26 de Setembro – EM QUE ANDAR VIVES TU?

I

Em que andar vives tu? Na vida existem três andares: O primeiro andar é a vida material, o segundo é a vida mental, e o terceiro é a vida espiritual.

II

Não tenhas um coração caótico; não te aprisiones nas emoções. Não temas o futuro, e não habites no passado. Esta é a forma de viver em paz.

III

Com uma mente cerrada, todos os pequenos assuntos são grandes. Com uma mente aberta, todos os grandes assuntos são pequenos. Vê para além das vicissitudes da vida com um coração tranquilo e inalterado.

IV

Se conseguires amar, todas as coisas na vida tornam-se passíveis de ser amadas. Se odiares, todas as coisas na vida tornam-se odiáveis. Se fores grato, então tudo se torna digno de agradecimentos. Se maturares, então tudo no mundo também consegue maturar. Não é o mundo que te escolhe, és tu que escolhes este mundo. E por isso, como não há local onde nos esconder, nem local para onde escapar, é mais proveitoso ser alegre. Ao verificar que não existe terra pura, é mais proveitoso acalmar os nossos corações. Ao verificar que os nossos desejos não foram concretizados, é mais proveitoso sentir-nos aliviados.

— retirado de Obras Literárias de Feng Zika 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

25 de Setembro – O “I CHING” 

Se não acumularmos atos de bondade, eles não serão suficientes para polir o nosso nome; se não acumularmos atos de maldade, eles não serão suficientes para destruir a nossa vida.

O homem superior aprende e acumula os frutos da sua aprendizagem; coloca questões, e sabe discriminar entre os vários resultados; habita por entre aquilo que conquistou de uma forma magnânima e modesta; e leva consigo as suas conquistas, praticando-as com benevolência.

As coisas com a mesma tonalidade ressoam melhor em conjunto; as coisas com a mesma força material buscam-se uma à outra. A água flui para o local onde está molhado; o fogo vai em direcção ao que está seco. As nuvens seguem o dragão; o vento segue o tigre… Eis que cada coisa segue aquilo que é da sua própria espécie.

— excerto retirado de O Livro das Mudanças

24 de Setembro – UMA ORAÇÃO PARA OS CIDADÃOS SÉNIORES 

Oh grande, compassivo Buda!

Obrigado pela tua vinda neste mundo.

Tu disseste claramente:

Com o sofrimento do nascimento,

O sofrimento advindo da velha idade é inevitável;

Com o sofrimento da velha idade,

O sofrimento da doença é inevitável.

A velha idade e a doença são de facto dolorosos.

Oh grande, compassivo Buda!

Sabes quais são os desejos dos cidadãos senior?

O seu maior desejo é poder estar com as suas famílias;

A sua maior felicidade é poder levar uma vida pacífica durante a sua velha idade;

A sua maior felicidade é poder estar descontraído e permanecer tranquilo.

Por favor abençoa estes cidadãos senior:

Que a partir de agora, não tenham que sentir a tristeza de

Deambular de um local para outro;

Que a partir de agora, não tenham o infortúnio de

Ficar acamados com uma doença persistente;

Que a partir de agora não tenham de carregar o ressentimento dos filhos não devotos;

Que a partir de agora, não sintam a ansiedade ou o medo

da velhice, da doença, da morte, e do renascimento.

Que eles possam compreender:

Que o significado da vida não reside na longevidade do corpo físico.

Mas sim na intemporalidade das virtudes e da sabedoria;

Oh grande, compassivo Buda!

Mostra-nos, por favor, a tua preocupação cheia de graça pelos cidadãos sénior de todo o mundo.

Cada cidadão sénior deseja,

Ter paz e felicidade nos seus anos de crepúsculo

E ter uma vida recetiva e provida de significado.

— excerto retirado de Pérolas de Sabedoria:

Orações para uma Vivência Activa

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

23 de Setembro – O ESSENCIAL NA VIDA 

As disciplinas do dia-a-dia não podem ser apenas temas de conversa, mas sim algo que tem ser testado e praticado, experienciado e executado, um passo de cada vez. A maneira como tratamos os outros, a maneira como executamos a nossa rotina diária, e a maneira como pensamos e exprimimos as nossas emoções, todas elas devem ser submetidas a um teste para que se possam consolidar. O Mestre Chan Dongshan Liangjie da Dinastia Tang uma vez disse, “As ações que imitam o significado da linguagem são infundadas; as linguagens que definem as ações também são infundadas.” O que isto quer dizer é que se as disciplinas do dia-a-dia forem cultivadas por meio de uma aprendizagem cognitiva, então será muito difícil colocá-las em prática. A partir da perspetiva da prática, podem existir teorias maravilhosas, mas não serão algo que se possa exprimir claramente com a linguagem.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

22 de Setembro – OS ASSUNTOS MUNDANOS SÃO TÃO CURTOS COMO UM SONHO DE PRIMAVERA

Os assuntos mundanos são tão curtos como um sonho de Primavera;

O sentimento humano é tão rarefeito como as nuvens de Outono.

Não há necessidade de comparar as adversidades e permitir

que preocupem constantemente a mente;

Todas as coisas têm o seu destino.

Felizmente, eu tenho três copos de um bom vinho

E acabei de conhecer uma nova flor.

Alegres e sorrindo durante o tempo em que estamos juntos;

Se o dia de amanhã é radiante ou nublado, isso é incerto.

— retirado de Coleção Completa dos Poemas Song

21 de Setembro – GRAÇAS AOS CÉUS 

Quando eu era uma criança, a minha avó dizia sempre isto durante as refeições, “Deus concedeu-nos esta refeição para que a nossa família pudesse comer. Recorda-te, não nos é permitido deixar um único grão de arroz nas taças. Se desperdiçarmos a comida, o Céu não nos dará refeições.”

Todos os anos o meu avô arava a terra, rangendo os seus dentes durante a chuva, e a minha avó cozinhava arduamente e preparava o chá. Eles percebiam que tinham de trabalhar até que o suor lhes pingasse da testa para que pudessem fazer a colheita do trigo dos campos; mas, no meio disto, porquê agradecer ao Céu?

Foi só há dois anos atrás, quando li a obra de Einstein, “O Mundo Como Eu o Vejo”, é que comecei a ganhar um novo entendimento. Apesar da teoria da relatividade ser algo de original e inovador na história, a sua obra não tem referências citadas; mas no seu fim, ele deixou um comentário repentino, “Obrigado aos meus colegas e ao meu amigo, Besso, pelas nossas conversas.” Depois perguntei-me, porque razão ele não reconheceu o seu valor por este feito tão maravilhoso.

Em anos recentes, cheguei a uma nova conclusão: que independentemente da nossa situação, nos já recebemos muito e contribuímos pouco para a vida dos outros. Porque contraímos uma dívida para com muitas pessoas é que devemos agradecer às nossas causas e condições. Qualquer que seja a situação, não necessitamos de uma herança ou das contribuições dos nossos antepassados, mas sim do apoio e da cooperação de todos, como também da chegada de novas oportunidades. Quanto mais tivermos feito, mais sentimos que as nossas contribuições foram insignificantes.

Como consequência, aqueles que começam empreendimentos pensam genuinamente no público, e os que falham são aqueles que despendem o seu tempo a pensar no seu proveito próprio.

— retirado de Ao Vento da Primavera 

20 de Setembro – BIOGRAFIA DE GAO ZU 

Durante o banquete que decorria no interior do Palácio Yangnan, o Imperador Gaozu de Han disse, “Meus duques e generais, eu sei que nenhum de vocês se atreve a esconder-me os vossos pensamentos, e que vocês dizem sempre a verdade. Por isso digam-me por que razão ganhei a guerra, e porque Xiang Yu saiu derrotado?”

Gao Qi e Wang Ling responderam, “Meu senhor, você é orgulhoso e insulta as pessoas, enquanto que Xiang Yu era benevolente e amável com elas. Contudo, após conquistar as cidades e pilhar as terras, você oferece aos seus guerreiros as suas devidas recompensas e partilha os lucros com os seus súbditos. Xiang Yu, por outro lado, inveja os homens eminentes e tem ciúmes dos que são capazes. Como tal, ele sabota aqueles que são de mérito e suspeita daqueles que têm reputação. Quando saía vitorioso, abstinha-se de reconhecer os méritos e continuava a conquistar as terras para o seu proveito. Por esta razão, ele perdeu.”

O Imperador Gaozu retorquiu depois, “Vocês apenas veem uma parte, não o cenário inteiro. Quando a planear uma estratégia desde o interior de uma tenda para que se possa ganhar uma batalha que está a milhares de quilómetros de distância, eu não me posso comparar a Zi Fang. No que diz respeito à proteção do reino, à pacificação do povo, a recompensar o exército, e a preservar os recursos alimentares, nem me aproximo da figura de Xiao He. Para criar um exército aliado com um milhão de guerreiros que sai sempre vitorioso nas suas conquistas, não me comparo a Han Xin. Os que acabei de mencionar são todos heróis, mas eu sou capaz de os comandar. Por esta razão, eu conquistei o mundo. E por outro lado, apesar de Xiang Yu ter Fan Zheng, ele não conseguiu comandá-lo. É por isso que ele se tornou no meu prisioneiro.”

— retirado de Registo do Grande Historiador 

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

19 de Setembro – OUVINDO OS SONS DA CERIMÓNIA DE PENITÊNCIA NO TEMPLO TIANNING, CHANGZHOU 

Ouço os sons da cerimónia de penitência no Templo Tianning! Ouço o som dos tambores, do sino, e seguido do gongo. Depois disso, o peixe de madeira, e finalmente o nome do Buda… O som dos cânticos ecoam pelo Santuário Principal, lentos e imersivos, como se inúmeras ondas conflituosas entrassem em sintonia, como se inúmeras cores contrastantes se purificassem, como se as inúmeras altitudes de todo o mundo desaparecessem. 

Os sons harmoniosos do nome do Buda, do sino, do tambor, e do gongo, permeiam o universo – dissolvendo as transgressões durante um instante e reunindo todas as causas e condições que se alastram por inúmeros séculos.

De onde é que esta harmonia maravilhosa – o esplendor deste mar de estrelas, esta música do universo, esta poderosa corrente da vida – vem? Ela detém todo o movimento e cessa todas as perturbações. Quer seja nos confins do céu e da terra, no interior de um santuário dourado, entre as sobrancelhas da imagem do Buda, dentro das minhas mangas, perto dos meus ouvidos e das minhas têmporas, no interior dos meus órgãos, do meu espírito, e dos meus sonhos…

A alegria que flui da perfeita iluminação manifesta-se na forma de uma calma inabalável, fruto de uma harmonia que é maravilhosa, majestosa, nirvânica e ilimitada.

— excerto retirado de A Obra Completa de Xu Zhimo 

18 de Setembro – CULTIVAR A MAGNANIMIDADE

As coisas mais atraentes para mim são o tempo e a linguagem. O tempo é algo de profundo e difícil de compreender, mas a linguagem, mesmo com as suas limitações, é capaz de retratar a sua verdadeira aparência – uma passagem que é em si, simples e trágica.

Porque se diz que a vida é curta? Porque ainda não vimos o suficiente desta vida que está em constante transição.

A experiência da espera pode ser verdadeiramente profunda, especialmente quando estamos sentados nos aeroportos e observamos as pessoas a apressar-se, como se o mundo inteiro lhes estivesse a passar à sua frente.

— retirado de Um Dia a Vida

17 de Setembro – CAPÍTULO SOBRE A ORIENTAÇÃO DOS SOLDADOS

A generosidade acumula grandes méritos,

A paciência elimina todos os ressentimentos,

Os virtuosos abandonam todas as transgressões,

Ser livre de desejos conduz naturalmente à liberação.

— retirado de Sutra Sobre a Coleção dos Atos Originais do Buda

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun