19 de Janeiro – PAGODE YUEYANG

Não retires prazer das posses materiais, 
Não expresses autocomiseração. 
Ocupantes do átrio do palácio preocupam-se pelo seu povo; 
Habitantes de distritos remotos preocupam-se pelo seu soberano. 
Progresso causa preocupação, 
Retrocesso também causa preocupação; 
Quando chegará por fim um momento de felicidade? 
Quando um for capaz de 
Encarar como principal preocupação os assuntos do estado, 
E colocar como seu último objetivo a sua própria diversão. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

18 de Janeiro – QUANDO A DESVANTAGEM SE TORNA VANTAGEM

A lei do céu funciona de tal maneira que a arrogância trará o mal, enquanto que a modéstia atrai o benéfico. Os espíritos e divindades seguem estas regras, causando as perdas aos que são presunçosos e ajudando aqueles que são modestos.

Desde os tempos antigos, houve ditados bem conhecidos que diziam que a tolerância e a cedência conseguiam erradicar inúmeras calamidades, e nunca que a tolerância e a cedência os causariam.

A prática da tolerância e da cedência começa nas pequenas coisas; da mesma forma como aqueles que estão na prisão também começaram com pequenas coisas. A propósito dos assuntos mundanos, quando um tem a capacidade de tolerar pequenos inconvenientes, estará menos suscetível a encontrar problemas mais sérios. Quando um tem a capacidade de aceitar pequenas desvantagens, estará menos suscetível a encontrar maiores.

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17 de Janeiro – GRANDE BONDADE E COMPAIXÃO

Com grande e ternurenta bondade daremos conforto e felicidade a todos, 
Com grande compaixão, devemos liberar todos dos sofrimentos da vida; 
Para liberar seres humanos, devemos liberar todos em qualquer nação e de qualquer condição de vida. 
Para liberar o mundo, devemos beneficiar todos os seres sencientes. 

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16 de Janeiro – BELO CORAÇÃO, BELO MUNDO

O belo mundo começa connosco. Quando damos por nós a queixar-nos da rejeição nas relações interpessoais, devemos alterar essa situação ao emanar o carinho por nós mesmos. Quando nos sentimos impotentes no meio de uma sociedade caótica, devemos começar a mudança pelo acatamento das regras e mantendo a nossa inocência por meio da autodisciplina. Quando suspiramos em relação às imposições das tendências utilitaristas, porque não encetar uma mudança ao nos tornarmos mais compassivos, carinhosos, equânimes e altruístas? A construção de um novo e belo mundo começa no coração de cada um de nós. 

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15 de Janeiro – PÉS PELO FUNDO DO OCEANO

Zhu Yuanzhang (1328 – 1398, Dinastia Ming)

O céu é o meu toldo e a terra a minha manta.
O sol, a lua e as estrelas acompanham-me nos meus sonos;
À noite não me atrevo a esticar totalmente as minhas pernas,
Com medo de colocar os meus pés pelo fundo do oceano.

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14 de Janeiro – PRATICAR OS PRECEITOS

Não difames nem sejas invejoso,
Cumpriremos com os preceitos.
Contenta-te com a nossa dieta, desfruta dos teus tempos livres.
Uma mente concentrada apraz-se com as práticas zelosas,
Este é o ensinamento dos Budas.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

13 de Janeiro – METADE E METADE

Metade é dia, e metade é noite; 
Metade é bom, e metade é não gentil. 
Metade são homens, e metade são mulheres; 
Metade é real, e outra metade são mentiras. 
O mundo do Buda é uma metade, 
e a outra metade é Mara; 
Metade para ti, metade para mim, 
Neste mundo, ninguém consegue conquistar a outra metade. 
Esforça-te pela melhor metade, 
A pior metade diminuirá naturalmente. 
Aceita a metade que é bela, 
Tolera a metade que é menos boa, 
Isto para uma vida que tudo abarque.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

12 de Janeiro – OS MÉRITOS DA PACIÊNCIA

Ser paciente ou impaciente é geralmente um forte indicador de uma pessoa ser digna, ou não, de respeito. A maior força deste mundo é o poder da paciência. Pode transformar-nos numa pessoa de honra. Por exemplo, ser capaz de permanecer paciente apesar da fome, da pobreza, da ganância, da ira, do sofrimento, e das dificuldades; tal poder nem é comparável à meditação ou ao cumprimento dos preceitos, pois os méritos da paciência são vastos e dão origem a conquistas ilimitadas.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

11 de Janeiro – PORQUE DEVEM OS JOVENS LER

A maior razão pela qual lemos é para que nos livremos da mediocridade. A mediocridade é uma atitude que procura passivamente meios para sobreviver. Não falta nada às pessoas medíocres; são apenas indolentes em relação às excitações deste mundo, ao decurso da história humana, à sacralidade da justiça suprema ou ao profundo significado da vida. Aquilo que eles não estão a intuir é algo que ninguém, na sua experiência de vida limitada, poderá alguma vez alcançar. Huang Shangu disse uma vez, “A mente sem um enriquecimento de experiências antigas e presentes tornar-se-á a longo prazo numa coisa vulgar. O nosso reflexo no espelho tornar-se-á repulsivo e o nosso discurso soará de mau gosto às pessoas.” Isto é a face da mediocridade. 

Só os livros te podem trazer diante a expansividade do espaço e a infinitude do tempo; só os livros podem dirigir os presentes sinais pairantes da vida nobre na tua direção; só os livros te podem apresentar à sabedoria profunda nesse maravilhoso contraste contra a ignorância e a fealdade. Para que um ser de metro e meio seja capaz de navegar pelo tempo e expandir-se para além dos espaços em algumas poucas décadas, tal milagre deveria ser principalmente atribuído ao acto de ler. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

10 de Janeiro – A ARTE DE VIVER

Para ele, nada é mau neste mundo; tudo é bom. Um pequeno hotel é bom, a classe económica é boa, o alojamento é bom, um tapete esfarrapado é bom, uma toalha gasta é boa, a couve é boa, a cenoura é boa, correr é bom. Tudo tem um sabor e tudo é fantástico.

Mas que perspetiva esta! Sem fazer ainda menção à posse desse estado espiritual de mente, a capacidade de estar num tal estado a meio das tarefas diárias e triviais não simbolizará, por si, uma atitude artística e de bom grado perante a vida? Para os outros, parece que está a enfrentar dificuldades; para mim, parece-me que está só a disfrutar da vida. Tendo visto a expressão na sua cara enquanto mastigava a cenoura e a couve, tal alegria e prazer demonstrou-me que só um homem como ele poderia apreciar o verdadeiro sabor desses vegetais. Ao ser livre de qualquer partido ou preconceito, ele mantém essa individualidade que lhe permite observar e experienciar de forma simples todas as vertentes da vida. Esta é a verdadeira liberdade e deleitamento.

A Arte e a religião partilham, de facto, um objetivo em comum. Qualquer um que se prenda ao lucro ou ao preconceito, incapaz de saborear até as coisas mais pequenas da vida, não conseguirá partilhar nenhuma conexão com a arte. A verdadeira arte não é exclusiva aos quadros ou aos poemas, pelo contrário, pode ser adquirida e encontrada em toda e qualquer parte.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.