diá­rio eles se com­pro­me­tem a estar em har­mo­nia com seis ­ideais:

  1. harmonia na visão;
  2. harmonia na moral;
  3. harmonia nos benefícios;
  4. harmonia na postura;
  5. harmonia na fala;
  6. harmonia na mente.

Harmonia na visão sig­ni­fi­ca que todos con­cor­dam em estar em har­mo­nia quan­to aos seus pensa­men­tos, opi­niões e ­ideais; har­mo­nia na mora­l, que todos seguem os mesmos prin­cí­pios ­morais e todos são ­iguais peran­te esses prin­cí­pios; harmonia nos benefí­cios, que todos vivem da mesma manei­ra, sem pri­vi­lé­gios; har­mo­nia na postura, que todos vivem jun­tos em har­mo­nia, sem vio­lar a paz ou os direi­tos alheios; har­mo­nia na fala, que todos são har­mo­nio­sos em sua fala e não se indispondo uns com os ­outros; harmo­nia na mente, que todos têm as mes­mas metas e bus­cam for­mas har­mo­nio­sas de alcan­çá-las.

Seguindo os ­ideais acima, a Sanga dá exem­plo de como o Darma deve ser praticado. É pos­sí­vel ser um bom budis­ta sem ter muito con­ta­to com a comu­ni­da­de monás­ti­ca, mas é muito ­melhor ter ao menos algum con­ta­to com mon­ges e mon­jas que dedi­cam sua vida aos ensi­na­men­tos do Buda.

O Darma é trans­mi­ti­do de uma gera­ção de mon­ges para a seguin­te, em uma linhagem inin­ter­rup­ta que pode ser tra­ça­da até o Buda. Este fun­dou sua comu­ni­da­de basean­do-a no prin­cí­pio da trans­mis­são dire­ta do Darma de gera­ção em gera­ção. Quem hoje se denomina budis­ta deve enten­der esse ponto e res­pei­tá-lo total­men­te, tanto quan­to res­pei­ta os ­outros ensi­na­men­tos do Buda.

O Buda, o Darma, a Sanga

O Buda é o médi­co, o Darma é o remé­dio; a Sanga é o corpo de enfer­meiros. Os três elemen­tos são neces­sá­rios para que os seres sen­cien­tes real­men­te se liber­tem dos males da ilu­são. “Joia Tríplice”, que significa o Buda, o Darma e a Sanga, por­tan­to, cons­ti­tui uma metá­fo­ra que expli­ca o valor e a importân­cia de cada um desses três agen­tes de nossa liber­ta­ção.

Assim como uma cole­ção de joias pode nos aju­dar a con­quis­tar qual­quer coisa no mundo mate­rial, a Joia Tríplice nos possibilita alcan­çar a liber­ta­ção no mundo além da maté­ria. O Tratado sobre a Suprema Natureza Preciosa diz: “a Joia Tríplice tem seis sig­ni­fi­ca­dos fun­da­men­tais que expli­cam por que ela deve ser res­pei­ta­da”. São eles:

A Joia Tríplice é Rara. Assim como uma pes­soa pobre encon­tra­ria difi­cul­da­de em obter uma joia mate­rial, todos deve­ría­mos reco­nhe­cer que o Buda, o Darma e a Sanga são muito raros e constituem “pos­ses” espi­ri­tuais muito valio­sas.

A Joia Tríplice não tem Imperfeições. Assim como uma pedra pre­cio­sa mate­rial só é consi­de­ra­da pre­cio­sa se não tiver defei­tos, deve-se com­preen­der que a Joia Tríplice não tem defei­tos e encon­tra-se além de todas as impu­re­zas.

A Joia Tríplice é Poderosa. Tal como uma pedra pre­cio­sa que tem o poder de eliminar nossa penúria mate­rial, a Joia Tríplice tem enor­me poder de nos ­livrar de todo nosso sofri­men­to, quer mate­rial quer espi­ri­tual.

A Joia Tríplice é Magnífica. Assim como uma joia mate­rial cons­ti­tui-se num mag­ní­fi­co adorno, a Joia Tríplice mos­tra-nos como encon­trar a pure­za e a bele­za mag­ní­fi­cas que exis­tem no inte­rior da mente.

A Joia Tríplice tem Inestimável Valor. Assim como uma pedra pre­cio­sa pode ser nosso mais valio­so bem neste mundo, a Joia Tríplice é nosso mais pre­cio­so patrimô­nio espi­ri­tual.

A Joia Tríplice é Imutável. A natu­re­za ele­men­tar do ouro não muda, seja qual for a forma em que seja mol­da­do. A Joia Tríplice tam­pou­co muda, inde­pen­den­te­men­te da lin­gua­gem em que seja des­cri­ta ou do lugar onde seja reve­ren­cia­da.

Significado Profundo do “Refugiar-se”

Refugiar-se na Joia Tríplice sig­ni­fi­ca afastar-se publi­ca­men­te dos valo­res e cos­tu­mes do mundo mate­rial e bus­car refú­gio no Buda, no Darma e na Sanga.

Assim como as crian­ças con­fiam em seus pais como pro­ve­do­res de pro­te­ção e segu­ran­ça, os budis­tas se com­pro­me­tem a con­fiar na Joia Tríplice. O nave­ga­dor ampa­ra-se em sua bús­so­la; simi­lar­men­te, con­cor­da­mos em nos ampa­rar na Joia Tríplice. Da mesma forma como recor­re­mos a uma fonte de luz para cami­nhar no escu­ro, compromete­mo-nos a recor­rer à Joia Tríplice. Ao nos refugiarmos, pas­sa­mos a depen­der da Joia Tríplice, receben­do em troca pro­te­ção e segu­ran­ça, na medi­da em que ela nos mos­tra o cami­nho rumo à per­fei­ta liber­ta­ção.

A Joia Tríplice é nosso lar, nossos pais, nosso porto segu­ro e abri­go. É o que nos mostra como che­gar a ser tudo o que pode­mos ser. Os ­sutras budis­tas men­cio­nam dez for­mas pelas quais, quan­do toma­mos refú­gio, a Joia Tríplice nos dá pro­te­ção:

  • Tornamo-nos dis­cí­pu­los do mais gran­dio­so mes­tre do uni­ver­so, o Buda Shakyamuni;
  • Nunca mais renas­ce­re­mos em rei­nos infe­rio­res (infer­no, mundo dos espíritos famintos e mundo dos ani­mais);
  • Nosso cará­ter passa por sig­ni­fi­ca­ti­va melho­ra – embo­ra pos­sam pare­cer superficiais ini­cial­men­te, as mudan­ças se tor­nam uma nossa par­te ver­da­dei­ra com o pas­sar do tempo;
  • Recebemos o ampa­ro dos Protetores do Darma, seres pode­ro­sos de ­outros pla­nos da exis­tên­cia que jura­ram pro­te­ger o Darma de qual­quer um que tente des­truí-lo. O Buda Shakyamuni disse que, nesta era, os Protetores do Darma acor­re­riam em auxí­lio de todos os seus dis­cí­pu­los que tomas­sem refú­gio na Joia Tríplice;
  • Recebemos as bên­çãos dos Seres Celestiais e o res­pei­to dos ter­re­nos;
  • Poderemos rea­li­zar mui­tas coi­sas boas – as bên­çãos rece­bi­das em con­se­quên­cia do refú­gio ame­ni­zam os efei­tos do nosso carma nega­ti­vo. Isso, soma­do à confiança nos prin­cí­pios do Darma, nos leva a con­quis­tar mui­tas coi­sas boas na vida;
  • Nossos méri­tos e vir­tu­des são aumen­ta­dos mui­tas vezes – o Sutra sobre a Avaliação do Mérito diz que o méri­to que advém do refugiarmo-nos na Joia Tríplice é maior do que o obti­do por meio de qual­quer ofe­ren­da mate­rial;
  • Temos a opor­tu­ni­da­de de conhe­cer mui­tas pes­soas boas por pas­sar a fazer parte da comu­ni­da­de budis­ta mun­dial. Participar dessa comu­ni­da­de é um gran­de bem, por­que nos­sos com­pa­nhei­ros budis­tas podem nos aju­dar de ­várias manei­ras;
  • Lançamos as bases para o nosso futu­ro cres­ci­men­to moral e espi­ri­tual. Não há melhor alicerce espiritual do que o refú­gio na Joia Tríplice, que pre­pa­ra o cami­nho para nosso crescimento moral sub­se­quen­te;
  • Temos a pos­si­bi­li­da­de de nos tor­nar Budas. Mesmo não pra­ti­can­do o Darma nesta vida e não fazen­do nada além do refugiarmo-nos na Joia Tríplice, esta­re­mos plantan­do as semen­tes da nossa ilu­mi­na­ção.

 O Processo do Refúgio na Joia Tríplice

O ato de refugiar-se na Joia Tríplice diz respeito fun­da­men­tal­men­te à natu­re­za inte­rior e brota das pro­fun­de­zas da mente. Por outro lado, o sim­bo­lis­mo exterior da ceri­mô­nia de refú­gio pro­por­cio­na con­di­ções ade­qua­das para tor­nar nossa deter­mi­na­ção inte­rior, a mais firme pos­sí­vel.

Sempre que ­alguém se refu­gia na Joia Tríplice, seu com­pro­me­ti­men­to é visto pelo Buda, e neste momento, a pes­soa ini­cia com ele uma rela­ção per­ma­nen­te, na qual é pos­sí­vel se sen­tir totalmen­te ampa­ra­da. Esse é o ali­cer­ce de todo o pro­gres­so sub­se­quen­te rumo à iluminação. Poucos minu­tos são neces­sá­rios para o refúgio na Joia Tríplice, mas esse peque­no inves­ti­men­to nos per­mi­te rece­ber a infi­ni­ta pro­te­ção do Buda, a qual per­ma­ne­ce conos­co ao longo de todas as vidas futu­ras.

Se uti­li­zar­mos um reci­pien­te sujo para reti­rar água de uma fonte lím­pi­da, não teremos água limpa para beber. De igual forma, se nos refu­giar­mos na Joia Tríplice trazen­do a mente cheia de dúvi­da, impu­re­za e orgu­lho, não colheremos de nosso ato seus bene­fí­cios ple­nos. Por isso, o Sutra Mahanama (Sutra do Grande Nome) diz: “Todos que se refugiam na Joia Tríplice devem pri­mei­ra­men­te puri­fi­car a mente por meio de atos de arre­pen­di­men­to. Então, com a mente pura e reve­ren­te, unir as pal­mas das mãos e ajoelhar-se dian­te do Buda, fazen­do a seguin­te pro­mes­sa (repe­tindo-a três vezes): Eu [dizer seu nome], como dis­cí­pu­lo do Buda, me refu­gio no Buda até que minha forma corpo­ral seja extin­ta – o Buda é digno de meu res­pei­to por­que é vir­tuo­so e sábio; me refu­gio no Darma até que minha forma cor­po­ral seja extin­ta – o Darma é digno de meu res­pei­to por­que nos ensi­na a sub­ju­gar todos os dese­jos; me refu­gio na Sanga até que minha forma cor­po­ral seja extin­ta – a Sanga é digna de meu res­pei­to por­que é o coração da comu­ni­da­de budis­ta”.

Refugiar-se na Joia Tríplice é o pri­mei­ro ato cons­cien­te e inten­cio­nal rumo ao pleno desper­tar da mente ilu­mi­na­da. Por isso, é impor­tan­te que essa ceri­mô­nia seja condu­zi­da por um monge devi­da­men­te orde­na­do. De acor­do com o Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria: “Quando esti­ver­mos pron­tos para nos refu­giar na Joia Tríplice e prepa­ra­dos para pra­ti­car esses gran­dio­sos ensi­na­men­tos, deve­mos ir tercom um monge, que expli­ca­rá a dife­ren­ça entre o bem e o mal, apontará como discernir o certo e o errado, esti­mu­la­rá em nós a afei­ção pelo bem e a aver­são pelo mal e ampliará nossa mente. Então, rece­be­mos o refú­gio”.

Os votos que pro­fe­ri­mos duran­te a ceri­mô­nia do refú­gio ser­vem para indi­car clara­men­te que esta­mos nos refu­gian­do em cada um dos três aspec­tos da Joia Tríplice – o Buda, o Darma e a Sanga. Os votos são repe­ti­dos duas vezes duran­te a ceri­mô­nia, uma em seu início e outra em sua con­clu­são. A pri­mei­ra vez é quan­do real­men­te rece­be­mos o refú­gio e nos tor­na­mos parte da comu­ni­da­de budis­ta. A segun­da vez é uma rea­fir­ma­ção da primei­ra e o encer­ra­men­to da ceri­mô­nia.

Já a ceri­mó­nia é exe­cu­ta­da de acor­do com os seguin­tes pro­ce­di­men­tos: reverencia-se o Buda três vezes; o monge ou a monja que diri­gi­rá a ceri­mó­nia será convida­do e aco­lhi­do; can­tam-se lou­vo­res enquan­to se quei­ma incen­so; o Buda Shakyamuni é invo­ca­do três vezes; recita-se o Sutra Coração uma vez, jura-se leal­da­de ao Buda, ao Darma e à Sanga; mani­fes­ta-se arre­pen­di­men­to pelos erros do pas­sa­do e faz-se o voto de supe­rar a ilu­são para o bem de todos os seres sen­cien­tes; rece­be-se o refú­gio no Buda, no Darma e na Sanga; ouvem-se as ins­tru­ções do monge ou da monja que diri­ge a ceri­mó­nia; dedicam-se os méri­to a todos os seres sen­cien­tes; agra­de­ce-se ao monge ou a monja; agra­de­ce-se a todos os ­outros mem­bros da Sanga pre­sen­tes.

 Perguntas Frequentes sobre o Refúgio

Preciso me tornar vege­ta­ria­no?

Não. A ceri­mô­nia do refú­gio na Joia Tríplice demons­tra ape­nas que acei­ta­mos o Buda, o Darma e a Sanga como nos­sos guias espi­ri­tuais. Não é neces­sá­rio assu­mir nenhum outro com­pro­mis­so nesse momen­to – a não ser o de não mudar nossa convicção reli­gio­sa daí em dian­te.

Depois de refugiar-me ainda posso mos­trar res­pei­to às divindades de outras religiões?

Sim. Aliás, é muito impor­tan­te que os budis­tas sem­pre mos­trem res­pei­to pelas outras reli­giões. O ato de se refu­giar na Joia Tríplice sig­ni­fi­ca que acei­ta­mos o Buda, o Darma e a Sanga como nos­sos guias espi­ri­tuais e que nos com­pro­me­te­mos a não ­seguir os ensi­na­men­tos de reli­giões obscuras. Isso não quer dizer que não deva­mos mos­trar respei­to pelas cren­ças ou sím­bo­los reli­gio­sos dos ­outros. De fato, expres­sar qual­quer coisa que não o maior res­pei­to por outras reli­giões con­tra­diz fun­da­men­tal­men­te nos­sas pró­prias cren­ças. Apertamos a mão dos segui­do­res de ­outras fés e os res­pei­ta­mos. Da mesma forma, deve­mos res­pei­tar seus deu­ses e sím­bo­los reli­gio­sos. Nossas cren­ças podem ser dife­ren­tes das deles, mas deve­mos ter por suas cren­ças o mesmo res­pei­to que eles têm.

Refugiar-se na Joia Tríplice é um sim­ples ato de momen­to?

Não. São neces­sá­rios ­alguns minu­tos para o refúgio na Joia Tríplice. Contudo, esses minu­tos são o iní­cio de um com­pro­mis­so para toda a vida. No cora­ção e na mente deve­mos nos refu­giar na Joia Tríplice todos os dias. De acor­do com o Preceitos da Ioga (ou Preceitos de Bodisatva compilados no Sutra dos Preceitos de Bodisatva), um dia passa­do sem rea­fir­mar nosso com­pro­mis­so com a Joia Tríplice equi­va­le a um dia em que tenha­mos vio­la­do os pre­cei­tos da nossa moralidade. Ao rea­fir­mar nosso com­pro­mis­so todos os dias, esta­mos rea­fir­man­do nossa convicção e apren­den­do a não esque­cer a impor­tân­cia do que fize­mos.

O Refugiar-se na Joia Tríplice impli­ca em venerar os mon­ges budis­tas?

 Não. Refugiar-se impli­ca res­pei­tar os mon­ges, ten­tar ajudá-los e apren­der com eles. Não sig­ni­fi­ca que deva­mos venerá-los.

Qual é o erro mais comum que ­alguém pode come­ter ­depois de ter se refugiado na Joia Tríplice?

Provavelmente, o de res­pei­tar ape­nas um aspec­to da Joia Tríplice. Por exem­plo, depois de se refu­giar na Joia Tríplice, algu­mas pes­soas res­pei­tam somen­te o Buda, negligen­cian­do o Darma e a Sanga. Outras res­pei­tam ape­nas a Sanga, negli­gen­cian­do o Buda e o Darma. Outro erro comum é res­pei­tar ape­nas o monge ou a monja que lhes deu refú­gio, quan­do o cor­re­to é mos­trar res­pei­to a todos os mon­ges budis­tas, independentemen­te de suas afi­lia­ções.

Existem mui­tas for­mas de se entrar no cami­nho budis­ta, não ape­nas uma. A que você esco­lhe depen­de de seus inte­res­ses e incli­na­ções. Contudo, dois ele­men­tos devem estar pre­sen­tes, qual­quer que seja a forma esco­lhi­da: sin­ce­ri­da­de e reve­rên­cia.

Isso ­jamais muda­rá; será para sempre. Quem qui­ser avan­çar no cami­nho da iluminação pre­ci­sa compreen­der esse ponto. Caso con­trá­rio, será como uma árvo­re sem raí­zes ou um pássaro sem asas. Se for assim, como pode espe­rar cres­cer ou voar?

Mestre Yinguang

 

Capítulo 7 do livro Budismo Significados Profundos, Venerável Mestre Hsing Yün,

Celebração especial de dia 1

Dia 1 de Outubro será o 1º dia do Calendário Chinês.

7:30 – 8:30 pratica de manhã , recitar Portal Universal do Bodhistava Avalokitesvara

10:00 – 10:45 meditação

11:00 – 11:30 Cerimónia de oferendas para Budas e Bodhisatvas

11:45 – 12: 30 estudo de semana – O Nobre caminho octuplo

Estudo Semanal – BUDISMO –  Significados Profundos

Encontro Semanal para meditação e estudo do Budismo

Atividade semanal

Sabádos das 10:30 às 12:30 

Meditação- das 10:30 às 11:15 ;   Estudo-11:30 a 12:30

Local: Templo Fo Guang Shan em Portugal

Rua da Centieira nº 35 , Lisboa , Metro: Cabo Ruivo (Linha Vermelha)

Programa:

3 de Setembro – Como Estudar o Budismo

  1. Pilares do estudo do Dharma
  2. Estados mentais para o estudo do Dharma

10 de Setembro – As Quatro Nobres Verdade

  1. Significado profundo das Quatro Nobres Verdades
  2. Importância das Quatro Nobres Verdade

 

17 de Setembro – Karma

  1. Tipos de Karma
  2. A ordem em que chega o karma
  3. Princípios e expressões do karma

24 de Setembro – Os Cinco Preceitos

  1. Para compreender os cinco preceitos
  2. Importância da moralidade

01 de Outubro – O Nobre Caminho Óctuplo

  1. Elementos do Nobre Caminho Óctuplo
  2. Para compreender o Nobre Caminho Óctuplo
  3. Para praticar o Nobre Caminho Óctuplo

22 de Outubro – Tomar Refúgio na Jóia Tríplice

  1. Significado profundo da Jóia Tríplice
  2. Significado profundo de tomar refúgio
  3. O processo do refúgio na Jóia Tríplice

29 de Outubro – Génese Condicionada

  1. Aspectos fundamentais da génese condicionada
  2. Para compreender a génese condicionada
  3. Génese condicionada e vida humana

5 de Novembro  – Os Três Selos do Dharma

1. Quais são as verdades profundas do Dharma?

2. Como é que compreendemos os três selos do Dharma?

12 de Novembro – Vacuidade

1.      Como é que podemos compreender a Vacuidade?

2.       Como é que reconhecemos a Vacuidade?

03 de Dezembro – Natureza

1.      A imutável natureza búdica

2.       Nós e a natureza búdica

3.       Significado profundo da natureza búdica

4.       Tornar-se Buda 

10 de Dezembro – Mente

1.      Onde está a Mente?

2.       O poder da mente búdica

17 de Dezembro – Para Compreender Buda

1.      Os tês corpos da Buda

2.       Como os três corpo da Buda internacionam?

7 de Janeiro – Nirvana

1.      Significado profundo do nirvana

2.       Como atingir o nirvana

14 de Janeiro – Bodhisattvas

1.      Como é que compreendemos os Bodhisattvas?

2.       As quatro formas de ser um Bodhisattva

3.       O Voto do Bodhisattva

21 de Janeiro – Budismo Humanista

1.      O que é Budismo Humanista?

2.       Os seis paramitas

Inscrições: enviar email para geralg2@ibps.pt

Estudos budistas na União Budista em Lisboa – Setembro a Novembro

*Estudo Semanal – BUDISMO –  Significados Profundos*
Encontro Semanal para meditação e estudo do Budismo
*de Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa*

*Com Elisa Chuang*

Atividade semanal

Segundas-Feiras,   das 19:30 às 21:00
Meditação- das 19:30 às 20:00 ;   Estudo-20:00 a 21:00
Local: União Budista Portuguesa

Programa:

5 de Setembro  – Os Três Selos do Dharma
1. Quais são as verdades profundas do Dharma?
2. Como é que compreendemos os três selos do Dharma?
12 de Setembro – Vacuidade
1.  Como é que podemos compreender a Vacuidade?
2.  Como é que reconhecemos a Vacuidade?
19 de Setembro – Natureza
1. A imutável natureza búdica
2. Nós e a natureza búdica
3. Significado profundo da natureza búdica
4. Tornar-se Buda
26 de Setembro – Mente
1. Onde está a Mente?
2. O poder da mente búdica
3 de Outubro – Para Compreender Buda
1. Os três corpo da Buda
2. Como os três corpo da Buda interrelacionam?
24 de Outubro – Nirvana
1. Significado profundo do nirvana
2. Como atingir o nirvana
31 de Outubro – Bodhisattvas
1. Como é que compreendemos os Bodhisattvas?
2. As quatro formas de ser um Bodhisattva
3. O Voto do Bodhisattva
7 de Novembro – Budismo Humanista
1. O que é Budismo Humanista?
2. Os seis paramitas
05 de Dezembro – Reiniciamos com outros temas a indicar

Orientadora: Elisa Chuang – Supervisora da Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa. Tomou refúgio na Joia Triplice desde 1995. Aceitou os 5 preceitos no ano de 1996 e tomou os votos de Bodhisatva em 1999. Tem estudado e praticado o Budismo Humanista, com os mestres do Mosteiro Fo Guan Shan, cujo fundador é o Grande Mestre Hsing Yun.

Inscrições: enviar email para inscricoes@uniaobudista.pt

Contribuição: 5 euros de donativo por cada sessão.Uma real indisponibilidade financeira não é impeditiva à participação na atividade.

Cerimónia de Arrependimento – 24 de Julho

No Templo Fo Guang Shan, em Lisboa, iremos realizar a Cerimónia de Arrependimento, dia 24 de Julho, às 16h.
Podem inscrever-se enviando-nos um email.
Evento: Cerimónia de Arrependimento 
Data: 24 de Julho
Horário: Inicia às 16h e termina às 19h

O Yogāchāra

Yogāchāra (sânscrito “prática da “yoga”): Uma importante escola Mahāyāna que surgiu no século IV E.C., vista pelos seus fundadores como um antídoto às dificuldades epistemológicas e soteriológicas inerentes à Madhyamaka mais tardia. A escola é também conhecida como Vijñānavāda (O Caminho da Consciência) aludindo aos seus interesses epistemológicos. O termo citta-mātra (mente apenas) é também, algumas vezes, aplicado a ela. As origens da escola Yogāchāra estão envoltas em mistério, não obstante pesquisas recentes sugerirem que ela teve ligações explicitas com a escola Gandhāra dos Sarvāstivāda – também conhecida como
Sautrāntika ou Mūla– sarvāstivāda – que não aceitava as teorias da literatura Vibhāshā produzida pelo ramo Sarvāstivāda de Caxemira.

Os fundadores da escola eram Maitreyanātha, Asanga e Vasubandhu, cada qual contribuindo com nuances inovadoras, com adições importantes feitas por comentaristas posteriores tais como
Sthiramati e Dharmapalā. A Yogāchāra floresceu na Índia até o século VIII E.C., quando gradualmente se uniu com uma forma modificada da Svātantrika-Madhyamaka, assim combinando os melhores elementos das duas escolas. Outros membros posteriores da Escola Yogāchāra, tais como Dignāga e Dharmakīrti, também fizeram contribuições germinais para o desenvolvimento da lógica (pramāna) budista. A Yogāchāra foi levada à China graças aos
esforços de Paramārtha e Xüan-zang, este sendo responsável pela introdução da interpretação idealista e ontológica do Dharmapalā por intermédio do seu professor Sīlabhadra. A Yogāchāra foi também introduzida e amplamente estudada no Tibete, mas aí, a sua compreensão correcta foi comprometida pelo viés Madhyamaka predominante reflectido na tradicional doxologia tibetana.
O código básico de escrita das teorias da Yogāchāra é o Sandhinirmocana Sūtra com esboços anteriores no Sūtra Dasabhumika e o Sūtra Avatamsaka. Algumas vezes o Sūtra Lankāvatāra é citado erroneamente como um trabalho da Yogāchāra, mas este sincrético texto mais tardio, que combina conceitos do tathāgata-garbha com elementos da teoria da Yogāchāra, não era conhecido pelos fundadores da Yogāchāra e, assim, não deve ser enumerado entre os trabalhos autênticos da escola. Trabalhos atribuídos de forma variada a Maitreyanātha, Asanga e Vasubandhu incluem o Abhidharma-samuccaya, o Dharma-dharmāta-vibhāga, o Madhyanta-
vibhāga-kārikā, o Mahāyāna-samgraha, o Mahāyāna-sūtrālamkāra, o Tri-svabhāva-nirdesa, o Trimsikā, o Vimsatikā e o enciclopédico Yogā-cārabhumi Sāstra.

