O Sutra do Coração

O Sutra do Coração é também conhecido como o Sutra da Perfeição da Sabedoria – Prajna Paramita Hridaya Sutra 般若波羅蜜多心經. É um texto conciso e profundo com os ensinamentos básicos dos sutras da Perfeição da Sabedoria.

No Sutra do Coração, Avalokiteshvara, aquele que olha para baixo, escuta e socorre os outros do seu sofrimento, descreve a vacuidade a Shariputra.

O Sutra do Coração finaliza com um mantra ou dharani, que nos induz à compreensão da verdade:

Sânscrito Tradução
Gate gate Foi, foi
Pāragate Foi além (para a outra margem)
Pārasaṁgate Foi completamente para a outra margem
Bodhi svāhā Iluminação, quão maravilhosa!
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Sutra do Coração em Chinês

Sutra do Coração

OM, homenagem à venerável perfeição da sabedoria!

O bodhisattva Avalokiteshvara, em profunda meditação Prajna Paramita
viu claramente a vacuidade da natureza dos cinco agregados
e libertou-se da dor.

Ó Shariputra, forma não é senão vacuidade,
Vacuidade não é senão forma;

Forma é precisamente vacuidade,
vacuidade precisamente forma.
Sensação, percepção, reacção e consciência
são também assim.

Ó Shariputra,  todas as coisas são expressões da vacuidade.
Não nascidas, não destruídas; não maculadas, não puras,
Sem crescimento nem declínio.
Assim na vacuidade não há forma,
Sensação, percepção, reacção nem consciência;
Não há olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente;
Não há cor, som, odor, sabor, tacto, objecto;
Não há campo de visão nem campo de consciência;
Não há ignorância nem fim da ignorância.
Não há velhice e morte nem cessação da velhice e da morte;
Não há sofrimento nem causa do sofrimento.
Não há caminho, não há sabedoria nem proveito.

Sem proveito – assim os Bodhisattvas vivem esta Prajna Paramita
Sem obstáculos na mente.
Sem obstáculos e por isso sem medo.
Muito para além das ilusões, Nirvana é aqui.
Todos os Budas passados, presentes e futuros vivem esta Prajna Paramita
E alcançam a suprema, perfeita iluminação.

Por isso deves saber que Prajna Paramita é o sagrado mantra;
O mantra da grande sabedoria, o melhor mantra.
O mantra luminoso, o mantra supremo,
O mantra incomparável
Que dissipa todo o sofrimento.
Isto é verdade.
Por isso pratica o mantra da Prajna Praramita
Pratica este mantra e proclama:

GATE GATE PARAGATE PARASAMGATE BODHI SVAHA!

Isto completa o Coração da Venerável Perfeição da Sabedoria.

Encontro no templo Da Jue na China

De 17 a 22 de Outubro irá realiza-se o 1º Encontro do Sexto Conselho de Administração, no templo Da Jue, com a consagração da estátua de Buda. Todos estão convidados a participar neste encontro para partilhar os benefícios do Dharma.

Agenda resumida de actividades

De 17 a 25 de Outubro, 2015, em Lingshan

  • 17/10 – chegada ao templo Da Jue (o registo deve ser feito antes das 17h00)
  • Banquete de boas vindas
  • 18-21/10 – Cerimónia de Abertura e consegração da estátua de Buda / Grupos de discussão / Noite da Luz de Buda
  • 22/10 – Cerimónia de encerramento / Despedida

Local: Lingshan, Wuxi

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Mais informações para o 1º encontro do sexto Conselho de Administração

  • $400 de inscrição, inclui alojamento, refeições, acolhimento e participação.
  • Fica da responsabilidade do participante o visto e passagem aérea.
  • Inscrições para: ibps.pt@gmail.com

Versos do Sutra do Diamante pelo mestre Hsing Yun

Na literatura Indiana antiga, a forma de verso era habitualmente usada para oferecer um louvor ou tributo e o tipo mais comum de verso era a estrofe de quatro linhas. O verso de quatro linhas tornou-se uma das formas poéticas mais comuns na poesia budista.

No Sutra Diamante, o verso de quatro linhas é mencionado várias vezes como uma pequena unidade do Sutra do Diamante, para comparar a prática de apenas uma pequena parte do sutra como exceder outros grandes actos de mérito.

Isto mostra a importância dos versos de quatro linhas no sutra pois alguns dos momentos mais impactantes são presentes nesta forma. Por exemplo, um verso notável é encontrado no capítulo 32:

Todos os fenómenos condicionados
São como sonhos, ilusões, bolhas e sombras,
Como orvalho e relâmpago;
Devemos contemplá-los desta forma.

A essência dos 49 anos de ensinamentos de Buda estão contidos nestas quatro linhas. Todos os fenómenos aparecem no mundo como a combinação de causas e condições que são temporárias, por natureza. Quando encarados com algum tipo de fenómeno, um momento de interacção social entre nós e os outros, ou entre o louvado e o culpado, sucesso ou falhanço; Se algun destes ficarem na mente então podemos desenvolver preocupações dolorosas e criar todos os tipos de distinções e comparações. Infelicidade no passado pode plantar a semente para esquemas e prejuízos, mesmo tendo condições positivas e de sucesso no presente, pode criar-se condições para preocupações futuras e reclamações quando as coisas não funcionarem como esperamos. Como pode a mente ser purificada?

O Buda disse que devemos dar origem a uma mente que não permanece em nada. De forma semelhante ele disse no Sutra do Diamante que, «A mente do passado não pode ser obtida; a mente do presente não pode ser obtida; e a mente do futuro não pode ser obtida». No Sutra da Plataforma, Huineng diz,«Dentro de cada pensamento, não revisites estados passados. Se passado, presente e futuros pensamentos estão ligados, pensamento a pensamento como um continuo, isto é chamado estar apegado. Quando pensamento após pensamento não se apega a nenhum fenómeno, isto é chamado estar desapegado».

Devemos fazer o nosso melhor, no entanto o que é passado é passado. Não importa que pensamento permanece, tornamo-nos apegados por aflição e a continuidade de um pensamento é formada. Somente quando a mente não permanece em algo é que estamos verdadeira e puramente livres.

As «quatro noções» mencionadas pelo sutra, a noção do eu, a noção dos outros, a noção dos seres sencientes e a noção da longevidade, todas levantam a noção do eu. Quando nos agarramos a vários desejos, criamos a distinção entre nós mesmos e outros, que dão origem a tais noções. A noção de eu, surge como resultado da inabilidade de controlar os cinco agregados da forma, sensação, percepção, formações mentais e consciência, pela sua existência condicional e ilusória. Quando deixamos ir o apego à noção do eu, as outras três noções serão desfeitas. «Não-eu» é prajna. Também nesta instância devemos usar o transcendental para praticar o que é terreno e pegar no nosso sentido terreno de eu, para praticar o não-eu. Apenas quando não há eu, nenhuma distinção, nenhuma verdade ou mentira, nenhum sofrimento e nenhuma obstrução, pode o eu manifestar-se como verdadeiro prajna.

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O sutra do diamante

Ver o buda

Se alguém achar que eu posso ser visto entre as formas,
Ou que posso ser ouvido entre os sons,
Então essa pessoa está no caminho errado
E não verá o Tathagata.

Este verso de quatro linhas do capítulo 26, mostra como o puro Dharmakaya do Buda não tem uma aparência. Quando procuramos pelo Buda, devemos procurar pelo verdadeiro Dharmakaya, ao invés de nos apegarmos  à forma ou som do Buda.

Havia um monge coreano, chamado Gyeongman que era conhecido pelos seus altos princípios morais. Uma noite, ele levou para o seu quarto uma mulher com cabelo pelos ombros e os dois não saíram do quarto por vários dias. Os seus discípulos estavam perplexos e, após mais alguns dias, não aguentaram mais e entraram de rompante pelo quarto do mestre. O que viram foi o mestre sentado a um lado da cama, a dar uma massagem à mulher.

Um dos discípulos disse, «Mestre, como pode um comportamento deste ser um exemplo para nós?»

«Porque não pode servir de exemplo para vocês?», o Mestre respondeu.

O discípulo apontou para a mulher e balbuciou, «Não vê? Não vê?»

Gyeongman respondeu, «Vem e vê. Vem e vê».

O grupo de discípulos aproximou-se para olhar e viu que a mulher não tinha nariz, as suas orelhas tinham desaparecido e os seus olhos estavam afundados. Ela era uma leprosa e o seu Mestre estava no processo de lhe dar um tratamento especial. Gyeongman guardou-a de todos porque a sua doença era contagiosa. Nesse momento o discípulo que tinha questionado o seu Mestre ajoelhou-se em vergonha e disse, «Apenas o Mestre é capaz de tal bondade».

O que vemos com os nossos olhos nunca é verdadeiramente verdadeiro, nem o que ouvimos com os nossos ouvidos. Devemos aprender a fazer sem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente. Devemos dispensar as distinções para tomar consciência nas nossas próprias vidas a verdadeira razão pela qual aqui estamos e a verdadeira mente, pois só então poderá haver prajna. Como o Buda disse, «Se alguém pensar que eu posso ser visto entre as formas, ou que posso ser ouvido entre os sons», então esse não é Buda.

Como podemos então ver o Buda? Quando vemos os resultados de originação dependente, vemos o Dharma e então, vemos também o Buda. Quando vemos prajna, então vemos o Buda. Quando testemunhamos o amor-incondicional e compaixão, então vemos Buda. Tem uma mente universal e abrangente e também tu verás Buda.

Mestre Hsing Yun
Mestre Hsing Yun

Nota do Tradutor: Prajna significa sabedoria, discernimento, conhecimento discriminador ou apreensão intuitiva.

O que é budismo por email

De 22 a 24 de Junho irei enviar-te algumas dicas simples sobre o que é budismo, a sua origem e desenvolvimento e algumas práticas de desenvolvimento interessantes para ti, através do budismo.
Será sempre enviado um email por ti, a inscrição é gratuita.
Convido-te também a estares presente no dia 29 de Junho, na palestra do Mestre Hsin Ting.

Podes subscrever estes emails aqui…

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Mestre Hsin Ting em Palestra de estudos budistas 29 de Junho Faculdade de Letras.

Dia 29 de Junho às 19h00 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Mestre Hsin Ting dará uma Palestra de estudos budistas. A partir do Sutra do Coração, vamos falar sobre a prática do Budismo Humanista. A entrada é livre e és muito bem vindo. Podes ler mais sobre esta palestra aqui…

 

Foi assim o dia de meditação e workshop de cozinha vegetariana

Dia 6 de Junho realizamos um encontro na BLIA (Buddha’s Light International Association) para praticarmos meditação Ch’an, com 18 participantes. Tivemos ainda um momento de reflexão sobre os ensinamentos do Buda, através do capítulo 3 do Dhammapada – A Mente (Citta Vagga).

Terminamos com um pequeno workshop de cozinha vegetariana, chinesa, seguido de uma excelente refeição, com a comida preparada.

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Podem ver mais momentos deste nosso dia, no facebook do Templo, aqui…

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Em Setembro iremos retomar mais actividades de meditação, culinária, assim como o Dia de Prática Ch’an.

Às quintas-feiras, às 19h00 temos estudos budistas e meditação. Esta série de estudos terminará no final de Junho e retomaremos em Setembro.

workshop budismo e culinária vegetariana

A Mente – Citta vagga

O capítulo 3 do Dhammapada é dedicado à mente e chama-se Citta Vagga.

  1. A mente inconstante e vacilante, difícil de ser guardada, difícil de ser controlada – a pessoa sábia a endireita como o fabricante de flechas retifica uma flecha.
  2. Como um peixe que é tirado do seu domínio aquoso e lançado em terra, assim mesmo é que a mente vacila. Segue-se que o reino das paixões deve ser evitado.
  3. A mente é difícil de ser controlada, rápida, flutua onde quer que pouse: controlar isso é bom. Uma mente controlada conduz à felicidade.
  4. A mente é muito difícil de ser percebida, extremamente sutil, flutua onde quer que pouse. Que o sábio a controle; uma mente controlada conduz à felicidade.
  5. Viajando longe, perambulando longe, sem corpo, deitada numa caverna, está a mente. Aqueles que a dominam estão livres das ligaduras de Mara (a ilusão).
  6. Aquele cuja mente não é firme, aquele que não conhece a verdadeira doutrina, aquele cuja confiança balança – a sabedoria de tal pessoa nunca estará perfeita.
  7. Aquele cuja mente não está encharcada pela cobiça, aquele que não está afetado pelo ódio, aquele que transcendeu tanto o bem quanto o mal – para um tal vigilante não há medo.
  8. Percebendo que este corpo é tão frágil como um jarro, estabelecendo esta mente tão firmemente quanto uma cidadela fortificada, ele deve atacar Mara (a ilusão) com a sua arma de sabedoria. Ele deve guardar sua conquista e ser sem apegos.
  9. Antes de muito tempo esse corpo tombará ao chão, lançado fora, sem consciência, como um tronco inútil e queimado.
  10. Não importa que mal um inimigo faça ao outro, ou alguém que odeia faça a outro odiador, uma mente mal direcionada pode fazer mais mal ainda.
  11. O que nem mãe, nem pai, nem qualquer outro parente pode fazer, uma mente bem direcionada pode e com isso eleva a pessoa.

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O nobre caminho óctuplo

O Nobre Caminho Óctuplo consiste em:

1. Compreensão Correta

Conhecer as Quatro Nobres Verdades de maneira a entender as coisas como elas realmente são.

2. Pensamento Correto

Desenvolver as nobres qualidades da bondade amorosa e da aversão a prejudicar os outros.

3. Palavra Correta

Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas.

4. Ação correta

Abster-se de matar, roubar e ter conduta sexual indevida.

5. Meio de Vida Correto

Evitar qualquer ocupação que prejudique os demais, tais como tráfico de drogas ou matança de animais.

6. Esforço Correto

Praticar autodisciplina para obter o controlo da mente, de maneira a evitar estados de mente maléficos e desenvolver estados de mente sãos.

7. Plena Atenção Correta

Desenvolver completa consciência de todas as ações do corpo, fala e mente para evitar atos insanos.

8. Concentração Correta

Obter serenidade mental e sabedoria para compreender o significado integral das Quatro Nobres Verdades.

Aqueles que aceitam este Nobre Caminho como um estilo de vida viverão em perfeita paz, livres de desejos egoístas, rancor e crueldade. Estarão plenos do espírito de abnegação e bondade amorosa.