4 de Maio – UM PEDAÇO DA LUZ DO SOL (EXCERTO)

Perto do meio-dia, a luz dourada do sol entra pelo quatro por entre as malhas da janela e cintila translucidamente em todas as direções. Vislumbro a brilhante e distinta natureza do Sol, como se pudesse reconhecer as cores deslumbrantes que se entrecruzam umas com as outras, tentando perseguir as suas indetetáveis movimentações. Observo-a reluzindo na minha mesa como um cristal, sinto que ao deitar-me nela ganho algum tipo de paz, um tipo de exuberância, um prazer relaxado. Isto poderá ser descrito por: “Janela clara, mesa clara.” Ao guardar-se uma coisa destas silenciosamente dá-se um sentido de mistério e uma atmosfera poética ondulante.

Sem dúvida alguma, estimamos a cultura se respeitarmos todo tipo de arte que já existiu desde o início do mundo – quer seja uma criação artística abstrata ou um impressionismo não naturalista que dominou com engenho os materiais da natureza. Todavia, no que diz respeito à origem da arte, àquele toque e inteligência humana (ou por outras palavras, as suas emoções), qual será a melhor maneira para exprimir um carinho razoável por elas?

Existem dois tipos de luzes extravagantes no quarto que me deixam frequentemente ansioso. Tal como quando as flores florescem, elas levam-se pela brisa das sensações e espalham-se pelos ramos e folhas da tranquilidade e compostura. O primeiro tipo de luz é a luz da vela, posta no seu alto enquanto que as lágrimas de cera caem em profundidade, com as luzes e sombras da chama cintilante a cair por aqui e acolá, por detrás de cortinas caídas. A luz, brilhante e elegante, com um sentimento do passado, apesar de fazer parte do cenário, manifesta um sentido poético mais elevado.

O segundo tipo de luz é a luz do entardecer que, durante o início da Primavera, espalha-se subtilmente pelo quarto inteiro. As malhas da janela, os tampos da mesa, as pinceladas e as marcas de tinta, banham-se numa luz turva e formam a imagem da quietude. Ao adicionar algumas pinceladas de rebentos de flores vermelhas e de caules finos, o quarto torna-se ainda mais agradável e fragrante, ao ponto que a espiritualidade passa a sentir-se a partir do mais ínfimo dos movimentos.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun

3 de Maio – CANTOS POÉTICOS 

Que guerreiros ardentes, 
e as suas poderosas ambições de governar o mundo; 
Cavalgando no horizonte, dirigindo-se em expedições, 
esquecendo-se do “eu” em função dos seus mandatos. 
Com poderosos arcos wuhao nas suas mãos, 
espalhando a luz reluzente das suas armaduras; 
Dispostos a dar as suas vidas em face dos perigos, 
os seus corpos morrem, as almas estilhaçam-se numa poeira voadora. 
Como podemos pensar na nossa própria segurança 
quando estamos sob ordens para lutar no campo? 
A lealdade é uma honra eterna, 
e a retidão dar-te-á um nome glorioso. 
Deixa o teu nome na história, 
para assegurar que a integridade perdura. 

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2 de Maio – VARRENDO SOB O PAGODE EM XIANGLIN 

Num mosteiro, limpar e varrer são as prioridades mais altas. Desde os aprendizes até aos monges mais velhos, nenhum está isento de levantar-se pela manhã e de trabalhar afincadamente. Há um pagode no Mosteiro Xianlin em que se varre e limpa, e depois limpa-se e varre-se uma vez mais. A sarira ilumina incandescentemente nas nossas mãos, não no pagode. 

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1 de Maio – PARÁBOLAS

Era uma vez um homem rico que sentia que a vida era desprovida de sentido e decidiu visitar um filósofo na esperança que este pudesse reduzir a ansiedade que sentia no seu coração. 

O filósofo levou o homem diante uma janela e perguntou, “O que vês?” 

“Eu vejo um homem e uma mulher, também uma criança”, respondeu o homem. 

A seguir, o filósofo levou o homem diante um espelho e perguntou, “E o que vês agora?” 

“Vejo-me a mim próprio”, disse o homem. 

O filósofo passou então a explicar, “Ambos o espelho e a janela são feitos de vidro, mas um lado do espelho tem uma camada de mercúrio, por isso não consegues ver nada mais que o teu reflexo.” 

Ao ouvir isto, o homem rico finalmente entendeu. 

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30 de Abril – ENTENDER A VIDA 

Ser uma pessoa livre e feliz, sem que isso contrarie as leis da natureza, assemelha-se à postura que uma pessoa demonstra numa peça de teatro. Um bom ator, apesar de estar perfeitamente consciente que tudo à sua volta é falso, é capaz de se exprimir de uma forma que é ainda mais realista, natural e alegre, em contraste com a vida real. E o mesmo é válido para a vida: a coisa mais importante é não sermos criteriosos em relação àquilo que é verdadeiro ou falso, lucrativo ou lesivo, fama ou proveito, nobre ou desvirtuoso, riqueza ou pobreza. Ao invés disso, trata-se mais de viver cada dia de uma forma alegre e descobrir a parte poética dessa experiência. Em algumas instâncias, a imperfeição é uma parte normal da vida, enquanto que a perfeição poderá ser a anormal. O seguinte ditado pode ilustrar isto: “raramente cheia, a lua estará maior parte das vezes em crescente”. 