O pensamento Yogāchāra representa, sem dúvida alguma, a filosofia mais complexa e sofisticada desenvolvida pelo budismo indiano, mas esta riqueza criou consideráveis dificuldades para se
avaliar correctamente as suas doutrinas. Era comum ver a Yogāchāra como uma forma budista de idealismo, devido a uma falta de pesquisa baseada nos autênticos textos Yogāchāra, combinada
com distorções encontradas na literatura de segunda ordem do Tibete e da Ásia Ocidental (literatura essa baseada nas tendências mais tardias da Yogāchāra). Uma nova geração de estudiosos tem mostrado, gradualmente, que essa compreensão é enganadora e inadequada e sugerem que a antiga Yogāchāra é na realidade um sistema epistemológico e não ontológico.
Como sugere o seu nome, as doutrinas e teorias centrais Yogāchāra derivam, particularmente, de experiências de meditação e dizem respeito a dois temas básicos, interconectados: a natureza
da mente e a natureza da experiência. Para explicar todos os aspectos e funções da mente, oito aspectos ou modos de consciência são distinguidos – o ālaya-vijñāna, a mente aflitiva (klista-manas) e as seis tradicionais consciências de visão, audição, olfacto, paladar, tacto e pensamento. Enquanto os seres não iluminados passarem por renascimentos no samsāra, um fluxo de marcas (bīja ou vāsanā), originados de experiências e acções, são implantados nas suas mentes, permanecendo dormentes até que circunstâncias favoráveis ocorram para que eles manifestem
seus conteúdos na forma de um dualismo ilusório, do sujeito experimentador e dos objectos experimentados.
O aspecto da mente envolvida neste processo é o substrato ou a consciência reservatório (ālaya-vijñāna) que, por meio dos efeitos dessas marcas, produz também, de maneira sequencial, modos
adicionais de consciência subjectiva, assim como os seus conteúdos percebidos. Estas são as mentes aflitivas (klista-manas) que geram a ideia de eu (ātman) por meio da sua percepção confusa do ālaya-vijñāna e tingem as Seis Consciências remanescentes com distorções cognitivas e emocionais que predispõe um ser à criação de mais marcas. Desse modo, toda experiência não iluminada é fabricada pelos vários aspectos da mente, na medida em que ela gera um falso eu e projecta objectos ilusórios sobre a realidade.
A natureza ontológica da realidade não é discutida, ainda que fique claro, devido a antigos textos Yogāchāra, que se pensa que os simples objectos (vastu-mātra) que compreendem a realidade
existam independentemente do indivíduo, embora nunca sejam directamente experimentados pelas mentes dualísticas dos não iluminados. A maneira como os seres experimentam o mundo
é mais completamente descrita, em detalhes, por meio da inovadora doutrina Yogāchāra das “três naturezas” (tri-svabhāva): a imaginada (parikalpita), a dependente (paratantra) e as naturezas
consumadas (parinishpanna).

Quando todas as insalubres predisposições implantadas forem eliminadas do ālaya-vijñāna de um indivíduo e o falso dualismo de um eu que percebe e dos objectos percebidos for totalmente
abandonado no momento da iluminação ou nirvāna, uma transformação ocorre, na qual vários aspectos da mente se transformam nas Consciências do Buda (buddha-jñāna) – a ālaya-vijñāna torna-se a Consciência Espelhada; a mente aflitiva torna-se a Consciência da Uniformidade; a consciência de pensamento (mano-vijñāna), a Consciência Investigadora e as restantes consciências de percepção tornam-se a Consciência da Actividade Aperfeiçoada.

Cada uma dessas consciências é uma faceta da iluminação e, ao contrário das consciências comuns, é não conceptualista e não dual, capaz de experienciar a realidade directa e autenticamente.

A escola Yogāchāra também fez grandes contribuições à budologia refinando as teorias que dizem respeito aos Três Corpos (trikāya) e às cinco consciências; para a soteriologia, com o Caminho de Cinco Etapas e para a hermenêutica, com a doutrina das Três Voltas da Roda do Dharma.

Iniciou o grupo de estudos da BLIA em Guimarães

A BLIA tem agora um grupo de estudos também em Guimarães, às terças-feiras, pelas 19h00.

A entrada no grupo de estudos é gratuita, mas caso tenham oportunidade, podem associar-se na BLIA, como auxílio às actividades do Templo e da Associação.

Morada: Av. São Gonçalo, 1512, 4835 – 104 Guimarães