Grupo budista quer mudar a China pela fé

Durante boa parte da sua vida, Shen Ying sentia-se decepcionada com o mundo em seu redor. Ela observava a ascensão económica da China nesta pequena cidade no Vale do Rio Yangtze, onde vivia uma vida confortável de classe média, gerindo uma loja de conveniência num centro comercial. Ainda assim, a prosperidade parecia não significar muito.

Ela temia perder a loja caso não agradasse as autoridades correctas. Escândalos recorrentes sobre a insegurança alimentar, ou comida para bebés contaminada feita por empresas que já tiveram boa reputação, deixaram-na desapontada. Ela lembrava-se dos valores que o seu pai havia tentado incutir – honestidade, economia, justiça –, mas disse que seria impossível viver esses ideais na China de hoje.

“Fico desapontada com a conduta desonesta na sociedade”, afirmou.

Então, há cinco anos, uma organização budista de Taiwan chamada Fo Guang Shan, ou Montanha Iluminada de Buda, começou a construir um templo nos arredores de Yixing. Ela começou a frequentar as reuniões e estudar os textos – e isso mudou a sua vida.

Shen e o marido, um empresário bem sucedido, passaram a levar uma vida mais simples. Abriram mão de produtos de luxo e fizeram doações para ajudar crianças necessitadas. E antes do templo abrir as portas no ano passado, ela deixou a sua loja de conveniência para abrir uma loja de chás, dedicando os lucros para a caridade.

Em toda a China, milhões de pessoas como Shen começaram a participar de organizações religiosas como a Fo Guang Shan. O seu objetivo é preencher o que acreditam ser o vácuo moral deixado pelos ataques aos valores tradicionais ao longo do último século, especialmente sob o comando de Mao, assim como a adopção de um capitalismo selvagem.

Muitas pessoas querem mudar o país – torná-lo mais cheio de compaixão, mais civilizado e justo. Mas, ao contrário dos dissidentes políticos e de outros activistas oprimidos pelo Partido Comunista, eles esperam mudar a sociedade chinesa por meio da devoção pessoal e trabalhando com o governo, ao invés de contra ele. E, de modo geral, as autoridades não parecem incomodar-se com o grupo.

Fo Guang Shan talvez seja a mais bem sucedida dessas organizações religiosas. Desde que chegou à China há mais de uma década, o grupo criou centros culturais e bibliotecas em grandes cidades chinesas, imprimindo e distribuindo milhões de livros por meio de editoras estatais. Embora o governo esteja controlando com mão de ferro a maioria das organizações religiosas estrangeiras, o Fo Guang Shan floresceu, espalhando a poderosa mensagem de que acções individuais de caridade podem ajudar a remodelar a China.

Contudo, isso só foi possível por meio de ajustes e acordos. O governo chinês desconfia das actividades espirituais que não controla, proibindo a mistura de religião e política. Isso levou o Fo Guang Shan a limitar a sua mensagem social e até mesmo o seu conteúdo religioso, concentrando-se ao invés disso em promover o conhecimento da cultura e dos valores tradicionais.

Essa abordagem angariou apoio nos altos escalões do governo; o presidente Xi Jinping é um dos apoiantes do grupo. Porém, a sua relação com o partido levanta uma questão importante: o grupo será capaz de mudar a China desse jeito?

O Fo Guang Shan é liderado por uma das figuras religiosas mais famosas da China actual, o Venerável Mestre Hsing Yun.

Aos 89 anos de idade, ele é praticamente cego e uma devota repetia as questões para que ele pudesse ouvi-las. Porém, a sua mente continua ágil, e ele escapava com facilidade das questões que pudessem incomodar as autoridades chinesas. Quando perguntei o que ele esperava conquistar com a disseminação do budismo – o proselitismo é ilegal na China – as suas sobrancelhas arquearam-se, mostrando que ele achou graça na pergunta.

“Não quero disseminar o budismo. A única coisa que faço é promover a cultura chinesa para purificar a humanidade”, afirmou.

Quanto ao Partido Comunista, ele não tem dúvidas: “Nós budistas estamos ao lado de quem estiver no poder. Budistas não se envolvem em política”.

Contudo, isso não foi verdade durante a maior parte da vida de Hsing. Nascido nos arredores da cidade de Yangzhou em 1927, ele tinha 10 anos quando entrou para um mosteiro por onde ele e a mãe passaram quando saíram em procura do seu pai, desaparecido durante a invasão japonesa na China.

Lá, ele foi influenciado pelas ideias do Budismo Humanista, que pretendia salvar a China através da renovação espiritual. O movimento argumentava que a religião deveria ser o foco deste mundo, e não o do além. Dizia também que o clero deveria preocupar-se com as pessoas, chamando os religiosos a ajudar a mudar a sociedade por meio da justiça e da compaixão.

Depois de fugir da Revolução Comunista, Hsing levou essa mensagem para Taiwan, onde fundou o Fo Guang Shan na cidade portuária de Kaohsiung, em 1967. Ele tentou tornar o budismo mais acessível às pessoas comuns por meio de uma renovação da sua imagem e da adopção de tácticas do mercado de massa. Deu palestras em estádios lotados, em cerimónias parecidas com cultos evangélicos. Construiu um parque temático com apresentações multimédia e máquinas que exibiam imagens de santidades budistas.

Essa abordagem teve um impacto profundo em Taiwan, que na época era bastante parecida com a China actual: uma sociedade em processo de industrialização que temia ter dispensado os valores tradicionais na busca pela modernização. O Fo Guang Shan tornou-se parte de um avanço popular da vida religiosa. Muitos estudiosos afirmam que o movimento também ajudou a lançar as bases para a transformação da ilha numa democracia vibrante, por meio do fomento de uma cultura política comprometida com a igualdade, a civilidade e o progresso social.

O Fo Guang Shan espalhou-se rapidamente, gastando mais de 1 bilhão de dólares em universidades, faculdades comunitárias, jardins de infância, uma editora, um jornal diário e uma estação de TV. Actualmente, a religião conta com mais de mil monges e monjas, além de mais de um milhão de seguidores em 50 países.

O grupo prefere não fazer estimativas do número de fiéis na China, onde o governo os recebeu inicialmente com desconfiança. Em 1989, um oficial que fugiu do massacre da Praça da Paz Celestial procurou abrigo num templo do grupo em Los Angeles. A China retaliou com a proibição da entrada de Hsing no país.

Porém, mais de uma década depois, Pequim começou a ver Hsing com outros olhos. Assim como muitas pessoas da sua geração que nasceram na China e viviam em Taiwan, ele é favorável à unificação da ilha e da China – uma prioridade para os líderes comunistas.

Em 2003, o governo permitiu que visitasse a sua cidade natal, Yangzhou. Ele prometeu construir uma biblioteca e, alguns anos depois, estabeleceu um centro de 40 hectares que actualmente abriga quase dois milhões de livros, incluindo uma colecção com cem mil volumes de escrituras budistas.

Embora o governo de Xi tenha aumentado as restrições ao cristianismo e ao islamismo no país, o Fo Guang Shan recebeu autorização para abrir centros culturais em quatro cidades, incluindo Pequim e Xangai. Actualmente, entre os alunos da organização encontram-se diversas autoridades do governo.

Quando Shen assumiu a loja de chás, demorou a entender o que significava ser budista. Ela admite que, no início, buscava obter mais lucro para o templo, utilizando óleo de qualidade inferior na cozinha.

Contudo, o seu marido foi contra. A China está repleta de escândalos de restaurantes que utilizam ingredientes baratos e perigosos, e ele argumentou que bons budistas deveriam servir de exemplo.

“Isso me fez perceber que a fé nos dá padrões morais mínimos. Ela ajuda-nos a tratar os outros como nossos semelhantes”, afirmou Shen.

Por Ian Johnston – New York Times 

Fonte: Portal do Budismo

Livro Ser Bom, ética budista para o dia a dia

Ser Bom - Hsing Yun
  • AUTOR Mestre Hsing Yun
  • ILUSTRADOR
  • COLEÇÃO Budismo
  • ISBN 9789898873040
  • PVP 14,99 € (IVA incluído)
  • preço fixo até fim de dezembro de 2018
  • 1ª EDIÇÃO julho de 2017
  • PÁGINAS 208
  • DIMENSÕES 150 x 230 x 14 mm

 

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. É autor de vários livros, como Budismo Puro e Simples (Zéfiro, 2014), Budismo: Significados Profundos (Zéfiro, 2012) ou Conceitos Fundamentais do Budismo (Zéfiro, 2010).

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia é a sua estreia na Nascente.

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt

Caligrafia “Um só traço”

O Venerável Mestre Hsing Yun nasceu em Jiangdu, China, em 1927. Foi ordenado em 1941 e é o 48º Patriarca da escola Linchi (Rinzai) Ch’an. Em 1949, no meio da turbulência da guerra civil, foi para Taiwan.

Em Taiwan, ele fundou a Ordem Budista Internacional Fo Guang Shan. E começou a cumprir o seu velho voto de promover o Budismo Humanista, que leva a sério a prática na vida diária. Com o ênfase de realizar a nossa natureza verdadeira no aqui e agora, neste precioso nascimento humano e neste mundo.

O Venerável Mestre Hsing Yun é um escritor prolífico e escreveu mais de 100 livros em chinês. Os seus escritos foram traduzidos para inglês e muitas outras línguas. Os seus trabalhos sobre a vida de Buda Shakyamuni e o Dicionário Budista de Fo Guang Shan, com dezasseis volumes, receberam o prémio mais alto dos Prémios Humanitários de Taiwan.

Aos 70 anos, a visão do Venerável Mestre Hsing Yun tornou-se mais desfocada, depois de complicações devido à diabetes. As suas mãos também começaram a tremer. Ele pensou nos seus leitores, amigos e organizações que frequentemente lhe pedem as suas palavras. De pleno coração, decidiu mergulhar o seu pincel na tinta e tentar completar as suas palavras com um só traço. Desde então esta é chamada a “Caligrafia de um só traço”.

A abertura do olho da mente

A “Abertura do Olho da Mente” é uma palestra realizada pela Venerável Jue Ji, directora da Chinese Buddhist Studies of University of West, no templo Hsi Fang.

A palestra é baseada no livro do Venerável Mestre Hsing Yun, com o mesmo nome, sobre o fundamento do Budismo – as quatro nobres verdades, o nobre caminho óctuplo, os três selos do Dharma, que advogam que todos os seres humanos têm uma natureza de Buda e que devemos corajosamente enfrentar o nosso medo e dúvida, desapegando-nos dos desejos, para que possamos valorizar as nossas vidas e fazer brilhar a humanidade em glória.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

EXPOSIÇÃO “CALIGRAFIA NUM SÓ TRAÇO” DO MESTRE HSING YUN NA BLIA PORTUGAL

Mostra é inaugurada a 3 de Julho e poderá ser visitada até ao dia 4 de Setembro.

De 3 de Julho a 4 de Setembro, estará em exposição na Associação Buddha’s Light de Lisboa, a exposição “Caligrafia num só traço”, do Mestre Hsing Yun.

 

Morada

Rua Centieira nº 35

1800-055 Lisboa

O Budismo Humanista

O Budismo Humanista, como fé, nunca pode ser muito vasto, muito profundo, ou muito considerável, pois incorpora todos os dharmas.

É sobre auto-purificação, auto-gestão e auto-educação.

O propósito da cultivação colectiva é manter o respeito mútuo das condutas de cada um, valores comuns, distribuição equitativa de benefícios, coexistência social harmoniosa, discurso bondoso e compassivo e alegria mental da realização espiritual.

Este conceito de harmonia colectiva, introduzida por Buda, quando estabeleceu a primeira comunidade monástica, é verdadeiramente o que o Budismo Humanista advoga hoje.

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“O meu entendimento sobre Budismo Humanista”, pelo Venerável Mestre Hsing Yun (Traduzido pela Ven. Miao Guang)

Mensagem de ano novo do Ven. Mestre Hsing Yun

2016 Carta do Venerável Mestre Hsing Yun aos Protetores e Amigos do Dharma

 

Caro protetores e amigos do Dharma,

Saudações auspiciosas!

À medida que nos despedimos do ano da cabra para saudar o ano do macaco e o 50º aniversário de Fo Guang Shan, a brisa da primavera continua a enviar a fragrância das flores. Neste ano novo, desejo sinceramente que todos possam “ser inteligentes e ágeis”, e serem abençoados com mérito e sabedoria.

São as pessoas que propagam o Caminho, não o Caminho que propaga as pessoas. Como a educação é vital para o desenvolvimento da humanidade, sempre foi algo a que presto uma atenção extra. No Janeiro passado, voei para as Filipinas para supervisionar a compra de terras e a cerimónia de abertura do Guang Ming College. Conversei de coração para coração com os devotos e alunos das Escolas de Artes Dramáticas e Estudos Budistas locais. Embora fosse incapaz de ver os seus rostos juvenis, as suas vozes cândidas e alegres deram-me firme crença no fato de que a educação pode realmente mudar o seu futuro.

Em março, apesar do meu corpo envelhecido, voei para Sydney, Austrália, para participar na Conferência «Fellowship BLIA Oceania» e da cerimónia de abertura oficial do Instituto Tien Nan. Mais de 4.000 pessoas estiveram presentes, incluindo o então primeiro-ministro australiano Tony Abbott e o prefeito da cidade Wollongong, Gordon Bradbery. A Austrália é uma terra bela e harmoniosa, então dei aos alunos as seguintes palavras de encorajamento “, Nan Tien (céu do sul) abre o grande caminho para a excelência; o Instituto, uma porta de entrada para a liderança. “Além disso, os presidentes da Universidade Fo Guang de Taiwan (Yung Chaur-shin), Nanhua University (Lin Tsong-ming), e Guang Ming Faculdade das Filipinas (Helen Correa) reuniram-se aqui para a Fo Guang Shan a reunião do Consórcio Universitário, Cinco-em-Um.

Para fundar uma universidade não é fácil, no entanto, a Fo Guang Shan conseguiu estabelecer cinco em quatro países. Ainda me lembro vividamente das dificuldades encontradas ao longo do caminho e estou sinceramente grato a todos os benfeitores e os que contribuíram com o seu apoio. Com a citação, “considerar como se preocupação de topo os assuntos do Estado, e como última o objetivo dos prazeres próprios”, incentivei todas as cinco universidades a trazer o espírito de sacrifício e devoção, apoio mútuo e colaboração pró-ativa, a fim de nutrir até mesmo os alunos mais talentosos.

Em termos de educação, a Ministry of Education Life Education Center, a única acreditada nacionalmente, foi estabelecida oficialmente na Universidade de Nanhua em março. Dirigida pelo Ministro da Educação, Lucia Lin, e pelo presidente do Conselho de Administração da Universidade de Nanhua, o Venerável Tzu Hui, também com o apoio e colaboração de estudiosos e professores de toda a Taiwan, o Centro estabeleceu um novo marco para o estabelecimento da educação para a vida.

No mesmo mês, o projeto de desenvolvimento do Distrito de Neihu, da Tzu Chi Foundation atraiu severas críticas dos média e também causou um escândalo que afetou a Fo Guang Shan e toda a comunidade budista. Não tendo escolha, decidi publicar uma série de artigos intitulados “Escutem-me: Mensagens de um monge humilde” pelo Merit Times. A minha intenção inicial era esclarecer a verdade e expor os fatos, assim eu supunha que um ou dois artigos seriam suficientes. Para minha surpresa, quando os artigos foram publicados, os apoiantes devotados do budismo tanto dentro como fora de Taiwan, bem como pessoas de todas as esferas da vida mostraram uma tremenda resposta, pedindo que continuasse a escrever. Sentindo-se tocados, eu continuei a série, trazendo à luz tudo o que era relacionado com empreendimentos culturais, educacionais e filantrópicos de Fo Guang Shan para a sociedade, servindo como um relatório integral para dar ao público. Além disso, ofereci os meus noventa anos de experiência de vida como exemplo para os meus discípulos em Fo Guang Shan, para seguirem na sua prática e cultivo. Isto inclui as virtudes da compaixão, perseverança e equanimidade, bem como crenças, incluindo “o futuro do budismo está sobre os meus ombros” e “coexistência pacífica com a própria doença”.

Quando os artigos foram publicados no jornal, os leitores apresentaram cerca de dez mil reflexões. Como monástico, eu nunca vi tanto entusiasmo para a propagação do Dharma e da defesa do budismo. Por isso, publiquei estes quarenta artigos como um livro com o mesmo título, Hear Me Out: Messages from a Humble Monk, e selecionei quarenta das peças mais interessantes e construtivas para o Reflections on the Messages from a Humble Monk. Estes dois livros já foram distribuídos gratuitamente ao público na esperança de que os leitores ganhem uma compreensão correta do Budismo Humanista. No final de outubro, a edição em Chinês Simplificado foi publicada pela China Citic Press com o lançamento do livro realizado no Museu Nacional da China, em Pequim.

Falando de publicações, o Professor Charles HC Kao, fundador da Commonwealth Publishing, selecionou cem artigos que tenho escrito ao longo das décadas em assuntos nacionais e sociais, Budismo, assuntos públicos e questões através do Estreito [entre China e Taiwan]. A compilação foi publicada como Sabedoria de Hsing Yun em agosto passado. Posso não ter a certeza sobre quanta sabedoria possa ter mas, como disse o professor Kao, eu sou aquele que está sempre pronto para expressar as preocupações e opiniões para a nação, bem como todos os seres vivos. Isso, na verdade, sempre foi o que eu esperava de mim mesmo.

A eleição presidencial de 2016, em Taiwan, está ao virar da esquina. Sempre que há uma eleição, Taiwan seria sempre dividida pela minoria de extremistas, causando conflitos e criar posições opostas. Os eleitores e partidos políticos que atacam uns aos outros. Fuma de turbulência e calúnia que permeiam toda a sociedade, roubando-a da harmonia que existiu uma vez na base de cortesia e companheirismo. Nascido e criado em tempo de guerra, eu estou bem ciente das atrocidades da guerra, e sou extremamente dispostos a ver o povo chinês, que compartilham a mesma herança e cultura, para reacender o fogo da guerra e voltar-se contra os seus próprios irmãos mais uma vez. Portanto, sob o pseudónimo Chao Wu-ren, escrevi setenta editoriais sobre a eleição em Taiwan no Merit Times na esperança de que possam contribuir para um futuro pacífico para Taiwan e para as relações através do Estreito. Estes editoriais foram posteriormente publicado pela Commonwealth Publishing como um livro intitulado Thoughts of Compassion: A Way Out for Both Sides of the Strait.

