Grupo de estudo budista em Novembro – as Quatro Nobres Verdades

Dia 5 de Novembro às 19h00 iremos iniciar um novo grupo de estudo budista com o tema As Quatro Nobres Verdades, seguindo os ensinamentos do Ven. Mestre Hsing Yun.

Através deste trabalho, partilha do grupo de estudo, vamos ver o que é o sofrimento, a sua causa e a secessão do mesmo.

Na primeira aula, a Mestre Miao Yen irá mostrar-nos como funciona o Templo e algumas das particularidades como a saudação ao Buda.

As aulas são gratuitas e seguidas de um período de meditação no Templo. Quem pode deixar um donativo para o Templo. As aulas estão abertas a todos, não precisam de ter conhecimento prévio sobre o budismo ou serem budistas.

 

Palestra A Compaixão na Vida Prática, em Guimarães

Dia 26 de Setembro às 14h30 no Hotel de Guimarães, a Mestra Chueh Rong partilhará connosco uma palestra com o tema «A Compaixão na Vida Prática».

mestra Chueh Rong

A palestra terá tradução simultânea em português por Joana Dias. Descobre o que é a compaixão, como a desenvolver e aplicar no teu dia-a-dia. Palestra.

ENTRADA LIVRE
Rua Eduardo Manuel de Almeida
4810-440 Guimarães
Inscrições: cenifguimaraes@gmail.com

Compaixão BLIA Guimarães

Os pilares do estudo do dharma – novo curso de estudos budistas

De 17 de Setembro a 8 de Outubro, todas as quintas-feiras às 19h00, iremos trabalhar sobre os pilares do estudo do dharma. Seguindo a filosofia do Budismo Humanista, reflectiremos para aplicarmos na vida diária. Após cada tema, iremos praticar meditação Ch’an, para desenvolver a consciência, compaixão e paz duradoura.
Este curso é aberto a todos, mesmo que não tenham qualquer conhecimento sobre o budismo. Podem ter como apoio, o livro do Mestre Hsing Yun Budismo – Significados profundos.

Os pilares do estudo do dharma – temas

  1. Apoie-se no dharma, não nas pessoas – Apoie-se na sabedoria, não na acumulação de conhecimento
  2. Apoie-se no significado das palavras, não nas palavras – apoie-se no significado total, não no parcial
  3. Estados mentais para o estudo do dharma – utilize a fé para estudar o dharma – utilize a dúvida para estudar o dharma
  4. utilize a mente desperta para estudar o dharma – utilize a não mente para estudar o dharma

Início: 17 de Outubro, fim:8 de Outubro – todas as quintas-feiras.
Horário: 19h00 às 20h00

As aulas são gratuitas. Todos os que possam podem doar um donativo para manutenção do templo.

 

Os livros da BLIA podem ser adquiridos no templo pelo valor simbólico de €10

Estudos - pilares do estudo do dharma

As quatro nobres verdades

Ao ilu­mi­nar-se, o Buda Shakyamuni viu que o uni­ver­so dos fenóme­nos fun­cio­na de acordo com a ver­da­de da Génese Con­di­cio­na­da. Quando deci­diu ensi­nar o que tinha vis­to, o Buda per­ce­beu que a Génese Condicionada seria de difí­cil com­preen­são e pode­ria até gerar medo se fosse expli­ca­da de pron­to. Por isso, em vez de começar pela Génese Condicionada, o Buda ensinou primei­ro as Quatro Nobres Verdades. O primeiro perío­do dos ensi­na­men­tos do Buda é cha­ma­do “Primeiro Giro da Roda do Darma”.

As Quatro Nobres Verdades não dife­rem da ver­da­de da Génese Condicionada e, por certo, não a con­tra­di­zem. Elas sim­ples­men­te diri­gem o foco da Génese Condicionada para a vida huma­na, fazen­do com que esta pare­ça mais rele­van­te para as pes­soas e fique mais fácil de enten­der.

As Quatro Nobres Verdades são:

  • ver­da­de do sofri­men­to;
  • ver­da­de da ori­gem do sofri­men­to;
  • ver­da­de da ces­sa­ção do sofri­men­to;
  • ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofri­men­to.

A pala­vra “sofri­men­to” nesse con­tex­to é a tra­du­ção con­sa­gra­da do sânscri­to dukkha, cujo significado mais aproxi­mado seria o de “insa­tis­fa­ção”.

Significado Profundo das Quatro Nobres Verdades

O uso da pala­vra “ver­da­de” nas “Quatro Nobres Verdades” é expli­ca­da da seguin­te manei­ra no Shastra Yogachara-bhumi (Tratado sobre os Estágios da Prática da Ioga): “Da ver­da­de do sofri­men­to à ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofrimen­to, não há nada que seja falso ou enga­no­so e, por­tan­to, tudo isso é con­si­de­ra­do ‘verdadeiro’”.

O mesmo livro expli­ca a pala­vra “nobre”, nas “Quatro Nobres Verdades” deste modo: “Somente os nobres con­se­guem com­preen­der essas ver­da­des e con­tem­plá-las. Os ignoran­tes não conseguem com­preen­dê-las ou contemplá-las. Portanto, essas ver­da­des são cha­ma­das ‘Nobres’ Verdades”.

Comentário sobre o Tratado da Visão do Meio diz: “As Quatro Nobres Verdades são o ponto de passagem entre a ilu­são e a ilu­mi­na­ção. Quan­do elas não são com­preen­di­das, persis­te o apego aos Seis Reinos. Se com­preen­di­das, alcan­ça-se a san­ti­da­de”.