Se entendermos a vida desta forma, podemos tornar-nos mais compreensivos, livres e despreocupados. E com isto, as nossas preocupações e os dias melancólicos serão levados pelo vento. 

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29 de Abril – EXPLICAR COMO DESEJAMOS 

Como desejamos, assim desejamos, 
Que tudo corra como é desejado. 
Os outros têm os seus desejos, 
Eu tenho os meus desejos. 
Concretizar os desejos de outros 
Pode não concretizar os meus desejos, 
Concretizar os meus desejos, 
Pode não concretizar os desejos dos outros. 
Concretizar os meus desejos e dos outros, 
Pode não concretizar os desejos do Céu. 
Como desejamos, assim desejamos, 
Que tudo corra como é desejado. 

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28 de Abril – LER E COMPORTAR-SE COM INTEGRIDADE 

Aprender a ser humano é um processo de aprendizagem que começa desde uma idade muito tenra. Mesmo quando nos tornamos mais velhos, é necessário continuar os nossos esforços diligentemente enquanto vamos aprendendo e praticando esta ideia. Tal como diz o ditado, “vive e aprende até à velhice.” O processo de aprendizagem em relação aos nossos comportamentos é interminável. Os alunos de uma escola podem graduar-se, mas os seres humanos nunca se graduam da vida. Mesmo no momento da nossa morte, ainda somos um ser humano que precisa de fazer aquilo que é necessário. Por isso, um processo de crescimento como este só acaba com a nossa morte. 

Como é que o ato de estudar pode elevar-nos para um nível mais alto de humanidade? Porque, por meio dos livros, podemos conhecer todo o tipo de pessoas que vivenciaram experiências de vida superiores, e os seus sentimentos profundos poderão ajudar a servir-nos de exemplo. Estas pessoas são aquelas que emergiram no meio de milhões e milhares de pessoas, e cujas lendas conseguiram passar o teste do tempo. A título de exemplo pense-se em Confúcio, será que existiu alguém exímio o suficiente para que se compare a ele? Para além disso, nós veneramos e admiramos pessoas como Jesus, Sakyamuni Buddha, ou Muhammed, simplesmente pelo tipo de seres humanos que foram. Não há lendas que perdurem no tempo sobre alguém que se tornou um milionário ao ganhar a lotaria. Nem os presidentes ou os imperadores são tão bem recordados ou admirados. Se desejam verdadeiramente tornar-se mais humanos, o que se segue será suficiente para te beneficiar para o resto da tua vida, “Nutre um sentimento e eleva a tua espiritualidade”. 

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27 de Abril – A VIDA SOB A PERSPETIVA DE UM JOVEM 

Caros jovens amigos, sem dizer respeito à vossa naturalidade e pureza, vocês têm por hábito limpar frequentemente as poeiras da vossa mente? 

Para nutrir verdadeiramente o vosso próprio poder, alguma vez permaneceram sem medos frente às pressões, revoltaram-se contra a autoridade, e ultrapassaram obstáculos, para que se pudessem enraizar profundamente no solo da história e da cultura, absorvendo os seus nutrientes e as suas nascentes escondidas? 

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A Perspetiva Budista sobre a Consciência da Mente – ebook

Aqui, gostaria de discutir convosco a perspetiva budista sobre a consciência da mente.

Normalmente concentramo-nos nos nossos corpos, mas não nas nossas mentes. Porque o corpo precisa de nutrição, comemos e usamos roupa para nos mantermos quentes: sabemos manter uma dieta saudável e evitar os danos do calor do Verão e dos frios do Inverno. Sabemos até como aplicar cuidados na pele, maquilhar ou esculpir o nosso corpo. Mas raramente tentamos embelezar a nossa mente. Para além do corpo, que mais apreciamos, apreciamos o dinheiro. Dia e noite, pensamos em como fazer uma fortuna, mas nunca pensamos em descobrir o tesouro da nossa mente.

Também gostamos dos nossos familiares e amigos. Sempre que temos tempo, ligamos para ver como estão, ou tentamos construir uma relação mais próxima com eles, mas raramente pensamos em construir uma relação com as nossas mentes.

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26 de Abril – UM CLÁSSICO DE MIL CARACTERES 

Corrige os erros quando são identificados, 
e esquece as capacidades que adquiriste. 
Não fales das falências dos outros, 
e não estejas convencido das tuas próprias capacidades. 
Admira só a conduta dos virtuosos, 
e evita o desejo de te tornares um sábio. 
Estabelece a virtude e o bom nome, 
e mantém uma imagem decente e reta. 
As calamidades acumulam-se devido ao mal, 
a virtude é celebrada pela boa sorte e as bênções. 
Um pé de jade não é um tesouro, contudo, 
é proveitoso lutar por um momento no tempo. 
Ajuda o teu pai e serve o teu rei, 
fala com solenidade e respeito. 
Faz o teu melhor para ser filial, 
e dedica a tua vida em função da lealdade. 

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