25 de Fevereiro – POEMA SOBRE OS SETENTA 

Desde tempos imemoriais que é raro que um homem viva 

até aos setenta, 

Elimine-se os anos da infância e da velhice e 

não há muito mais que reste, 

Salvo o gelo e as preocupações. 

Depois do meio de Outono, falta brilho à lua. 

Depois de varrer as sepulturas, as flores perdem a sua beleza 

Rodeado de flores, sob a lua, canto uma canção; 

Apressa-te a encher o copo de vinho vazio. 

Há tanto dinheiro neste mundo que 

nunca o poderás ganhar todo; 

Há tantos lugares naquela corte que 

não os poderás ocupar todos. 

Uma alta posição e o dinheiro abundante criam preocupações, 

tornando prematuramente o teu cabelo branco. 

Primavera, Verão, Outono, Inverno; 

num só estalar de dedos, 

O sino despede-se do entardecer; o galo anuncia 

a chegada da madrugada. 

Cavalheiros, vejam estas pessoas que chegaram antes de vós: 

Voltamos uma vez por ano para os encontrar enterrados debaixo as ervas. 

Quantas sepulturas haverá entre as ervas, altas e baixas? 

Cada ano, metade das sepulturas não têm ninguém que as varra. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

24 de Fevereiro – TOLERA O QUE É DIFÍCIL DE SUPERAR 

A paciência é uma virtude conhecida na cultura Chinesa; 
A paciência também é encarada no Budismo 
como a maior das cultivações. 
Transgressões infindáveis provêm do ódio. 
Méritos incalculáveis provêm da paciência. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

23 de Fevereiro – PENSAMENTOS NO MEU QUINQUAGÉSIMO ANIVERSÁRIO

Eu não nasci no momento certo, e tenho

cem preocupações;

Esta tristeza e frustração encaminharam-me para muitos erros.

Deixei a minha casa há muito tempo, e cortei laços com a minha família,

O que custa a esquecer? A gentileza não retribuída.

Todos os aniversários recordam-me da minha mãe,

A minha avó materna possuía uma rara virtude.

Tendo abandonado a minha casa e entrado no Sangha,

as minhas conexões kármicas alargaram-se;

Professores, amigos e seguidores são

tão densos como o bambu.

Testemunhando o declínio do Budismo que

eu tentei salvar,

Desejando a reforma da ordem monástica, eu ponderei,

qual a melhor forma de proceder.

Hoje a nação está devastada.

As pessoas são violadas e insultadas; sangue e lágrimas escorrem.

O mundo é oprimido pelas chamas do mal,

Padece de desastres, uns a seguir a outros.

Propagando o Dharma, caminhei a nação inteira,

Viajando e ensinando à volta do mundo;

A nação e o mundo estão numa situação terrível.

Liderei os Budistas para percorrer o país do Buda.

Todos os filhos do Buda têm uma mente poderosa

e são corajosos,

Olhando suspeitamente para as riquezas como se fossem nuvens flutuantes.

Honesto e refinado, Upasaka Tan

Que reúne as culturas da Índia e da China,

Deseja-me a vida longa, neste meu aniversário.

A minha vida é como uma bolha no mar;

Desejo que uma bolha consiga aliviar uma miríade de sofrimento,

Que os desejos do povo e

da nação se concretizem.

Que os povos do mundo parem de lutar

e matar,

Que olhem para o outro com compaixão

e que renunciem as suas armas;

Que esta bolha arrebente no mar calmo,

universalmente alegre e seguro,

A luz do Buda que brilha por todo o universo.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

22 de Fevereiro – EU TENHO ALEGRIA 

Neste mundo, não é importante possuir dinheiro, fama, ou sorte. O que é importante é que cada um tenha alegria. Que significado tem a vida se possuímos de tudo o que há neste mundo mas depois sermos infelizes? 

A alegria é partilhar e possuir em conjunto o que temos com os outros sem que sejamos invejosos daquilo que os outros têm; este tipo de alegria não egoísta e altruísta é a felicidade mais valiosa do mundo. 

A alegria ilumina o mundo com cores e enche a vida com esperança. Se não vivemos com alegria, e apenas com tristeza e preocupações, então não saberemos o que é viver a vida; é natural que a vida tenha os seus momentos tristes e alegres. Todavia, a capacidade de ser alegre e livre de preocupações é um estado ainda mais alto de cultivação. Permitir que a vida seja preenchida por alegria é, na verdade, a atitude mais sábia a tomar. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

21 de Fevereiro – UM EXAME PONDERADO DA NOSSA VIDA INTEIRA

Caso desejes entrar pela minha porta, primeiro tens de colocar a tua mão sobre o teu coração, e examinar cuidadosamente o registo de toda a conduta imprópria que praticaste a vida inteira.

Não digas que os deuses estão longe; poderás ser muito malvado e traiçoeiro, mas nunca poderás enganar os céus.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

20 de Fevereiro – PEGAR E LARGAR 

Se vivermos as nossas vidas numa busca contínua pelos nossos desejos, então ficaremos receosos e magoados quando não os conseguirmos realizar. No meio desta confusão e agitação da vida, podemos aprender algo com o Mestre Budai. Apesar de carregar um enorme saco, está sempre relaxado porque sabe quando tem de o pegar e quando tem de o largar, em função das circunstâncias. Aprender a pegar e a largar é como saber fazer e desfazer uma mala, antes e após uma viagem. Ter a sabedoria de saber quando devemos largar algo na nossa vida é saber viver em paz sem o desejo de posses materiais. É ter um corpo Dharma que vive para além da morte. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

19 de Fevereiro – ENVOLTO NUM ROBE DE LÃ, OLHANDO PARA AS PLANTAS FRAGRANTES 

Envolto num robe de lã a olhar para plantas 
fragrantes, cada uma delas com únicas 
e encantadoras características; 
O meu cabelo agora tornou-se branco, as flores eram vermelhas o ano passado. 
A mudança das cores é efémera, tal como a humidade da manhã, 
A fragrância do incenso é como a brisa do entardecer; 
Porque será que esperamos até ao murchar e o cair, 
para entender mais tarde a vacuidade? 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

18 de Fevereiro – A SUMA EXPLICAÇÃO 

Um golpe e esqueci-me de tudo o que sei 
Não dependerei mais da cultivação. 
Eu toquei o ensinamento do Buda 
E já não indagarei em explicações ardilosas. 
Em mais nenhum lado se encontra um vestígio, 
Fora do nosso discurso e comportamento. 
Aqueles que alcançaram o Caminho por todas as direções 
Dizem que cada um tem a suma explicação. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.

17 de Fevereiro – REGRESSAR AOS TERRENOS 

Plantando feijões aos pés do Monte Nan, 
As ervas são muitas, mas rebentos de feijão são poucos. 
Levanto-me de manhã, para cuidar das ervas, 
A Lua acompanha-me até casa, carregando a enxada ao ombro. 
O caminho é estreito, repleto de ervas, 
A humidade da tarde encharca a minha roupa. 
Roupa encharcada, não me incomoda, 
Desde que eu tenha a minha vontade. 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun.