30 de Junho – CANÇÃO PARA O DESPERTAR DO MUNDO

Poeira vermelha e ondas brancas, vastas e ilimitadas;

A paciência e a gentileza são bons hábitos.

Em todo o lado, seguimos as condições

à medida que os anos e os meses passam;

Passamos o tempo da nossa vida inteira com contentamento.

Não deixes a mente ser ignorante,

Nunca deixes que os defeitos dos outros se saibam.

Sê prudente ao lidar com os outros e não te arrependas;

Trabalha com paciência e sê flexível.

A corda de um arco rígido quebrar-se-á sempre primeiro,

Cada olhar sobre uma espada de aço prevê uma ferida.

A língua agitada chama o desastre,

Um coração maléfico é a causa das transgressões.

Não é necessário discutir se eu e tu estamos certos ou errados,

E que necessidade há para os debates sobre os prós e contras?

Desde há muito que este mundo tem imensos defeitos;

Como pode este corpo ilusório estar isento da impermanência?

Perder ocasionalmente não te fará dano,

Não há mal em ceder um pouco.

Só na Primavera é que os salgueiros são verdes,

Na brisa de Outono, os crisântemos são amarelos.

Audio do livro 365 Dias para o Viajante, do Ven. Mestre Hsing Yun 

29 de Junho – MEMÓRIAS DE JIANGNAN

Depois de muitos anos,

Outra despedida é algo de relutante.

Enquanto procuramos o antigo mosteiro

neste pagode cercado pela chuva nebulosa,

Fazemos votos majestosos

para experiênciar muitos mais kalpas,

Para testemunhar as nuvens do Dharma

que permeiam os três mil planos.

Ao encontrar-nos novamente em Jinglin,

Uma chuva de flores

enche a barragem do Rio Qinhuai.

Ao dar à costa dispensamos a distinção

entre o eu e o outro,

Mais vale tornar-nos

Iluminados aqui e agora,

E tornar-nos companheiros

que esperam com fervor encontrar-se novamente.

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28 de Junho – CONSELHO PARA A TEMPERANÇA

A dedicação e a preguiça existem no instante;

A ascensão e a queda de uma família também se determina da mesma maneira.

A concretização de todas as coisas é graças ao zelo,

Quando é que viram um homem ocioso a ter sucesso?

Os dias de juventude são os mais preciosos

Pois é nesta altura que as boas causas para o sucesso são fundadas.

Contudo, muitos se esquecem de estimar estes tempos preciosos da vida.

Não há tempo a perder com os assuntos mundanos!

Levanta-te cedo pela madrugada,

Que os afazeres de casa são bastante penosos.

Olha para aqueles filhos dispendiosos,

Muitos seriam preguiçosos e dorminhocos gananciosos.

Levar a vida com temperança é a coisa mais nobre,

Não atires as tuas riquezas para as ondas!

Tem sempre consciência da falta de recursos de hoje,

Para que não tenhas que ouvir os choros de desespero mais tarde na vida.

Durante anos, lidamos com assuntos e providenciamos para a nossa família,

Devemos ter sempre planos cautelosos para o futuro.

Preparar-te para a pobreza em tempos de prosperidade,

Não esperes até que a pobreza chegue para começar a pensar na temperança.

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27 de Junho – NOSTALGIA

Quando eu era um rapaz

A nostalgia era um pequeno selo

Eu estava nesta ponta

E a minha mãe na outra

Quando eu cresci

A nostalgia era um bilhete de um barco a vapor

Eu estava nesta ponta

E a minha noiva na outra

Anos mais tarde

A nostalgia era uma sepultura pequena

Eu estava deste lado

E a minha mãe estava do outro

E agora

A nostalgia é um estreito raso

E estou nesta margem

E o continente está na outra

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25 de Junho – DEZ RECOMENDAÇÕES ESSENCIAIS PARA AJUDAR OS OUTROS

1. Sê bom para os outros. 

2. Tem um coração gentil e honrado 

3. Ajuda os outros a concretizar os seus objetivos 

4. Encoraja os outros a praticar o bem 

5. Assiste os outros em casos de emergência 

6. Faz aquilo que for melhor para o bem comum 

7. Oferece a tua riqueza para cultivar o mérito 

8. Protege a justiça do Dharma 

9. Respeita os idosos 

10. Valoriza as tuas posses e a vida.

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24 de Junho – CARTA DE DESPEDIDA PARA A MINHA MÃE

Diz-se que todos os Budas que apareceram neste mundo receberam o seu corpo a partir dos seus pais. Todos os fenómenos que surgem estão dependentes do céu e da terra. Como tal, se não houvesse pais, ninguém nascia, e sem o céu e a terra, ninguém poderia crescer. Todos nós dependemos e sentimos gratidão por aqueles que cuidaram de nós e nos ensinaram coisas; e fomos todos protegidos e apoiados pelas suas virtudes. Todos os seres sencientes e todos os fenómenos são impermanentes, não estando à parte do nascimento e da morte. É difícil retribuir o sustento, o carinho profundo e o facto de termos sido criados com bondade. Mesmo que fossemos capazes de oferecer todo o tipo de objetos mundanos, ainda assim seríamos incapazes de retribuir toda essa bondade. Se uma pessoa alimentasse os seus pais com o seu próprio sangue, será que isso os manteria bem para sempre? O “Clássico da Piedade Filial” diz, “Mesmo que um filho providencie a carne de vaca, de carneiro e de porco, para alimentar os seus pais, ainda assim ele não seria um filho filial.” Os laços fortes conduzem ao renascimento perpétuo.

Não há maneira mais eficaz de retribuir esse amor e bondade que decidir abandonar com virtude e mérito a nossa vida caseira. Ao guiar os nossos pais através do ciclo de nascimento e de morte no rio dos afetos, e ao levá-los para além desse mar amargo das aflições, podemos pagar a nossa dívida que se estende por um milhar de vidas – podemos retribuir a gentileza de um dos nossos pais por dez milhares de kalpas. Entre todos aqueles que habitam os três planos de existência e que nos pagaram com as quatro bondades, nenhum deles ficará sem a sua recompensa. Os sutras dizem, “Quando uma criança deixa a vida caseira, um conjunto de nove parentes entrará no céu.”

Eu, Liangjie, renuncio o meu lugar na vida e faço o voto de não regressar a casa. Eu dedico aos meus sentidos e experiências durante kalpas infinitos para entender instantaneamente o prajna. Eu desejo que vocês, meus pais, consigam entender isto e que fiquem felizes ao deixar-me partir, sem se deixarem prender aos nossos laços. Espero que consigam aprender com o Rei Suddhodana e a Rainha Maya que, em outros tempos e noutros dias, foram ao encontro do Buda. Hoje, agora, despedimo-nos. Isto não significa que vos virei as costas ao não vos sustentar, mas o tempo não espera por ninguém. É por isso que se diz, “Se hoje ninguém está para ser libertado, então quando será?”. Espero que não pensem em mim.

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23 de Junho – DÁ SEMPRE LUGAR À BONDADE

Quando fores insultado deixa que a mente o tolere; e, pelo contrário, quando fores elogiado, sente a vergonha. Durante o percurso do cultivo espiritual, celebra este com alegria em vez de orgulho. Doma as mentes perversas e harmoniza uma assembleia dividida. Faz conhecer as boas acções dos outros em vez dos seus defeitos. Nunca fales daquilo que os outros têm vergonha e não exponhas os seus segredos a ninguém. Faz questão de retribuir totalmente até a mais pequena amabilidade. Mantém uma mente compassiva com aqueles que se ressentem contra ti. Considera todos os seres vivos como os teus próprios pais e prefere perder a tua vida a dizer uma mentira.

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22 de Junho – VERSO DO DHARMA SOBRE A RENÚNCIA

Em Fo Guang Shan, uma atmosfera rejubilante enche o ar;

Desde a sua inauguração, alcançou às pessoas de todos os locais.

As boas causas e as boas condições conduziram-nos a bons resultados,

Os jovens estão a glorificar o Budismo ao fazer parte desta fé.

O desejo de renunciarmos é o mais auspicioso,

Apesar de nos despedir da família e dos entes queridos, deixando a nossa casa,

Os oitos grupos de seres celestiais louvam-nos com uma voz unânime,

Pois a sabedoria que perseguimos contém uma vida que durará para toda a eternidade.

Com a cabeça rapada e o robe monástico vestido, parecemos realmente majestosos,

Está sempre consciente da prática da paciência e da disciplina.

Relembra-te constantemente do dever de propagar o Dharma a qualquer momento,

Impede as ambições iniciais de dominação através da hesitação e da dúvida.

Devemos permanecer consistentes na nossa conduta e costumes de um monástico,

Nunca fazer uma birra por temperamento ou cair num estado de desalento.

Sê diligente nas tuas tarefas em função do serviço pela Ordem,

Uma fragrância maravilhosa surgirá de uma mente humilde e respeitável.

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21 de Junho – PORQUE ESTÃO OS OUTROS DISPOSTOS A TRABALHAR CONTIGO?

1. És virtuoso: És verdadeiro com os outros, tratas as pessoas com gentileza e honestidade. És bondoso, reto, confiável, educado e ternurento. Quando os outros interagem contigo eles sentem o teu afeto e ficam relaxados.

2. És útil: Tens um valor prático para os outros.

3. Tens substância: Estar contigo é uma experiência reveladora pois permite aos outros pensarem “fora da caixa”. Não te sentes obrigado a fazer publicitar dos teus conhecimentos, nem acreditas em tudo o que vês ou ouves.

4. Tens capacidades: Escutas as ideias dos outros atentamente e és capaz de contribuir com opiniões valiosas.

5. És magnânimo: Reconheces completamente o valor dos outros e sabes valorizar o carácter único de cada um.

6. És interessante: Trazes alegria aos demais. Estar contigo não é enfadonho.

7. És sincero: Sabes criar amizades de uma forma genuína e por isso as tuas conexões invocam naturalmente respeito. Para além disso, demonstras uma positividade sem limites.

Não há necessidade de dizer tudo aquilo que sabes. Não acredites em tudo o que vês. Digere tudo o que ouves. Processa cada encontro que tens nesse preciso momento. Peneira e filtra os sedimentos; ao longo do tempo, as tuas energias e capacidades vão fortalecer-se e serão a origem de grandes coisas.

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20 de Junho – ZOU JI QUEIXA-SE AO REI WEI DE QI

Zou Ji era um homem bem parecido e de porte elegante. Quando ouviu dizer que o Senhor Xu do Norte também era um homem bem parecido, ele perguntou em diversas ocasiões à sua mulher, à sua concubina e aos seus hóspedes, “qual dos dois seria o mais bem parecido?”

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