De acor­do com o Sutra dos Ensinamentos Legados pelo Buda: “A Lua pode se aque­cer e o Sol ­arrefecer, mas as Quatro Nobres Verdades nunca mudarão”.

As Quatro Nobres Verdades estão no cerne da vida. Explicam todos os esta­dos de consciên­cia exis­ten­tes no uni­ver­so e ensi­nam como se liber­tar de todas as for­mas de ilusão.

É neces­sá­rio sabe­do­ria para com­preen­der as Quatro Nobres Verdades. A pri­mei­ra verdade diz que a vida é cheia de sofri­men­to. A segun­da, que o sofri­men­to é cau­sa­do por nosso apego à ilu­são. A ter­cei­ra ver­da­de diz que a ilu­mi­na­ção, ou a total liber­ta­ção do sofrimento, é pos­sí­vel. A últi­ma diz como alcan­çar a ilu­mi­na­ção.

As duas pri­mei­ras Nobres Verdades têm rela­ção de causa e efei­to entre si. A primei­ra é o efei­to; a segun­da é a causa. Igual rela­ção exis­te entre a tercei­ra e a quar­ta, sendo a ter­cei­ra o efei­to cau­sa­do pela quar­ta.

À pri­mei­ra vista, cabe per­gun­tar por que o Buda colo­cou as Quatro Nobres Verdades nessa ordem. Não pare­ce­ria mais lógi­co que a segun­da e a quar­ta ver­da­des, ambas cau­sas, vies­sem antes da pri­mei­ra e da ter­cei­ra, que são os efei­tos? Ainda que em ordem dife­ren­te, as Quatro Nobres Verdades con­ti­nua­riam sendo com­preen­sí­veis. Contudo, a sequên­cia esco­lhi­da pelo Buda per­mi­te que as ver­da­des sejam ensi­na­das da forma mais efi­caz possível.

Para a maio­ria das pes­soas, é mais fácil enten­der pri­mei­ro o efei­to, – depois sua causa. Por isso, o Buda apre­sen­tou pri­mei­ro a ver­da­de do sofrimento e ­depois expli­cou a causa do sofri­men­to. Assim que se compreendem as duas pri­mei­ras Nobres Verdades, é natu­ral que­rer se liber­tar delas. Para aju­dar-nos a enten­der como alcan­çar essa liber­ta­ção, o Buda ensinou a Terceira Nobre Verdade, que é a ces­sa­ção do sofri­men­to, e por fim a Quarta Nobre Verdade, que é o cami­nho para a ces­sa­ção do sofri­men­to.

O Buda come­çou por des­cre­ver o pro­ble­ma, ­depois expli­cou sua causa. Em seguida, contou a solu­ção do pro­ble­ma e ensi­nou como che­gar à solu­ção. Um ele­men­to fundamental dos ensi­na­men­tos do Buda é a imen­sa com­pai­xão que trans­pa­re­ce na elaboração de expli­ca­ções, fei­tas de modo a serem compreen­di­das por qual­quer pes­soa que real­men­te se empe­nhe. A Génese Condicionada e as Quatro Nobres Verdades são verda­des muito pro­fun­das. Aquele que as estu­dar lon­ga­men­te vai perceber quão inteligente e quão compassivo foi o Buda, ao con­se­guir expli­cá-las de forma tão clara.

A Primeira Nobre Verdade

A Primeira Nobre Verdade é a ver­da­de do sofri­men­to. O Buda viu com per­fei­ta cla­re­za algo que as pes­soas vis­lum­bram oca­sio­nal­men­te: não é possível ao ser huma­no con­quis­tar total satis­fa­ção neste mundo. O sofri­men­to é des­cri­to de mui­tas for­mas diferentes nos sutras budis­tas. As três fundamentais serão abor­da­das nos pará­gra­fos a seguir, deven­do-se obser­var que as clas­si­fi­ca­ções de sofri­men­to apre­sen­ta­das não são quali­ta­ti­va­men­te diferen­tes, mas ape­nas for­mas dife­ren­tes de abor­dar um mesmo problema.

Os dois sofri­men­tos

Os “dois sofri­men­tos” são o inter­no e o exter­no, sendo esta a classificação mais elementar encon­tra­da nos ­sutras budis­tas. Essa é a manei­ra mais bási­ca de com­preen­der o sofrimento. Sofrimentos inter­nos são aque­les que geral­men­te con­si­de­ra­mos parte de nós, como dor físi­ca, ansie­da­de, medo, ciúme, sus­pei­ta, raiva e assim por dian­te. Sofrimentos exter­nos são aque­les que pare­cem vir de fora, incluin­do vento, chuva, frio, calor, seca, ani­mais selvagens, catás­tro­fes natu­rais, guer­ras, cri­mes e assim por dian­te. Não é possí­vel evi­tar – nenhum dos dois tipos.

Os três sofri­men­tos

Esta é uma clas­si­fi­ca­ção basea­da mais na qua­li­da­de do sofri­men­to do que em sua ori­gem ou tipo. O pri­mei­ro dos três sofri­men­tos é o ine­ren­te, aquele a que esta­mos sujeitos pelo sim­ples fato de estar­mos vivos. O segun­do é o sofri­men­to laten­te, aque­le que está presente mesmo nos momen­tos mais feli­zes: coi­sas se que­bram, pes­soas morrem, tudo enve­lhe­ce e se dete­rio­ra, até os melho­res momen­tos che­gam ao fim. O tercei­ro sofrimento é o ativo, causa­do por estar­mos pre­sos em um mundo de ilu­são constantemente mutável. No mundo da ilu­são, temos pouco ou ­nenhum con­tro­le sobre nossa vida. Sentimos ansieda­de, medo e impo­tên­cia à medi­da que vemos tudo se transforman­do de um dia para o outro.

Os oito sofri­men­tos 

Os oito sofrimentos des­cre­vem de modo mais deta­lha­do o sofri­men­to a que estão sujei­tos todos os seres sen­cien­tes e são clas­si­fi­ca­dos com base naqui­lo que os defi­ne. São eles:

Nascimento. Após ­vários meses de peri­go den­tro do ven­tre da mãe, final­men­te, sentimos a dor e o medo do nas­ci­men­to. Depois disso, tudo pode acon­te­cer. Somos como prisioneiros do corpo e do mundo onde nas­ce­mos.

Envelhecimento. Se formos, suficientemente, afortunados para não sermos mortos na juven­tu­de, tere­mos de enfren­tar o pro­ces­so de envelhecimen­to, ­sofrer a dete­rio­ra­ção do corpo e da mente enquanto assistimos o desa­pa­re­ci­men­to de nos­sos ami­gos, um por um.

Doença. A saúde é um pra­zer por ser tão con­tras­tan­te com a doen­ça. Todos, em algum momen­to, ­sofrem a dor e a humilhação da doença.

Morte. Mesmo que a vida seja con­si­de­ra­da perfeita, a morte é inevitável. A morte, quando não é repen­ti­na e ater­ra­do­ra, é geral­men­te lenta e dolo­ro­sa. Somos como folhas ao vento. Ninguém sabe o dia de ama­nhã.

Perda de um amor. Às vezes, per­de­mos ­alguém que ama­mos; ­outras vezes, nosso amor não é retri­buí­do. Não exis­te quem não sofra por não poder estar sem­pre com aqueles que ama.

Ser odia­do. Ninguém quer ini­mi­gos; no entanto, é difí­cil evitá-los neste mundo.

Desejo não rea­li­za­do. Os nossos anseios e dese­jos deter­mi­nam em gran­de medi­da quem somos. Limitam nossa capa­ci­da­de de enten­der o Darma, além de nos causar infin­dá­veis pro­ble­mas. E, o que é pior, a maio­ria deles – jamais chega a ser satisfeita, causan­do-nos duas vezes mais pro­ble­mas.

Os Cinco Skandhas. Estes são: forma, sen­sa­ção, perceção, ati­vi­da­de e consciência. Eles cons­ti­tuem os “tijo­los” da exis­tên­cia cons­cien­te e o meio para a manifesta­ção do sofri­men­to. Os Cinco Skandhas são como uma fonte ilimi­ta­da de combus­tí­vel a gerar dor e sofri­men­to, vida após vida.

Causas fun­da­men­tais do sofri­men­to 

Nos pará­gra­fos ante­rio­res, mos­tra­mos como os budis­tas veem a vida huma­na atola­da no sofri­men­to. Nos seguin­tes, o tópi­co sofrimento será analisado com mais pro­fun­di­da­de, pelo delineamen­to de algu­mas de suas causas fun­da­men­tais:

O Eu não está em perfeita harmonia com o mundo material. É necessá­rio esfor­ço cons­tan­te para encon­trar­mos con­for­to neste mundo. O clima é sem­pre quen­te ­demais ou frio ­demais, nos­sas pos­ses exi­gem cui­da­do cons­tan­te, nossa casa é muito velha ou muito peque­na, as ruas são muito baru­lhen­tas, os sapa­tos se gas­tam e assim por dian­te. O mundo mate­rial raramen­te se apre­sen­ta da forma como gos­ta­ría­mos que fosse.

O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com as ­outras pes­soas. Na maio­ria das vezes, não pode­mos estar na com­pa­nhia daque­les com quem gostaría­mos de estar, mas somos obri­ga­dos a supor­tar a presença de pes­soas com as quais temos difi­cul­da­de de relacionamen­to. Não raro somos até mesmo for­ça­dos a conviver com pessoas que aber­ta­men­te não gos­tam de nós.

O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com o corpo. O corpo nasce, enve­lhe­ce, adoe­ce e morre. O “eu” tem pouco ou ­nenhum con­tro­le sobre esse pro­ces­so.

O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com a mente. Nossa mente está fre­quen­te­men­te além do nosso con­tro­le, dis­pa­ran­do de uma ideia para outra como um cava­lo sel­va­gem ao vento. A ati­vi­da­de men­tal ilu­di­da é a fonte de todo o nosso sofrimento.

O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com os seus dese­jos. O “eu” pode com­preen­der que os dese­jos geram carma e sofrimento, mas isso não sig­ni­fi­ca que seja capaz de con­tro­lá-los com faci­li­da­de. O autocon­tro­le é difí­cil jus­ta­men­te por­que o que que­re­mos com mais inten­si­da­de nem sempre é o que sabe­mos ser o ­melhor para nós. Se nem mesmo ten­tar­mos con­tro­lar nossos dese­jos e dei­xar­mos que eles tomem conta de nós, o “eu” sofre­rá ainda mais.

O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com as suas opi­niões. Basicamente, isso sig­ni­fi­ca que nos­sas opi­niões são erra­das. Quando nos­sas cren­ças não estão ali­nha­das com a ver­da­de, cau­sa­mos a nós pró­prios infindáveis pro­ble­mas, pois teremos a ten­dên­cia de repe­tir os mes­mos erros mui­tas vezes.