Em 7 de novembro, depois de quase 70 anos de governo separado na China continental e Taiwan, os líderes através do Estreito finalmente encontraram-se e apertam as mãos. O encontro entre Ma Ying-jeou e Xi Jinping não só trouxe alegria para mais de um bilhão de descendentes chineses mas também chamou a atenção global. Para isso, eu também escrevei três artigos a louvar este momento histórico precioso, bem como expressei as minhas esperanças por um futuro através do Estreito de paz e prosperidade.

Mesmo depois de ter atingido a iluminação, Buda ainda estava preocupado com assuntos de Estado e reis muitas vezes o consultavam sobre a forma de governar um país. O Buda também eliminou guerras entre reinos com sua sabedoria. Respeitando o princípio de mostrar preocupação pela política, sem interferir na governação. Eu suponho que apenas estou a fazer a minha parte como um monge budista para cuidar de estabilidade nacional e social, bem como o bem-estar público.

Em abril, o “Grande Concerto Louvado seja o Buddha” foi realizada no Buddha Memorial Center. Mais de dez mil fãs de música, de todas as idades, a partir de templos filiais de Fo Guang Shan em mais de cinquenta países e regiões elogiaram o Buddha com hinos budistas, apresentando a beleza de uma Terra Pura na Terra, no Bodhi Wisdom Concourse.

No ano passado, voei para a China Continental em quatro ocasiões distintas. No mês quente da primavera, em março, fui convidado para o Fórum Boao para a Conferência Asiática Anual de 2015. Este ano, um subforum religioso foi adicionado ao Fórum, dando a muçulmanos, cristãos e budistas, uma chance de expressar conjuntamente as suas perspetivas sobre o mundo, a sociedade e as pessoas, que foi muito significativa. Ofereci a minha perspetiva usando quatro pontos: 1) o budismo esforça-se para a harmonia interpessoal ao invés de conflitos de interesses; 2) o budismo esforça-se para a celebração das diferenças, em vez de insistência em conformidade; 3) o budismo  esforça-se para a harmonia dentro de uma nação em vez de divisão; e 4) o budismo esforça-se para a coexistência pacífica, em vez de matar e de criar guerra.

É animador ver diálogo inter-religioso em questões como a purificação da mente humana, o desenvolvimento das religiões, e a propagação de boas ações!

Em abril, fui convidado pelo Governo da Cidade de Yangzhou para dar uma palestra de três dias de Dharma sobre “O Sutra do Coração: Perspetivas sobre o Universo e a Vida” no Fórum de Yangzhou na Biblioteca de Jianzhen, para comemorar os 2500 anos da cidade. As palestras foram bem recebidas por um público de mais de dez mil pessoas de Guangdong, Henan, Hebei, Shaanxi, Jiangxi, Shandong, Mongólia Interior, e Sichuan.

Fui então convidado pela Popular Publishing House para o Grande Salão do Povo, em Pequim para o lançamento do livro da edição em Chinês Simplificado, de 365 dias para os viajantes: Sabedoria da literatura chinesa e clássicos budistas. Fui entrevistado pelo jornal Diário do Povo. 1,1 milhões de cópias foram impressas para distribuição gratuita ao público. 365 dias para viajantes não só é impresso em chinês simplificado para os leitores na China continental, com os esforços dos meus discípulos em todo o mundo, é agora também disponível em Chinês-Inglês, francês e coreano. Estas versões são atualmente impressas e distribuídas na Europa, América e Coreia.

Depois disso, fui então convidado para a cerimónia de abertura da Exposição de Caligrafia Um Traço no museu Huzhou, e dei uma palestra sobre o Dharma “Chan e Vida” em Huzhou Grand Theatre para um público estimado em 1.300. A 20 de abril, a convite do Governo da Cidade de Huzhou e Venerável Yinke, Abade do Templo Fahua em Huzhou, eu presidi à cerimónia de fundação, para a reconstrução do Templo Fahua Bhiksuni Daoji Zongchi Santuário no Monte Baique. Lá, eu realizei uma palestra de Dharma e o seguinte gatha:

Bhiksuni Zongchi,

A manifestação de Avalokitesvara Bodhisattva;

O santuário do seu corpo relíquia restaurado,

Universalmente abençoando todos neste mundo.

Quanto ao Expo Vegetariano hospedado na China Continental, o evento estava no seu terceiro ano em Yangzhou, e o quarto em Yixing, tornando-se cada vez mais popular a cada ano. Desta vez, também recebi um convite para o “Chá e Chan: Abril no Fórum Cultural Yixing” em Yixing Gymnasium e dei uma palestra sobre “Chá e Chan” a mais de 3.000 pessoas.

Em agosto, eu assisti à primeira cerimónia Oferta da Sangha realizada no Templo Ancestral Fo Guang Shan, Dajue templo em Yixing. A 18 de outubro, a cerimónia de inauguração do Santuário principal do templo e o Pagode Branco de Dajue foi realizada após dez anos de restauração. Onze mestres presidentes foram convidados para oficiar a cerimónia, incluindo Venerável Xuecheng, presidente da Associação Budista da China. Monges anciãos dos mosteiros em várias regiões, também participaram para dar os parabéns. Cerca de 30.000 membros da Blia de mais de 80 países da América, Oceania, Ásia, Europa e África reuniram-se para testemunhar a cerimónia.

Na tarde do mesmo dia decorreu o 2015 World Headquarters Blia – 1ª Reunião do 6º Conselho de Administração. Desde a sua criação, em Los Angeles, em 1992, a BLIA tem realizado conferências gerais e reuniões do Conselho de diretores em locais diferentes a cada ano. Desta vez, o encontro foi realizado na China Continental, e pode ser dito que foi um momento histórico. Eu gostaria de agradecer ao Presidente Yu Zhengsheng da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Wang Zuoan, Director da Administração Estatal para os Assuntos Religiosos, bem como o Secretário do Partido e do prefeito de Yixing pelas suas contribuições para uma reunião bem sucedida.

A 03 de novembro, encontrei-me com Xu Jialu, decano da Faculdade de Língua e Cultura Chinesa da Universidade Normal de Pequim, dentro da universidade Yingdong Academic Hall para um diálogo sobre “The Wisdom of Education.” Mais de 500 funcionários e estudantes participaram, oferecendo feedback contínuo e perguntas. Para concluir a conversa, eu disse a todos que o caminho do Buda da educação é sobre a auto-consciência. Educação não pode contar simplesmente com os professores. Em vez disso, os professores são como lâmpadas, iluminando o caminho para permitir que os alunos se esforcem para os seus objetivos, bem como a auto-consciência e auto-iluminação.

Das quatro Montanhas Sagradas budistas na China, visitei e dei homenagem no Monte Putuo em Zhejiang, Monte Wutai em Shanxi, e Mount Emei em Sichuan; Mount Jiuhua em Anhui foi o único que eu nunca tinha tido as causas e condições para visitar. Portanto, eu também encontrei algum tempo durante esta viagem para prestar homenagem, cumprindo o meu voto como budista para fazer uma peregrinação a todos os quatro lugares sagrados.

É verdadeiramente lamentável testemunhar a impermanência da formação, permanente, destruição e cessação pelos desastres naturais e por aqueles provocados pelo homem no mundo! Em abril, o terremoto no Nepal causou danos graves e desastrosos. A BLIA colaborou com a Sede Internacional de Busca e Salvamento de Taiwan, Kaohsiung Chang Gung Memorial Hospital, e outras organizações não-governamentais para formar a equipa Relief Aid Nepal Earthquake 4-em-1. Juntos, a equipa trouxe o espírito de amor e convivência através do fornecimento de alívio e ajuda ao Nepal.

Além disso, vários eventos particularmente significativos também ocorreram no ano passado.

Voltar em 2014, dois devotos ofereceram a cabeça de uma estátua de jade branco de Sakyamuni Buddha para mim. Depois das várias investigações de várias fontes, descobriu-se ter sido uma das três estátuas de Buda consagradas no templo Youju na província de Hebei. Esculpida em 556 CE, o sétimo ano do período de Tianbao durante a dinastia Qi do Norte, a cabeça da estátua foi roubada em 1996.

Artefatos budistas são importantes bens culturais da humanidade, e eu senti que a cabeça da estátua do Buda deve ser devolvida ao seu lugar original. A Administração Estatal do Património Cultural na China Continental aceitou a minha proposta para trazer o corpo da estátua do Buda de Fo Guang Shan para se reunir com a cabeça. A estátua na sua totalidade, desde então, ficou em Taiwan para que as pessoas reverenciem e venerem. Será devolvida na primavera depois do Ano Novo chinês.

Assim, em 23 de maio, eu co-organizei a “Brilhante Luz de Buda Universal: a Reunião Sagrada ” uma cerimónia com Li Xiaojie, presidente da Chinese Cultural Relics Association, para apresentar o cabeça da estátua do Buda para o templo Youju, província de Hebei. Espero que através da causa dessa estátua de Buda, as pessoas de ambos os lados do Estreito sintam que são parentes e afins que compartilham a mesma fé. Em particular, a cerimónia de apresentação foi transmitida ao vivo em todo o mundo, que não só promoveu o intercâmbio cultural chines através do Estreito mas também introduziu a arte e cultura budista e para o mundo inteiro, para uma maior sensibilização para a proteção do património cultural.

O corpo do Buda é o seu corpo de Dharma, que é tão vasto quanto o vazio. Assim como o vazio não pode ser cortado em partes, corpo de Dharma do Buda tem sido sempre algo que permanece impassível. No entanto, a forma física do Buda teve o seu torso e cabeça separados por causa do egoísmo, imoralidade e ganância. A reunião da cabeça e do corpo da estátua de Buda deve ser um evento significativo e valioso na promoção da paz através do Estreito.

Além disso, muitos deuses e divindades taoístas fizeram peregrinações ao Buda Memorial Center desde a sua conclusão em 2011. Portanto, o evento “Quando Buda encontra os deuses” foi programado para ser realizado a 25 de dezembro de cada ano. Mais de mil estátuas de deuses de diferentes lugares reuniram-se no Buddha Memorial Center com o apoio dos seus devotos, que é verdadeiramente uma união maravilhosa e harmoniosa inter-religiosa!

Sob esta causa, a Federação de Associações Tradicionais Religiosas Chunghua foi estabelecida em junho, com o presidente do Legislativo Yuan Wang Jin-pyng como seu primeiro presidente, e presidente do Conselho de Administração FGS, Muito Venerável Abade Hsin Bao, Legislador Hsu Tien- Tsai, o antigo Magistrado de Kaohsiung, Yang Chu-hsing, presidente da Beigang Chao Tian Temple Tsai Yung-de, e Presidente do Hsinkang Fengtian Temple, Ele Ta-huang como vice-presidentes. Além disso, o prefeito de Kaohsiung Chen Chu foi eleito como Chefe da Assessoria, e Elder Advisor da BLIA Chunghua Região Central Association Chen Chia-lung como Secretário. Até à data, a Federação tem cem templos e 412 indivíduos registrados como membros.

Eu sempre defendi que todas as religiões devem abraçar as diferenças de cada um ao invés de procurar semelhanças. Seguidores de diferentes religiões devem respeitar e tolerar-se uns aos outros. Através da Associação, eu desejo que haja intercâmbios amistosos entre templos de religiões justas, e que os seus seguidores possam alcançar harmonia social e inter-religiosa.

O Budismo Humanista é o budismo; é os ensinamentos do Buda. Tradicional ou moderno, qualquer forma de Dharma já propagado é o Budismo Humanista. No entanto, como diz o ditado, “fora das regras vigentes surgem falhas,” é inevitável que os problemas ocorram depois de uma propagação de longa data do Budismo. Portanto, quando eu assisti à primeira Conferência Fellowship of Middle-Generation Cross-Strait realizada por jovens budistas e pela Administração Estatal para Assuntos Religiosos da China continental, há dois anos, dei uma palestra sobre “Passando a Linhagem.”

Ao ver a geração do meio de monges de ambos os lados do Estreito, encontrarem-se para diálogo, para o renascimento do budismo, eu assim propus a criação da ” Associação Unida de Budismo Humanista, Chunghua”, que carrega a própria missão de propagar “Budismo Humanista. “Depois de várias reuniões e discussões, a Associação foi inaugurada oficialmente em agosto. Mais de duas centenas de templos e organizações budistas registraram-se como membros, incluindo Dharma Tambor Mountain, Ling Jiou Montanha Buddhist Society, Yuan Kuang buddhist College, Xiang Guang Shan Temple, Bliss and Wisdom Buddhist Foundation, Chinese Young Buddhist Association, e a Lay Buddhist Association of Taiwan. Seis presidentes foram eleitos, incluindo Venerável Ming Kuang, Venerável Hui Chuan, Venerável Ching Yao, Venerável Ru Cheng, Venerável Tzu Jung, e Huang Shu-wei. Venerável Shou Yu foi eleito como Diretor Supervisor, e Venerável Chueh Pei como Secretário-Geral.

Onde há associação, há poder e unidade. Rezo para que, com esta organização, todos nós possamos chegar a um consenso, gerar as nossas mentes bodhi juntos, e revitalizar o budismo para construir uma Terra Pura alegre e harmoniosa neste mundo através de sinceridade, benevolência e beleza.

Em abril passado, sob o conselho de Shanghai Vice-Prefeito Zhao Wen, o Hsing Yun Cultura e Centro de Educação em Xangai foi inaugurado. Acrescentado com a abertura do Centro Cultural e Educativo de Pequim Guangzhong, várias empresas culturais e educacionais para propagar o Dharma começarão sob o nome da Cultura e da Educação Fundação Hsing Yun para beneficiar mais seres vivos.

Tem sido sete anos desde que a minha caligrafia Um Traço começou a excursionar o mundo em 2009. Nos últimos anos, as exposições mais populares foram realizadas principalmente na China Continental. No ano passado, as exposições tiveram lugar no Museu de Suzhou, Hubei Provincial Museum, Museu Huzhou, Henan Museum, Museu Ningbo, Yixing Museu da Cidade e Museu de Anhui. Dia após dia, eu diligentemente escrevi um após o outro apesar da minha degeneração da visão. Eu não posso dizer se eles estão bem escritos ou não, mas eu completei cada peça com absoluta sinceridade. Cada palavra e frase representa as minhas genuínas bênçãos para todos.

O Buda Memorial Center celebrou o seu quarto aniversário. Graças aos esforços coletivos de Diretor Venerável Ru Chang e da sua equipa, o Centro tornou-se um dos marco de renome internacional de Taiwan. Diferente de prestar homenagem, os visitantes podem participar enriquecendo e diversificando em eventos de profundidade cultural, tal como fóruns, palestras, feiras de livros, exposições e exposições vegetarianas. Por exemplo, houve exposições de artes de instalação de Hung Yi, Xangai artes populares, bonecos e marionetes, artes de Fujian e Taiwan, “Sonho da Câmara Vermelha: Expôs a coleção de pintura de Lushan Museum” e “Encontro no Dharma: Ming e Qing água e terra Dharma Pinturas”. Houve também apresentações como shows de Shandong Provincial Acrobatic Grup e produções de grande escala, incluindo Xuanzang, originais da ópera chinesa Yu de Henan, e Entregar a Luz, uma ópera de Huangmei baseada em patriarcas da Escola Chan.

Uma coisa vale a pena mencionar é que o serviço Dharma Água e Terra, bem como uma exposição de pinturas e um simpósio relacionado foram todas realizadas em Fo Guang Shan, em novembro, que foi um momento histórico raro. O Buda Memorial Center também se tornou museu parceiro com Anhui Museum e Museu de Suzhou, assinando acordos de cooperação de cinco anos, estabelecendo um grande exemplo para o intercâmbio de museus através do Estreito.

No início do ano passado, foi realizada uma cerimónia para consagrar uma estátua de Confúcio de Shandong e uma estátua de Guan Yu de Shanxi, no Buddha Memorial Center. O Erudito e o General do Templo estão dos dois lados do salão principal, por baixo do assento do Grande Buda. Os chineses sempre deram uma forte ênfase em se ser bem versado em letras e artes marciais, uma vez que cada um representa o seu próprio talento e virtude. Agora que os sábios de letras e as artes marciais estão unidos com o Buda, o símbolo de harmonia entre o Confucionismo, Budismo, Taoísmo é assim alcançado. Em setembro, uma estátua de bronze de Yue Fei também chegou a Fo Guang Shan. É alegre ao ver que, além de um conjunto de todos os Budas, Bodhisattvas e grandes pessoas virtuosas, Fo Guang Shan agora tornou-se um lar para antigos sábios.

Em termos de construção, Pairi Daiza, Bélgica, foi inaugurado no ano passado. Além disso, IBPS Paris e Tainan Fuguo Temple, também foram inauguradas após a reconstrução. A cerimónia de hasteamento da viga em Chao Zhou Vihara marcou o início de sua nova construção. O Alojamento do Peregrino em Housuiji Temple no Japão também foi concluída e aberta ao público. Vale a pena notar que a construção do Repositório Sutra em Fo Guang Shan, um símbolo da Dharma, será concluído este ano. Como resultado, juntamente com a Fo Guang Shan Ordem Budista, que simboliza a Sangha, e o Buda Memorial Center, que simboliza o Buda, a Jóia Tríplice de Fo Guang Shan agora estará completa e ligada pelo Fo Guang Boulevard.

Envelhecimento, doença, morte e nascimento são todas as realidades deste mundo; eles também são verdades incontestáveis ​​do universo. Embora eu tenha agora noventa anos de idade e envelhecido em forma física, eu ainda pratico os ensinamentos de Confúcio, “diligência ao ponto da comida ser esquecida e alcançar o caminho ao ponto de tristezas serem negligenciadas.” Eu ainda sou persistente em diligentemente escrever caligrafia e artigos, dando palestras sobre o Dharma, sendo filmado, atendendo os convidados, e instruindo os meus discípulos.

Tenho propagado o Dharma em Taiwan por quase 70 anos, enquanto que Fo Guang Shan, acaba de chegar ao seu 50º aniversário. Está no auge da prosperidade, maturidade e estabilidade. Que todos os discípulos de Fo Guang Shan mantenham servir o público com entusiasmo e vigor. Por último, eu desejo a todos vocês a paz e bênçãos auspiciosas, e a perfeição de mérito e sabedoria no ano novo!

 

Hsing Yun,

Primeiro de janeiro de 2016

Escritório do Mestre Fundador