O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com a natu­re­za. Chuva, enchentes, secas, tem­pes­ta­des, mare­mo­tos e todas as ­outras for­ças da natureza não estão sob nosso con­tro­le e podem, frequentemente, nos fazer sofrer.

O Buda ensi­nou a ver­da­de do sofri­men­to não para nos fazer deses­pe­rar, mas para nos ajudar a reco­nhe­cer com cla­re­za as rea­li­da­des da vida. Compreendendo o alcan­ce do sofrimen­to e a impos­si­bi­li­da­de de evitá-lo, devemos nos sen­tir ins­pi­ra­dos a supe­rá-lo. Reconhecer a Primeira Nobre Verdade é o pri­mei­ro passo de um pro­ces­so que deve nos levar a que­rer compreen­der a Segunda Nobre Verdade.

A Segunda Nobre Verdade

A Segunda Nobre Verdade é a ver­da­de da ori­gem do sofri­men­to, que está na cobiça, na raiva e na igno­rân­cia. Os seres sen­cien­tes acor­ren­tam-se ao penoso e ilusivo mundo dos fenômenos, por causa de seu forte apego a essas fon­tes de ilusão, tam­bém conheci­das como os Três Venenos.

A Terceira Nobre Verdade

A Terceira Nobre Verdade é a ver­da­de da ces­sa­ção do sofri­men­to. “Cessação do sofrimen­to” é o mesmo que nir­va­na, um esta­do que não pode ser des­cri­to por meio de pala­vras. É algo que está além de cobi­ça, raiva, ignorân­cia e sofri­men­to; além da dualidade e das dis­tin­ções entre certo e errado, você e os ­outros, bem e mal, vida e morte.

A Quarta Nobre Verdade 

A Quarta Nobre Verdade é a ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofrimen­to, aque­le que nos mos­tra como supe­rar as cau­sas do sofri­men­to. É o cami­nho rumo ao nirvana. A forma mais sim­ples de supe­rar as cau­sas do sofri­men­to é ­seguir o Nobre Caminho Óctu­plo, que ana­li­sa­re­mos em deta­lhe em outro Capítulo.

A Importância das Quatro ­Nobres Verdade

As Quatro Nobres Verdades foram os pri­mei­ros e tam­bém os últi­mos ensinamentos do Buda. Ao apro­xi­mar-se do momen­to de sua morte, o Buda disse aos discí­pu­los que, se tives­sem algu­ma dúvi­da quan­to à vali­da­de das Quatro Nobres Verdades, deve­riam se pronun­ciar, pois assim pode­riam obter as res­pos­tas antes que fosse tarde demais. A atenção que o Buda devo­tou às Quatro Nobres Verdades nos 45 anos em que se dedi­cou a ensi­nar assi­na­la a impor­tân­cia que atri­buía a elas.

Para faci­li­tar a plena com­preen­são da men­sa­gem do Buda, seus anos de ensi­no são geralmen­te clas­si­fi­ca­dos em três perío­dos, tam­bém denominados “Três Giros da Roda” ou “Três Giros da Roda do Darma”. Essa divi­são nos ajuda a compreender os ensinamentos do Buda, por­que nos dá três diferentes ângulos, ou perspetivas, sob os quais ver as mes­mas verdades.

O Giro Expli­ca­ti­vo da Roda do Darma 

O pri­mei­ro perío­do do ensi­na­men­to do Buda é cha­ma­do de “Pri­mei­ro giro da Roda do Darma” ou “Giro expli­ca­ti­vo da Roda”. Foi nessa época que o Buda expôs as ver­da­des bási­cas em que se fun­da­men­ta sua ilu­mi­na­ção.

A res­pei­to das Quatro Nobres Verdades, disse ele no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é o sofri­men­to; tem a natu­re­za ‘opres­si­va’. Esta é a causa do sofri­men­to; tem a natu­re­za de ‘apego’, ‘aferro’ ou ‘acú­mu­lo’. Isto é a cessa­ção do sofri­men­to; tem a natu­re­za de ‘compreen­são’ ou ‘des­per­tar’. Este é o cami­nho para a cessação do sofri­men­to; tem a natu­re­za de ‘cultivo’”.

O Giro Per­sua­si­vo da Roda do Darma 

O segun­do giro da Roda do Darma é tam­bém conhe­ci­do como “Giro persua­si­vo da Roda” por­que se refe­re ao perío­do em que o Buda con­ven­ceu seus dis­cí­pu­los a extinguir o sofrimen­to atra­vés da com­preen­são total das Quatro Nobres Verdades. Nessa época, ele abor­dou essas ver­da­des da seguin­te manei­ra, no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é sofri­men­to, vocês devem com­preen­dê-lo. Esta é a causa do sofri­men­to, vocês devem eli­mi­ná-la. Esta é a ces­sa­ção do sofri­men­to, vocês devem des­per­tar para ela. Este é o cami­nho para a ces­sa­ção do sofri­men­to, vocês devem praticá-lo”.

O Giro Com­pro­va­do da Roda do Darma

O ter­cei­ro giro da Roda do Darma tam­bém é cha­ma­do de “Giro Comprova­do da Roda”, por­que nesse perío­do o Buda se colo­cou como exemplo de alguém que havia alcançado a completa ilu­mi­na­ção, dizendo que, se ele con­se­gui­ra, todos pode­riam con­se­guir também. Nessa época, ele falou da seguin­te forma sobre as Quatro Nobres Verdades, no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é sofri­men­to, eu o conhe­ço. Esta é a causa do sofri­men­to, eu já a eli­mi­nei. Esta é a cessação do sofrimento, já des­per­tei para ela. Este é o cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofri­men­to, já o pra­ti­quei”.

O Buda é algumas vezes cha­ma­do de “O gran­de médi­co”, uma vez que os seus ensinamen­tos podem nos curar do nosso apego doen­tio à ilu­são. A melhor forma de aca­bar com o sofri­men­to é compreen­der bem as Quatro Nobres Verdades, por­que, ­depois disso, será muito mais fácil entender os outros ensi­na­men­tos do Buda.

A com­preen­são e a prá­ti­ca dos ensi­na­men­tos do Buda levam infalivelmen­te à liberta­ção da dor e do sofri­men­to. O Buda é o médi­co e tem o remé­dio; só pre­ci­sa­mos tomá-lo. As Quatro Nobres Verdades do Buda constituem a cura para o sofri­men­to humano.

O gran­de bodisatva Manjushri (…) disse à assembleia de bodisatvas:

“Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade do Sofrimento tem vários sig­ni­fi­ca­dos, como retri­bui­ção, opres­são, mudan­ça cons­tan­te, apego às condições, agru­pa­men­to de con­di­ções, dor dilaceran­te, dependência dos sentidos, loucu­ra, doen­ça e estu­pi­dez.

Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade da Origem do Sofrimento tem mui­tos sig­ni­fi­ca­dos, como apego, des­trui­ção, amor obs­ti­na­do, pensamen­to ilu­di­do, sedu­ção do dese­jo, deter­mi­na­ção errô­nea, teia de condi­ções, discur­so vazio, pas­si­vi­da­de e afer­ro a fon­tes degra­da­das.

Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade da Cessação do Sofrimento tem ­vários significados, como não argu­men­ta­ção, dei­xar a poeira para trás, paz per­fei­ta, não ter percepção ilusória, estar além da deterioração, não ter natureza de seu próprio ser, não ter obs­tá­cu­los, extinção, saber a ver­da­de e habi­tar na natu­re­za de seu próprio ser.

Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade do Caminho da Cessação do Sofrimento tem muitos significa­dos, como o Veículo Único, dese­jo de tranqui­li­da­de, o guia, ple­ni­tu­de sem dis­tin­ções, equa­ni­mi­da­de, renúncia, não ter ­anseios, ­seguir os pas­sos dos san­tos, o cami­nho dos sábios e os dez tesou­ros.

Discípulos do Buda deste mundo Saha, as Quatro Nobres Verdades têm qua­tro qua­tri­lhões de nomes e signi­fi­ca­dos, que são com­preen­di­dos pelos seres sen­cien­tes conforme as suas ten­dên­cias. Essa plu­ra­li­da­de de significa­dos mos­tra aos seres sencien­tes como con­quis­tar o con­tro­le sobre a mente”.

Sutra Avatamsaka (Sutra da Guirlanda de Flores)

Capítulo 2 do livro Budismo Significados Profundos, Venerável Mestre Hsing Yün,

Entrevista a Joana Dias, tradutora do Mestre Hsin Ting

Ao longo de mais de uma hora na palestra sobre estudos budistas, baseado no Sutra do Coração, dada pelo Mestre Hsin Ting, Joana Dias traduziu de forma brilhante e viva a mensagem que era passada, de coração. Entrevistamos a Joana Dias, para termos uma outra perspectiva sobre os ensinamentos do Mestre Hsin Ting e conhecermos a sua experiência neste trabalho de tradução.

Como foi para ti conhecer o Mestre Hsin Ting?

Foi muito emocionante. É uma pessoa muito educada, evoluída. Isso nota-se na simples forma como lida com as pessoas à sua volta, dando-lhes toda a sua atenção. Também pela forma como resolve os problemas que vão surgindo, sem ralhar sem negativismo, sempre de forma objectiva e amável. O seu cansaço era notório, mas sempre que lhe fazemos uma pergunta ele abdica do seu repouso tão necessário, para tentar informar, ajudar, dar uma parte de si ao outro . é fantástico. É a terceira vez que faço a tradução de um mestre budista. Das duas vezes anteriores foi a mestra Man Chien, graças à qual me iniciei neste estudo do budismo, para poder preparar as traduções. Senti-me muito contente por ela também estar presente cá desta vez.

hsin ting

Da tua experiência, esta foi uma tradução fácil ou complexa?

Esta foi uma tradução complexa, como alias foram as outras duas. Eu tenho alguma facilidade em entender os conceitos abstractos da filosofia budista, pois tenho me debruçado nos últimos anos a ler estudar e tentar praticar, os ensinamentos das três grandes escolas de pensamento chines: o budismo o confucionismo e o taoismo. Se não tivesse esse gosto pessoal, seria impossível traduzir. De resto, as dificuldades da tradução ligam-se também muito ao facto de o conteúdo ser criado no momento. As histórias que o mestre escolhe contar são tão novas para mim que preparei os conteúdos das obras do mestre como para os restantes ouvintes. E o tempo, pois não há momentos de pausa de descanso. O cérebro a certo ponto quer se desligar, quer relaxar, começa a ter dificuldades em se focar.

De toda a palestra, qual o ensinamento que mais apreciaste?

O ensinamento que me marcou mais da palestra foi a objectividade com que o mestre abordou a morte, a destruição do corpo . Não nos veio dar coisas “bonitas”, coisas confortáveis, coisas ilusórias. Ele veio ajudar-nos a mudar as nossas vidas. A transmutar o sofrimento. Conseguir fazer isso com objectividade e simplicidade é algo fantástico…

Que importância teve, para ti, esta palestra?

Bem, eu aprendo sempre tanto com a preparação destas palestras que me sinto uma privilegiada… São experiências de importância vital no meu próprio desenvolvimento pessoal. E por isso o mínimo que posso fazer é tentar dar o meu melhor para que a mensagem possa chegar às outras pessoas. Esta palestra surgiu numa altura em que estava a precisar de perceber como lidar com certos problemas da minha própria vida. Aquilo que aprendi com a mensagem do sutra do coração foi que qualquer problema que nos surge somos nós próprios que o criamos e que só podemos resolver com objectividade e compaixão.

Joana Dias, tradutora e professora de Chinês
Joana Dias, tradutora e professora de Chinês

Tese de Mestrado sobre a vida religiosa da comunidade no Templo Fo Guang Shan

Tânia Nunes tem um mestrado em Estudos Orientais, com especialização na China, pela Universidade Católica de Lisboa e a licenciatura em Antropologia pelo ISCSP. É também vice-presidente da sub-delegação portuguesa da Buddha’s Light International Association.

A presente tese foi realizada de Setembro de 2012 a Setembro de 2014, com base num fundamento antropológico, para a análise da socialização da comunidade chinesa do templo Fo Guang Shan, em Lisboa.

DIMENSÕES DE SOCIALIZAÇÃO IMPLICADAS NA VIDA RELIGIOSA DA COMUNIDADE CHINESA DO TEMPLO FO GUANG SHAN DE LISBOA

Tema e Objetivos

O tema desta dissertação, conforme nos é apresentado pelo seu título, centra-se na análise da socialização da comunidade chinesa do templo Fo Guang Shan de Lisboa. Onde a identidade, a cultura e a religião desta comunidade interagem e afetam as suas relações sociais.

Tentou-se então trabalhar através da doutrina e dos padrões de atividade praticados no templo. Basicamente o principal objetivo era o de observar o dia-a-dia e as cerimónias religiosas praticadas no templo. Nesta temática as principais preocupações foram as relacionar o envolvimento de fatores como o comportamento, valores, padrões culturais adquiridos e estratificação social interna, com a Socialização.

Metodologia

A dissertação foi planificada de acordo com uma metodologia qualitativa que abrange, neste caso, uma análise documental; pressupõe também a observação participante; e entrevistas baseadas num guião.

A análise documental encontrada sobre este tema, é escassa e dificultou ligeiramente a concretização do trabalho.

A observação participante é uma técnica que neste caso foi aplicada pela oportunidade que nos dá de observar, registar e participar em eventos e atividades de imensa relevância para o tema. Tal como será exemplo a cerimónia do chá da qual fiz parte em diversas ocasiões.

As entrevistas baseadas num guião, com o propósito de que os entrevistados se sentissem mais à vontade no seu meio, foram também adequadas a cada entrevistado, tentando que cada entrevista se aproximasse, dentro de certos limites, de uma conversa informal.

Desta forma, usou-se o espaço e a comunidade como fonte direta de informação, a fim de dar sentido aos fenómenos sociais e a poder descrever as experiências vividas nestes últimos 2 anos.

Conceitos para este estudo

Foram estudados alguns conceitos a fim de situar o leitor na construção do estudo, principalmente na procura do papel desta comunidade estudada, como agente de socialização e porque estas são palavras-chave descritivas de todo o trabalho aqui exposto.

Cultura é um conceito comum identificador de processos de mudança social, representações e práticas de um povo ou comunidade. A cultura caracteriza-se pela representação de idiomas, crenças, cerimónias, entre outros. É um sistema simbólico inerente ao ser humano. Revelou-nos também que a identidade cultural é uma construção social, onde a identidade é o produto de sucessivas socializações.

Conforme Lassiter nos apresenta, e citando as suas palavras: “cultura, no sentido antropológico é um sistema compartilhado e negociado, na procura pelo conhecimento no qual as pessoas aprendem e põem em prática ao interpretarem experiências e gerarem comportamentos”.

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Conceitos

Neste estudo em específico, Comunidade, apresenta-nos a ideia de um grupo de indivíduos que interagem, no mesmo espaço, onde desenvolvem e praticam atividades conjuntas. Aqui encontraram-se fatores chave para a sua identificação social e cultural, sendo os principais a religião, cerimónias e atividades, que nos apresentam uma ligação entre o passado e o presente e entre o seu país de origem e o de acolhimento.

Para tal, tentou-se também compreender a Comunidade chinesa existente em Portugal. Os principais polos são no Porto e Lisboa, existindo ligeiramente mais homens que mulheres, conforme gráfico apresentado na página 20 da dissertação. Queria somente salientar a percentagem da população chinesa existente em Portugal, que segundo o relatório do SEF em 2012, estava nos 4,2%. Apesar dos dados encontrados pelo SEF, neste trabalho concluímos que a comunidade deste templo possui uma identidade bicultural, influenciada tanto pela cultura chinesa, como pela portuguesa. E é aqui que o templo e a associação entram como meio de ligação entre as duas culturas, como agentes de socialização.

A Buddha’s Light International Association, ou BLIA, é uma instituição organizada de forma hierárquica, à qual os seus membros aderem voluntariamente com um propósito comum, tendo uma conexão estabelecida pela pertença cultural, ideias e crenças, associadas a uma entidade superior, neste caso Buda. O Templo FGS é direcionado mais para os que tomam uma vida budista, de apoio espiritual e religioso. O templo representa o ambiente puro de Buda, a terra pura, idealizados a inspirar um indivíduo à sua paz interior e exterior. Aqui realizam-se não só cerimónias budistas, mas também reuniões da BLIA, usado também como apoio aos ensinamentos budistas.

Em ambos deverá existir uma comunidade de prática budista, organizada como uma família, numa atmosfera amigável.

FGS desde os primórdios

Este terceiro capítulo da dissertação iniciou-se com uma breve biografia do fundador de todo o projeto FGS e BLIA, sendo este o Mestre Hsing Yun. Neste subcapítulo, revelamos por breves instantes a sua vida, tal como as diversas instituições e obras literárias criadas por si. A fim de divulgar a nível mundial a cultura e ensinamentos do budismo humanista, conforme nos foi dito pela mestre Miao Yen, aquando da sua entrevista.

O FGS e a BLIA surgem então em Taiwan, estando hoje espalhados pelos 5 continentes, com mais de 1.300 monges, 5 milhões de membros e 200 templos. O FGS Lisboa foi criado em 1995, encontrando-se nos dias de hoje perto do parque das nações. Já contou com a presença de 4 mestres budistas diferentes enviadas pelo FGS de Taiwan. E pelas palavras do entrevistado André Ye, este “é um dos epicentros religiosos para os chineses”, em Portugal.

Divisão arquitetónica como objeto da Socialização

Mais à frente na pesquisa tornou-se de igual forma relevante dar a perceber ao leitor da dissertação a estrutura arquitetónica do templo de Lisboa, mais pela sua distribuição de altares e de restantes salas, pois é nestes locais que se dá a tão esperada Socialização. No altar principal temos celebrações como o Banho de Buda, meditação e o Ano Novo Chinês; tal como temos ensinamentos da literacia budista na secção da biblioteca.

Os membros do templo de Lisboa indiciam quer nas suas entrevistas, quer em conversas of the record, que o ambiente ideal destes espaços dedicados ao budismo, deve ser o de um sítio solene, que inspira tranquilidade e paz de espírito.

Organização e estrutura da BLIA

A BLIA caracteriza-se por uma sólida estrutura organizativa, orientada para o espírito de equipa. Esta comunidade tenta envolver sempre o máximo de membros possível no máximo de eventos possíveis. A BLIA Lisboa encontrava-se, até ao momento em que se finalizou a investigação, com 6 subdelegações, sendo uma a delegação portuguesa e outra o YAD ou grupo de jovens. Aqui um dos principais objectivos é claro o de divulgar o budismo humanista, mas também o de integrar as pessoas no seu meio, sendo esta uma cultura comunitária que pretende praticar a ação social, através da boa prática budista.

Atividades semanais

A Socialização reconhece, conforme referido na dissertação, que a identidade social individual, toda a biografia de um indivíduo é construída através de um processo de transmissão cultural, que pretende dar sentido às rotinas culturais dos seres humanos. Assim, e visando este mesmo intuito, pretendeu-se dar conta do máximo de atividades praticadas neste templo budista de Lisboa, sejam elas semanais e mais rotineiras, ou anuais e de maior pertinência religiosa.

As semanais descritas na dissertação são as apresentadas no slide. Sendo as de maior importância para este trabalho as 4 primeiras. A meditação é uma prática budista de grande relevo para a sua cultura e para o alcance da iluminação; a recitação dos sutras pois é uma prática que neste templo demonstra a devoção e respeito prestados a Buda, agindo como estímulo de reverência a uma entidade superior, por se ter presenciado que a maioria dos membros do FGS só vem ao templo exatamente neste horário, por ser das poucas atividades budistas de que não prescindem; o grupo de jovens é o representante da cultura chinesa projetada para o futuro, quando em contacto com outras culturas, tal como se verificou nas suas danças que envolvem a tradição, tal como a confecção de pratos tradicionais chineses e a dança tão pouco chinesa, do hiphop; já a ginástica feminina serviu para nos ajudar a entender a frequência dos membros em termos de género, aqui quem tem um papel mais ativo na preparação de todas as atividades da BLIA e do FGS, sem exceção, é a mulher.

Atividades anuais

Relativamente aos eventos anuais, o Chá Zen revelou-se importante devido às suas etapas rituais, das quais participei, com o intuito de melhor perceber a sua complexidade. O beber chá é uma prática tão tipicamente chinesa, que se encontra no quotidiano e que nos revelou um ritual delicado, cujo objectivo é o de partilhar, neste caso algo preparado especialmente para quem se situa em frente ao mestre de chá, mostrando consideração pelo “Outro”.

O evento de Mérito aos Antepassados reforça a noção de pertença, parentesco e continuidade geracional, mostrando a estima que se mantém pelos antepassados. Esta cerimónia deve ser adaptada aos hábitos e tradições locais.

O banho de Buda é um dos eventos mais importantes para esta comunidade em termos religiosos, que pretende purificar o corpo e a mente. Foi uma atividade que se presenciou em ambos os anos de pesquisa, e demonstra a sua complexidade não só pela preparação, como pelos trajes ou pelo ritualismo do evento. Mais uma vez, todo o planeamento é maioritariamente realizado pelas mulheres da associação.

O Festival do Ano Novo Chinês é uma celebração que dura aproximadamente uma quinzena e esta comunidade em estudo decide dividi-la sempre em duas festividades. Ambas as ocasiões são orientadas para a família. No caso em estudo descobriu-se também a importância desta atividade para a integração de novos membros no seu seio comunitário. A primeira festividade pode-se dizer que é mais ritualista e religiosa, pois existe a recitação dos sutras, a entrega dos envelopes vermelhos, colocação das lanternas e a oferenda de alimentos a Buda. Sendo a segunda parte deste evento mais festiva, existe a dança das luzes, a dança do leão, um sorteio de rifas, entre outros. Mas no seu todo é uma cerimónia que reforça a unidade familiar, a promoção de valores de socialização e aquisição de normas e valores culturais.

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Resultados e Conclusões

Foram diversos os métodos utilizados para chegar a esta fase do trabalho, mas para se poderem retirar certas conclusões, só mesmo através das entrevistas realizadas. Das 8 entrevistas somente uma foi conduzida em inglês, devido ao entendimento linguístico. Dos entrevistados contou-se com 1 homem e 7 mulheres, sendo uma delas a última mestre budista responsável pelo templo FGS Lisboa e tendo sido esta a conduzida em inglês. Aqui trabalhou-se um pouco mais a questão do género feminino como o predominante em todas as atividades, inclusive ao longo desta investigação só se conheceram mestres mulheres.

Analisou-se o facto do grupo de jovens se identificar com a cultura chinesa e portuguesa como sua identidade cultural, na qual a comunidade atua mais uma vez como agente de socialização, enquanto descendentes de famílias originariamente chinesas e como membros ativos da sociedade portuguesa. Estes jovens, pelo que demonstraram ao longo da minha estadia no templo, revelaram que desejam ter um papel mais ativo nas atividades aqui exercidas, à medida que vão progredindo na sua integração da BLIA.

Relativamente aos adultos estes têm um conhecimento deveras mais profundo das práticas religiosas, quando em comparação ao YAD, tendo também uma maior importância nas suas vidas quotidianas, estes membros possuem uma maior identificação religiosa e pessoal com o templo.

Devido à participação individual na vida do templo, como forma de convívio entre amigos e familiares, a comunidade atua como agente de socialização. Este agente demonstra uma preocupação cultural, associados a um convívio entre “novos e velhos” membros da associação, que nos revelam uma solidariedade tão característica e personalizada destas pessoas que aqui me receberam.

Concluiu-se que a Socialização é um dos principais métodos através do qual o grupo interioriza valores, a sua própria identidade pessoal e transmite uma memória cultural e religiosa pelas suas tradições e origens.

Foi assim o dia de meditação e workshop de cozinha vegetariana

Dia 6 de Junho realizamos um encontro na BLIA (Buddha’s Light International Association) para praticarmos meditação Ch’an, com 18 participantes. Tivemos ainda um momento de reflexão sobre os ensinamentos do Buda, através do capítulo 3 do Dhammapada – A Mente (Citta Vagga).

Terminamos com um pequeno workshop de cozinha vegetariana, chinesa, seguido de uma excelente refeição, com a comida preparada.

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Podem ver mais momentos deste nosso dia, no facebook do Templo, aqui…

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Em Setembro iremos retomar mais actividades de meditação, culinária, assim como o Dia de Prática Ch’an.

Às quintas-feiras, às 19h00 temos estudos budistas e meditação. Esta série de estudos terminará no final de Junho e retomaremos em Setembro.

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Diálogo Inter-Religioso – ACM Fora de Portas

Nos dias 23 e 24 de maio, na Alameda Dom Afonso Henriques, em Lisboa, terá lugar o evento ACM Fora de Portas, dedicado ao Diálogo Inter-religioso.

O evento contará com momentos musicais, tertúlias, workshops, espaço de oração, bem como inúmeras atividades dinamizadas pelas várias comunidades religiosas – anglicanos, bahá’i, budistas, católicos, evangélicos, hindus, islâmicos e sikh.

A Buddha’s Light International Association irá participar com várias iniciativas. Convidamos todos a participar e conhecer melhor o budismo humanista.

Este evento é promovido pelo Alto Comissariado para as Migrações, IP em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e conta com o apoio da Junta de Freguesia de Arroios e da Junta de Freguesia do Areeiro.

O evento decorre nos dois dias entre as 15:00h e as 21:00h.

Novos órgãos sociais da sub-delegação portuguesa

Órgãos sociais sub-delegação portuguesa BLIA

De acordo com a Assembleia Geral, realizada a 15 de Maio de 2015, elegeram-se os seguintes associados como membros dos órgãos sociais da sub-delegação portuguesa (grupo 2) da Buddha’s Light International Association.
Supervisão – Elisa Chuang – ibps.pt@gmail.com
Presidente – João Magalhães – joaocsmagalhaes@gmail.com
Vice-Presidente – Tânia Nunes
Secretário – Ruben Frazão
Tesoureiro – Elsa Fernandes
Vogal – Manuel Lavadinho
Vogal – Júlio Costa
Vogal – José Oliveira
Em 2015, pretendemos desenvolver mais a participação portuguesa no Templo e nas actividades da BLIA, promovendo o Budismo humanista e os valores de apoio social aos que mais precisam.
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Novos membros dos órgãos sociais: da esquerda para a direita – José Oliveira, Manuel Lavadinho, Júlio Costa, Tânia Nunes, João Magalhães, Guo Hua Wu (presidente da Blia), Elisa Chuang (Supervisora), Elsa Fernandes, Ruben Frazão